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Fio de Prumo



Sexta-feira, 08.12.06

Os militares nos «Prós & Contras»

 

No sábado passado recebi um convite da Televisão para estar presente no programa «Prós & Contras» da segunda-feira seguinte, mas anunciaram-me logo que não passariam em directo, porque se gravaria o debate às 17 horas.

 

A minha resposta foi pronta: — Muito obrigado, mas não vou. Não vou por dois motivos: tenho aulas na universidade onde trabalho e, em programas desta natureza, não participo quando são gravados.

 

A gravação prévia permite a chamada edição que é o nome pomposo que se dá à actual censura.

 

Já há meses, o programa que se fez sobre o 25 de Abril foi também gravado.

 

    Quem tem medo do que os militares podem dizer?

 

Não vi todo este «Prós & Contras», porque, com efeito, estive a trabalhar até bastante tarde. Contudo, do que me foi possível seguir, ficou-me uma sensação amarga na boca. Os militares estavam todos muito contidos, todos muito politicamente correctos, todos a tratar os assuntos com pinças e paninhos quentes. E de tal modo assim foi que se deixa um dos intervenientes no painel lançar para o ar a ideia de que a existência de associações militares punha em risco a regular e normal cadeia de comando por corroer a disciplina!

 

A ideia é, no mínimo, cretina! Própria de um apaniguado de Salazar nos melhores tempos do ditador e da ditadura.

 

É cretina, porque nada de mais eficaz existe, para manter a real e efectiva disciplina militar, do que as associações de militares. Eu explico em poucas palavras.

 

Sendo as Forças Armadas a entidade que gera e gere a máxima violência dentro de um Estado é absolutamente insensato afrontá-la por mera vingança ou «para dar o exemplo» ao restante aparelho estatal. Por esse mundo fora os casos de insubordinação de militares — no todo ou só na parte dos efectivos — por muito menos do que isso, são abundantes. Ora, havendo associações que polarizem e saibam canalizar o descontentamento dos militares, por certo estes não se insubordinarão nem darão lugar ao uso da força que detêm.

 

Entre nós — quer ao nível das chefias militares quer nos patamares do Poder político — não há cultura democrática, mas sim cultura autoritária. De facto, o parlamentarismo, como fruto da Revolução Francesa, nunca foi bem digerido pelos Portugueses. Foge-nos o pé para a bota da autoridade que calca todas as razões com a razão do calcanhar. Olhe-se à volta e, desde o exemplo mais evidente — que ocorre na Região Autónoma da Madeira onde um ditador se disfarça de democrata e governa há várias dezenas de anos — até ao mais recôndito e camuflado por uma suposta firmeza e teimosia, tudo o que se vê é fruto da falta de cultura democrática.

 

Quando as chefias militares se negam ao diálogo com as associações e as remetem para o quarto escuro das coisas inúteis, quando os ministros da Defesa Nacional mandam nos militares como se mandassem em fantoches cuja função é obedecer cegamente, os mais desprotegidos dos soldados não reconhecem nos seus chefes os defensores dos seus interesses, mas olham-nos como serventuários do Poder. Onde irão encontrar abrigo as suas justas ou injustas reclamações? Naturalmente, em associações e grupos de militares voluntariosos que jogam tudo por tudo — tal como quando lhes pedem para defender os interesses da Pátria — e entram em passeatas.

 

As passeatas são o dedo erguido aos chefes militares que não sabem nem dialogar nem defender interesses primários e são, também, o olhar frio e avisador lançado ao Poder que os está, aos soldados, a usar como elementos de exemplo para domesticar um funcionalismo público e outros servidores do Estado que sucessivos Governos foram enchendo de prebendas e regalias que agora, em tempo de vacas magras, não conseguem sustentar.

 

Tenha o engenheiro (?) José Sócrates a coragem de atacar os altos salários e as altas pensões de reforma que atribui a quem pouco ou nada faz e fez por as merecer e deixe os militares em paz com os magros e paupérrimos «benefícios» que eles e as suas famílias — tão sacrificadas como eles — usufruíam desde o tempo do Estado Novo, desde o tempo da ditadura, porque, materialmente, nada ganharam com a democracia que as suas armas um dia trouxe ao país.

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por Luís Alves de Fraga às 10:45


14 comentários

De Carlos Camoesas a 08.12.2006 às 17:03

Também não vi o referido programa "prós e contras", não sabia e mesmo que soubesse não lhe dou a mínima credibilidade, programas gravados...acontece como no ano passado. Este programa é um bom instrumento de manipulação da opinião pública, por um lado finge-se que se dá voz aos militares mas, sem que o tele-espectador saiba, censura-se ou como diz o meu amigo "edita-se".
Também acho que o programa pecou por falta de oportunidade; o ministro da Defesa desvalorizou o descontentamento, o Ex-na-altura ainda CEMGFA também disse à TSF que o descontentamento não era representativo e o actual CEMGFA foi mais longe e utilizou uma calculadora... Se bem me lembro, concluíu que só 0,47% dos militares estão descontentes!
A minha calculadora faz outras contas e se forem úteis o novo CEMGFA, é livre de copiar:
Não conto o passeio do descontentamento, deixo esses 0,47 de lado.
951 ex-militares estavam em Maio à espera do subsídio de reintegração, atrazadojá 10 meses.
1286 militares com mais de 20 anos e menos de 36 de serviço, pediram para sair das fileiras.
Só aqui já temos mais de 2.000...
Nem vou procurar mais factos, só não vê nem ouve quem não quer , o melhor mesmo é continuarem com essa atitude de avestruz.
Os avestruzes são tão limitados que nem sabem que ficam à mercê do perigo quando enterram a cabeça para ignorar a verdade que os assusta!

De A. João Soares a 08.12.2006 às 17:56

Vi apenas dois bocados do programa, o que me chegou para escrever um pequeno texto em Do Mirante.
Gostei do texto do Luís de Fraga e do comentário do Camoesas. O problema é muito complexo, como indica o Coronel Mira Vaz na Revista Militar, e por isso mesmo, é imperioso que haja evidência do descontentamento, mesmo que se ultrapassem os limites da disciplina. Com os 0,47% do MDN parece que o Governo está a desafiar os militares para irem todos para a rua, pra que haja representatividade ! O futuro não será risonho, mas é preciso não desistir de lutar por uma causa justa.
Os números da calculadora do Sr Camoesas são muito significativos: se não estavam todos na manifestação fisicamente, estavam lá em espírito o que tem grande significado que os políticos conmpreenderão se fizerem um esfoço de raciocínio...
Cumprimentos
A João Soares

De Carlos Camoesas a 09.12.2006 às 01:35

Exactamente, amigo João Soares que só pecou no seu texto, em colocar o (Sr) antes do meu nome, por favor não o faça, sou apenas um homem, não um senhor.
Claro que me abstive (propositadamente) de introduzir nas contas o número de ex-combatentes que têm sido enganados por governos e chefias sucessivos. Também não contabilizei todos os contratados das Forças Armadas que anualmente saem para... GNR e PSP (é um pouco absurdo, porque não ficaram na "tropa"?) até se sujeitam a perder o posto e antiguidade...
Também me abstive de contabilizar todos os que não pediram para saír das fileiras, com medo de retaliação ou porque simplesmente já estavam "avisados" que não seriam autorizados a saír.
Também não contabilizei os deficientes das Forças Armadas, alguns dos quais nem sequer conseguem exprimir a sua insatisfação, nem os que já nem sequer se lembram quem foram ou quem são...
Não fiz essa "contabilidade" para não revelar um número ou percentagem assustadora (leia-se realista) .
E por último, quem sou eu para contrariar contas já feitas por altas patentes e políticos sapientes? Se eles chegaram a 0,47% deve ser verdade, até porque o MDN contratou 11 pessoas (que auferem por mês 21.136€ ) "para o exercício de certas funções". Com essa ajuda extra, certamente alguém no ministério da Defesa sabe fazer contas, logo, se dizem que a insatisfação nas Forças Armadas é de 0,47%, é porque é!
...E "Nossa Senhora" também era virgem mesmo depois de engravidar... Talvez estes 0,47% também sejam por obra e graça do senhor, não podemos questionar ou duvidar, são dogmas.

De António José Trancoso a 09.12.2006 às 10:50

Há 2000 anos que o deliberado equívoco, entre a "virgindade" e a complacência hímenal (da Senhora deles) rende dividendos... de sujeição e medo.
Não estarão as incultas distorções na base dos injustos e limitados dogmas?
Bispos e Generais...

De marujo do 25 a 09.12.2006 às 04:17

Sou MILITAR na situação de reserva, no 25 DE ABRIL andei com uma arma na mão, era um jovem militar é um facto, mas era um MILITAR E AINDA O SOU, e, no lamentável ,programa recente dos "PRÓS E CONTRAS", fiquei indignado, porque o meu 6º sentido me disse "CUIDADO ALGO NÃO ESTÁ CERTO", e porquê? Porque HAVIA INDÍCIOS MUITO SÉRIOS DE UTILIZAÇÃO DO LÁPIS AZUL
Porque antes do 25 tinha que fugir para não ser preso por andar na rua á civil, e neste momento OS MEUS CAMARADAS SÃO PRESOS POR ANDAREM FARDADOS, è um facto, LAMENTÁVEL , não nos esqueçamos de quem escrevia na REVISTA DA ARMADA QUE" LISBOA ESTAVA MAIS POBRE SEM AS FARDAS". Será que estes "GOVERNANTES" actuais, o seriam se a rapaziada tivesse estado quietinha?!?!?
TENHAM VERGONHA, SRs , DESGOVERNANTES !!!!
Já agora algum deles foi militar?...
.....Algum deles tem um JURAMENTO?...COMO OS SENHORES MILITARES!... Não
Mas os militares podem lhe dar instrução de ordem unida .
E aconselho os governantes a frequentarem um curso numa unidade de FUZILEIROS onde se aprende a LIDERANÇA.

De A. João Soares a 09.12.2006 às 12:12

Amigos Carlos Camoesas e Marujo do 25,
Os dogmas e a fé são indispensáveis em organizações místicas que vivem da crença indiscurtível e rígida. Mas não se coadunam com a vida real que, ao contrário, se tem de adaptar aos diversos condicionalismos e circunstâncias do meio ambiente, das tecnologias e da evolução das mentes. O que era verdade ontem não é hoje e muito menos amanhã.
Liderança nos políticos? Que coisa impensável. Quem teve liderança para impedir as candidaturas de Isaltino, Valentim, Fátima Felgueiras e ontros?
Nem sequer o Primeiro-ministro impõe coerência aos sus ministros, como foi o caso de no momento em que o min da Seg Social estar a argumentar com a crise para dar menos aumento nas negociações com os sindicatos, apareceu o min da economia a dizer que a crise jé tinha acabado!
E como interpretar que um ministro português tenha dito em Espanha que é iberista? Em termos militares penso que isso seris traição.
Com essa indisciplina, falta de liderança, ausência de espírito de sacrifício, desprezo dos interesses nacionais, como é que os governantes podem compreender as especificidades dos militares?
Um abraço
A. João Soares

De António Viriato a 10.12.2006 às 00:27

Caro Amigo,

Também vi o programa e tampouco fiquei satisfeito : nem com os civis, nem com os militares, ainda que alguns destes tenham sido mais convincentes nas suas opiniões, em particular, Loureiro dos Santos, mais objectivo e com pensamento mais estruturado, em assuntos de Defesa e Estratégia, que ultrapassam o mero âmbito militar.

Aceite os meus cumprimentos, pesem as divergências.

Pasmo até como, sendo este General tão dedicado a estudar e a tratar temas de eminente interesse nacional, não se encontre agregado a nenhum órgão do Estado onde certamente a sua experiência e vocação obteriam maior proveito.

Foi particularmente claro na sua condenação de movimentos indignos da condição de militares, cidadãos sujeitos a regras de comportamento específicas, em que a disciplina e o aprumo cívico são pontos de honra dessa mesma condição. Por isso se constituem em reserva moral da Nação, espécie de ultima ratio da sobrevivência desta.

Reconheço que lhes assiste muita razão, nas suas questões com o Poder Civil. Mas, se não se acautelam, na forma como exibem o seu descontentamento, acabam por cair em manifestações de carácter sindical, em disputa com o seu hipotético Patrão, coisa ridícula de se ver.

Há que buscar outras formas de actuação mais adequadas e consentâneas com a condição militar.

Salvo absoluta degradação da ordem civil ou ameaça grave à dignidade da Pátria, em que a sua acção se deve tornar imperiosa, no mais, deve prevalecer a maior prudência, não se deixando os militares arrastar para movimentos de pura contestação sindical.

Preservemos ao menos as Forças Armadas, como corpo são, capaz de operar em favor do País, se tal se tornar necessário. Lembremo-nos das trapalhadas dos SUV nos tempos do PREC e da forma pouco digna como tudo isso terminou. Não queiramos reeditar a balbúrdia no seio da família militar, porque daí só resultará desprestígio para a Instituição e consequentemente o enfraquecimento da razão do seu descontentamento.

Esta é a opinião de alguém que ficou a estimar a condição militar, desde que por ela passou durante breves anos, em situação de guerra, e onde encontrou exemplos de grande dignidade, inteligência, carácter e dedicação pelo bem comum, muito mais do que em certos meios civis tão conceituados, em que esses atributos, supostamente, existem em abundância.

De A. João Soares a 10.12.2006 às 17:41

António Viriato
O seu apelido transporta-me a Viseu, com o monumento a Viriato em frente à respectiva «Cava». Era um lutador, um resistente e não um acomodado.
Concordo com o meu amigo em que as manifestações de rua diminuem o prestígio dos militares. Não são consentâneas com a sua dignidade.
Mas essa contenção tem resultado, desde o Governo de Cavaco Silva, numa redução continuada das compensações que o Poder dava às restrições impostas pela «condição militar». Os próprios vencimentos em relação com os de juizes e professores foram apoucados para metade.
Acha que os militares, para defesa do prestígio e da dignidade devem continuar a descer para níveis de difícil subsistência, em relação aos seus vizinhos?
Como poderão defender os seus legítimos interesses sem sair à rua? Serão os seus chefes capazes de o fazer? Está provado que não conseguem, porque a isso se sobrepõem interesses pessoais de manutenção do cargo.
O Viriato homenageado em Viseu não ficaria sentado à lareira à espera de um milagre.
Haja quem apresente aos militares soluções dignas e honrosas para reolver os seus problemas!
Um abraço
A. João Soares

De Mário Relvas a 10.12.2006 às 22:45

COR. CMD JAIME NEVES E O 25NOV75
Escrito por Mário Relvas
24-Nov-2006
É preciso ter memória...


O País parece não ter memória.Memória das dificuldades, do nosso passado recente.De termos estado à beira de uma guerra civil.Das mortes que ocorreram naquela missão,naquele dia.No massacre que podia ter ocorrido se jaime Neves não tivesse o comando real da sua unidade especial.Se se deixasse levar por vinganças ou lembranças mesquinhas.
Com este pequeno texto,o nosso comandante fala para o exterior,o que raramente o faz.Aqui fica neste breve texto a sua voz.:
A nossa voz - "A Voz do Comando"!


"Relembrando o 25 de Novembro de 1975!" De vez em quando dou comigo quedado a pensar e a relembrar o 25 de Novembro de 75 e o período que o antecedeu-designado por VERÃO QUENTE. E, ás vezes as conclusões são diversas e até se contradizem,outras, as dúvidas aumentam. Mas sabemos que foi uma ÉPOCA IMPORTANTE que marcou profundamente os destinos do País. Para nós COMANDOS DO EXÉRCITO PORTUGUÊS e principais intervenientes militares no 25 de Novembro,-que nascemos em ANGOLA,lá fomos criados e lá combatemos, como também combatemos em Moçambique e Guiné até meados de 74,contra inimigos DEFENIDOS e mais ou menos LOCALIZADOS,-ter que lutar no "Puto" ,na nossa casa MÃE-PÁTRIA em 1975 contra militares do EXÉRCITO PORTUGUÊS,dos quais uma minoria de responsáveis presentes tinham ombreado lado a lado,antes,connosco em África,foi uma situação difícil.Nada simples.Ocorre-me,que meses e até anos depois do 25NOV bastantes portugueses por esse país fora,perguntavam-me ou diziam,porque é que no cerco ao quartel da Polícia Miltar não os matámos a todos.Eu respondia:se um dos seus filhos lá estivessem e tivéssemos feito o que queria,estaria agora aqui comigo e com que cara?E lá desapareciam. Deixámos os nossos MORTOS,mas saímos de cabeça levantada e com HONRA. Mostramos a todos quem somos e o que somos. E DEPOIS veio a recompensa-EXTINÇÃO DO REGIMENTO DE COMANDOS,que um dia deve ser esclarecida dentro da nossa casa. E agora 30 anos depois, revejo e relembro os COMANDOS, mesclados entre juventude e os já batidos e experientes CONVOCADOS que com a sua disciplina, determinação e espírito de corpo,-repito, relembro com imenso orgulho e saudade. E também é com revolta, que grito com raiva a plenos pulmões e para TODOS OS PORTUGUESES, SEMPRE...

MAMA SUME "

"Jaime Neves Coronel 'cmd' Comandante do Regimento de Comandos em 25Nov75 ,in revista MAMASUME Jan/julho 2006"

Merece uma maior reflexão nestes tempos actuais em que comemoramos os 31 anos do 25NOV75,com uma crispação entre alguns sectores das Forças Armadas e o Governo Português.

Seria bom,efectivamente que se juntassem a uma mesa e pusessem de lado as "partidarites",se concentrassem esforços na resolução dos problemas reais de Portugal.Aqui não passam incólumes alguns sentimentos de mau estar no interior das Forças Armadas e nas Forças de Segurança fazendo lembrar e reflectir o PASSADO!

Certos de que nós COMANDOS, somos tropas tão disciplinadas como operacionais,"servindo sem preocupação de paga",sempre e só PORTUGAL e os COMANDOS!

À MEMÓRIA

DO TENENTE CMD COIMBRA

DO FURRIEL CMD PIRES ,caídos no campo da Honra, pela Pátria e pelos Comandos,em 25NOV75,GRITAMOS:

PRESENTE!

Aos Comandos de África, de Lamego, da Amadora, da Carregueira, a nova geração, os veteranos do Afeganistão, do CENTRO DE TROPAS COMANDOS - MAFRA, que representamos o passado, o presente e o futuro dos COMANDOS DE PORTUGAL, mantendo e incentivando os nossos valores, cantamos em uníssono :

HINO DOS COMANDOS



Somos jovens e audazes
Palmilhamos matas sem fim
Mostramos ser capazes
De lutar até ao fim



Aprendemos a ser duros
A lutar até morrer
Mostramos ser seguros
Não faltando ao dever



Ao perigo indiferentes
E na guerra destemidos
Nunca largamos as frentes
Perseguindo o inimigo



Esta é a voz do Comando
Que de regresso cantamos
E bem alto vamos gritando
MAMA SUME-Aqui estamos





De Mário Relvas a 10.12.2006 às 22:51

(...)

Reafirmando o nosso código de honra

"CÓDIGO COMANDO"

"O COMANDO ama devotadamente a sua PÁTRIA, estando sempre pronto a fazer por ela todos os sacrifícios. Constante exemplo de energia, de amor ao trabalho, de dedicação e de lealdade aos chefes, não discute as ordens que recebe, não admite nem conhece embaraços ou resistências à sua integral execução.

Remove todos os obstáculos ao fiel e exacto cumprimento dos seus deveres, sejam quais forem as dificuldades a que tenha que se sujeitar, sem procurar que outrém tome à sua conta o que lhe incumbe fazer.

O COMANDO pratica a camaradagem e procura assegurar a solidariedade moral entre os seus irmãos de armas; mas não aceita a indignidade, nem a desobediência, nem o desrespeito pelas regras da disciplina e da honra. Sempre disposto a auxiliar quem precisa do seu apoio material ou do seu amparo moral, quer na paz, quer na guerra, e em frente do inimigo, afirma-se constantemente pessoa de carácter.

O COMANDO ama as responsabilidades; sempre pronto a comandar e disposto a obedecer, não admite a suspeita de haver nos seus superiores a intenção de oprimi-lo ou de, por qualquer forma, o diminuir. Porque é sua constante preocupação agir como verdadeiro COMANDO tem nos seus chefes ou comandantes a mais segura confiança e a mais acrisolada fé.

Sempre generoso na vitória e paciente na adversidade, o verdadeiro COMANDO trata com solicitude, acarinha e estimula aqueles que lutam e sabem vencer todos os obstáculos. Não admite a mentira mas respeita os estóicos e abnegados que servem sem preocupação de paga ou de satisfação de interesses de qualquer natureza.

O carácter, a lealdade, a fidelidade, a obediência e a determinação são virtudes inalienáveis do COMANDO. Sejam quais forem os seus dotes de saber o COMANDO que as não possua ou as despreze deve ser inexoravelmente privado do seu título.

O COMANDO não foge ao perigo, não evita as situações que possam acarretar-lhe incómodos. Incumbido de uma missão, põe no cumprimento dela todas as suas possibilidades de actuação, todas as suas forças físicas, intelectuais e morais.»

"QUEM FAZ DO PERIGO O SEU PÃO

DO SOFRIMENTO O SEU IRMÃO

E DA MORTE A SUA COMPANHEIRA"

POR PORTUGAL!!

PELOS COMANDOS!

MAMA SUMÉ











Termino enviando um grande abraço ao autor do BLOG "FIO DE PRUMO" e ao amigo A. JOão Soares que me trçou o azimute para aqui chegar!

Para todos
Um abraço determinado
Mário Relvas

De O manifestante a 11.12.2006 às 06:48

Senhor António Viriato
Que me desculpe a ousadia, mas permita-me discordar.
Na verdade, a actual legislação sobre os militares, designadamente o artigo 31º da Lei de Defesa Nacional e das Forças Armada prevê vários direitos cívicos que têm que ser levados em conta. São eles, a grosso modo, a liberdade de expressão, direito de reunião, de manifestação, direito de associação. Nesta caso, estão previstas as associações profissionais, que não têm carácter sindical, mas cuja actividade se reporta a assuntos de carácter profissional.
Mantendo a coerência, se os militares têm direito à manifestação, o legislador não estaria a pensar que os militares viriam para a rua manifestar-se, a protestar contra a extinção do lince da Malcata, pese embora a sua importância.
Hoje os militares distinguem muito bem duas vertentes da sua actividade. Uma a operacional, o cumprimento da missão que é intocável e nunca, mas mesmo nunca, pode ser posta em causa. A outra, a relação com o seu "patrão" o Estado em que é por natureza uma relação conflituosa. O conflito pode ser de baixa tensão ou de alta, mas será sempre um conflito.
Com os governantes dos últimos quinze anos, tem sido um conflito latente, com picos mais ou menos visíveis.
Não concordo que um militar que enverga a farda para defender os seus interesses e os da própria instituição militar, seja menos digno ou tenha um menor sentido de disciplina.
Na minha opinião, os militares que tomam estas atitudes são os mais esclarecidos e aqueles que diariamente vestem a camisola no desempenho das suas tarefas dentro da instituição militar.
Somos, de facto a reserva moral da nação. Mas, por isso mesmo a instituição militar tem que ser defendida dos ataques de políticos que ainda hoje têm o síndroma da deserção. Não nos podemos esquecer, que alguns dos antigos e actuais dirigentes socialistas se recusaram a prestar o serviço militar e fugiram para a França e outros países europeus. Assim não entendem a especificidade militar, e a necessidade de esta ser defendida.
Por isso torna-se necessário que sejamos nós a defendermo-nos , bem como à própria instituição militar.
Os chefes militares, infelizmente têm apenas atitudes de subserviência com o pode político. E o problema não está neles, enquanto militares, mas sim na forma como são nomeados. Um chefe militar não pode ser incómodo para com o poder nem manifestar a sua discordância porque é imediatamente demitido e há logo dezenas de candidatos para o seu lugar.
Assim resta apenas aos militares com honra, brio e coragem virem para a rua lutarem pelos seus direitos. Os 0,45% de representatividade referidos recentemente, (números que ninguém sabe qual a sua consistência) correspondem aos mais corajosos e representam muitos outros milhares que também gostariam de participar mas que não têm coragem para isso. Porque tudo foi feito para os desincentivar a participar. Desde ameaças de processos disciplinares, até uma campanha de intoxicação, tudo serviu. Estas sim, atitudes muito pouco dignas.
Aos militares, atendendo ao quadro de políticos actuais, pouco mais resta senão lutarem. Caso contrário o desrespeito e a desconsideração continuarão e até se aprofundarão.

De Carlos Camoesas a 11.12.2006 às 07:20

Caro manifestante,
Subscrevo tudo o que referiu, permita apenas uma ressalva; não são apenas os que vêm para a rua, os que lutam com coragem e persistência, outros modos mais trabalhosos e porventura desgastantes existem de revelar o descontentamento e unir as pessoas, neste caso a família militar. Outras formas de luta e coesão apareceram com as novas tecnologias, estou obviamente a falar dos autores e dos comentadores dos blogs!
Mesmo aqueles que os não fazem ou os não comentam, estarão a lutar e a agir de forma coesa quando os lêm e os divulgam.

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