Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo



Quarta-feira, 01.02.06

Uma causa justa fora de tempo?

Tenho vindo, ao longo de vários apontamentos, a fazer referência ao discurso que o tenente-general José Mena Aguada pronunciou a 6 de Janeiro, em Sevilha. Aproveitei o incidente para discorrer sobre o papel constitucional das Forças Armadas nas democracias, sem me imiscuir no problema espanhol, propriamente dito. Julgo, contudo, ter chegado a altura de me debruçar sobre a questão.


Todos os Portugueses que ainda estudaram a nossa História de fio a pavio sabem quanto Portugal está devedor à Catalunha, por, em 1640, no dia 1 de Dezembro, ter conseguido afirmar a sua intenção de abandonar o estatuto de monarquia dual, tornando-se completamente independente das garras de Madrid. Se os Catalães não se tivessem, também, rebelado era quase certo o fracasso da conspiração de Lisboa. Falhou a Catalunha, mas conseguiu Portugal.


Também sabemos, de há muito, que a Espanha é uma manta de retalhos feita com a agregação tirânica de Madrid. Leão, Galiza, Navarra, Aragão e Catalunha possuem traços que de formas mais ou menos acentuadas as distinguem entre si e as autonomizam culturalmente de Castela. Até, em medida menos notável, a própria Andaluzia apresenta ligeiras diferenças das Castelas — a Velha e a Nova. O sonho imperial sempre proveio da região mais pobre da Península.


Foi durante a 2.ª República — 1931 a 1939 —, como nos dá conta Julian Casanova, professor catedrático de História contemporânea na Universidade de Saragoça, no jornal El País, de 1 de Fevereiro, que, em consequência da abertura constitucional, o Governo catalão fez que se elaborasse um anteprojecto de Constituição autonómica, chamado de Núria, por ter sido concluído naquela localidade, em 20 de Junho de 1931. Por plebiscito popular, de 2 de Agosto, foi aprovado, mas as Cortes só o votaram no dia 9 de Setembro do ano seguinte, depois de se ter dado o pronunciamento comandado pelo general Sanjurjo, em 10 de Agosto. Os Catalães viam assim, pela primeira vez, satisfeita uma aspiração nacional que remontava a centenas de anos. Passaram a ter hino e bandeira, sendo que o idioma oficial era conjuntamente o catalão e o castelhano. Constitucionalmente, a Catalunha, tornou-se em «uma região autónoma dentro do Estado espanhol». Quando Franco pôs fim à República, só ela tinha estatuto de autonomia. Isso acabou em 1939. A repressão fascista e franquista foi brutal sobre os Catalães, tendo havido fuzilamentos até 1945. O Vale dos Caídos, aberto na rocha à força dos braços dos prisioneiros políticos mandados como escravos construir o monumento aos vencedores, a pesar de nele repousarem os corpos de Francisco Franco e de José Primo de Rivera, fundador da Falange, é, afinal, a prova de que nem sempre o vitorioso de hoje é o herói de amanhã.


Sessenta e sete anos depois de ter sido posto fim à autonomia da Catalunha discute-se, agora, em Espanha, um novo Estatuto autonómico para os Catalães. Um amplo Estatuto, capaz de dar corpo legal à nação catalã, criando quase um Estado dentro do Estado espanhol. Por força das disposições legais pretendidas chegar-se-á tão longe que, desde a cobrança fiscal, ao funcionamento da justiça, da educação, ao sistema sanitário, tudo, ou quase tudo, se separará do resto da Espanha. Continuará a haver um Estado espanhol, mas a distinção será clara entre a Catalunha e o resto.


É legítimo o desejo dos Catalães. De certa forma, é até democrático que assim aconteça. Mas será no tempo apropriado?


Julgo pertinente a pergunta, pois quando há, na comunidade inter-estatal, a vontade de formar uma União Europeia onde as ambições e os desejos nacionais tenderão a esbater-se, de modo a tornar possível uma integração tão homogénea quanto possível dentro da diversidade que séculos de História impõe, surge-nos, à nossa ilharga, um sub tipo de federalismo temporão. Além do mais, nem quero especular sobre dois aspectos que reputo importantes: a um lado, o tipo de tendências que se podem, a médio e longo prazo, vir a desencadear em Portugal — país onde a economia espanhola encontrou mercado de expansão — e, a outro, os reflexos que a tão ampla autonomia catalã terá na futura política de defesa peninsular e europeia, quando esta começar a definir-se autónoma das decisões dos Estados Unidos.


Já que, felizmente, os Governos estão sujeitos à alternância democrática e, em Portugal, ainda não houve tempo para se definir com precisão uma Estratégia Nacional onde sobressaiam os Interesses Nacionais e os consequentes Objectivos, seria bom que, pela perenidade dos Estados-Maiores das Forças Armadas, os militares estudassem os efeitos que a médio e longo prazo terá na Península o novo Estatuto autonómico da Catalunha. Estudem, mas não divulguem, porque quem o fizer pode sujeitar-se a prisão domiciliária e a imediata passagem à reserva!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 21:50


4 comentários

De Anónimo a 06.02.2006 às 16:28

… Olá Bloguista.

Informações Úteis aos ALUNOS do Secundário e aos ALUNOS Universitários das CLASSES SOCIAIS Média, Média-Alta, Alta e RICOS.

Sabiam que:
.
.
.
*** EM CADA DOIS (2) alunos universitários UM (1) NÃO ACABARÁ o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
.
.
.
Nota: Em ENGENHARIA É MUITO PIOR. Em cada quatro (4) alunos universitários três (3) não acabarão o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
.
.
.
Ou seja. DOS ALUNOS QUE ENTRAM nas Universidades e Politécnicos (Públicas ou Privadas) CINQUENTA POR CENTO (50%) -- NÃO CHEGA -- A ACABAR O CURSO. A maior parte desiste nos 3 primeiros anos do Curso.

No total Duzentos e Vinte e Cinco Mil (225.000) alunos não terminarão o Curso. Logo Dinheiro do Estado e dinheiro das Famílias deitados ao lixo todos os anos (Mais de Quatro Mil e Quinhentos Milhões (4.500.000.000) de Euros anuais).

Nota Importante: Não se preocupem com os POBRES. Porquê?!?! Porque nas Universidades e Politécnicos (Públicos e Privados) há:

- Um por Cento (1%) de Pobres;

- Sete por Cento (7%) de Classe Média-BAIXA.

- Noventa e Dois por Cento (92%) de Classes Média, Média-Alta, Alta e Ricos. E SÃO ESTES QUE SE LIXAM!! Abram os Olhos!



.
*** Um CURSO DE CINCO (5) ANOS É FEITO, em MÉDIA, em OITO (8) ou NOVE (9) anos!



QUEM NÃO SE ACREDITAR NESTAS INFORMAÇÕES:

Perguntem aos Administradores de Acção Social, aos Reitores e aos Presidentes das Universidades e Institutos Politécnicos, tanto Públicos como Não-Públicos.


SOLUÇÕES SIMPLES:

i -- FECHEM todas as Universidades e Institutos Politécnicos durante cinco (5) anos e ABRAM Escolas Secundárias Técnico Profissionais COM ACESSO À UNIVERSIDADE.;

In “Livro aconselhado às Escolas Técnico Profissionais com acesso ao Ensino Superior”, http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_12.html#893945


E/OU ENTÃO,

ii -- AUMENTEM AS PROPINAS, anualmente, para CINCO (5) VEZES o SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL (nos Institutos Politécnicos Públicos e nas Universidades Públicas).

Prova dos Nove contra os Aldrabões e Aldrabonas e a sua “Ladainha dos Pobrezinhos”:

Ver: “Alunos COM POSSES têm mais hipóteses no ENSINO (superior) PÚ-BLI-CO”, http://jn.sapo.pt/2004/08/22/sociedade/ha_portugal_cultura_facilitismo.html.


PROPOSTA DE MELHORIA:

Que a maior parte dos COLÉGIOS deixe de ministrar o Ensino GERAL (+/- igual a Palha com notas inflacionadas) e passe a ministrar o Ensino TÉCNICO-PROFISSIONAL com acesso ao Ensino Superior. É lógico!


OFERTA PELA DIVULGAÇÃO DESTE DOCUMENTO:

TODOS os Alunos PODEM E - DEVEM – Candidatar-se / Concorrer TODOS os anos à BOLSA DE ESTUDO nas Universidades e Institutos Politécnicos (Públicos e Não Públicos):

"Oh ALUNOS Portugueses III" - SUBSÍDIO ESCOLAR e BOLSA DE ESTUDO , 30 Abril de 2004 em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_04.html#128423

José da Silva Maurício




FECHEM as Universidades e Politécnicos durante 5 anos e CONSTRUAM Escolas Técnico-Profissionais;
(http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt)
(mailto:mauricio_102@sapo.pt)

De Anónimo a 05.02.2006 às 02:22

Sou um leitor assíduo de blogs, "locais" onde exerço os meus direitos de cidadania.Leio, divulgo e comento as matérias ou assuntos relacionados com a Condição Militar. Esta semana fomos "invadidos" pelas notícias da visita de Bill Gates, soubemos também que existirá uma "polícia" ilegítima mais secreta que as outras secretas... Será apenas coincidência que não esteja acessível o Blog Vozsurda??? Terão os políticos (leia-se Governo actual)conseguido SABOTAR a VOZ??? Tudo me leva a crer que a "democracia" é algo parecido com o "comunismo", se fosse possível,se não fosse Utopia, seria ideal!
Vivamos contentes e felizes enquanto os nossos "governantes" SE governam. Algo me leva a crer que já se consegue TAMBÉM dominar a Internet! Sejamos felizes enquanto soubermos apenas o que eles nos deixam saber...
Peço desculpa por estar a "fugir" ao tema!
http://www.vozsurda.blogspot.com (http://www.vozsurda.blogspot.com)
Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

De Anónimo a 02.02.2006 às 20:39

A Europa, já de si dividida em muitos países, a despeito dos esforços para uma união, parece querer dividir-se ainda mais. Perante o poder crescente das grandes potências (não esqueçamos a emergência da China e da Índia), não me parece que seja uma grande ideia a pulverização do poder. Resta saber até que ponto essa pulverização resulta de uma real vontade popular ou de um oportunismo político de candidatos a "Reis-das-Berlengas"... deprofundis
(http://deprofundis.blogs.sapo.pt/)
(mailto:fcmvouga@sapo.pt)

De Anónimo a 01.02.2006 às 22:40

Permita uma intervenção jocosa para "desanuviar" a seriedade do tema; pelo menos 1300 militares portugueses irão estudar e divulgar "à boca cheia", se tiverem conhecimento deste desafio. Segundo noticiado pelo Correio da Manhã, esse é o número de militares da Marinha de Guerra Portuguesa a quem foi indeferido o pedido de passagem à reserva (http://vozsurda.blogspot.com/2006/01/700-militares-do-quadro-abandonam.html). Uma semana de prisão domiciliária seria um doce para quem está habituado a viver longe da família e o "castigo" da passagem à reserva seria tentador... Aínda falta saber os números do Exército e da Força Aérea. Também falta saber se à reforma (ou reserva) compulsiva também seria aplicado aquele abatimento de 4,5% por cada ano não cumprido, a aplicar aos Funcionários Públicos... Agora os Militares também são QUASE F.P., se bem que os nossos governantes nada esclareçam sobre a legislação parida para os Militares e até que ponto vai essa "equivalência" à F.P.! Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Fevereiro 2006

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728