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Fio de Prumo



Domingo, 26.03.17

A "União" Europeia

 

Tenho-me cansado a dizer que sou um eurocéptico e explico que os meus fundamentos para adoptar tal posição advém do âmbito cultural e não só político (porque a política está condicionada pela cultura – e aqui a palavra cultura assume o seu mais amplo sentido: tudo o que o Homem acrescenta à Natureza ou toda a herança social.

Factos recentes vieram dar-me razão e justificar plenamente a minha razão. Vamos, pois, analisá-los.

 

O ministro holandês, presidente do Eurogrupo, disse que os países do sul da Europa gastaram todo o dinheiro recebido em “bebidas e mulheres” ou algo semelhante! Foi, não foi?

Pois bem, a reacção não se fez esperar. E a reacção portuguesa foi bastante intensa: mande-se o tipo para o “olho da rua”! Que vá chamar nomes aos da sua laia! Que eles, holandeses, são uma cambada de bêbados! Que ele é sexista! Que é xenófobo! Que é, que é!...

 

O que é isto, para além de uma reacção de repulsa cultural? O que é que o Sousa Tavares lhes chamou numa crónica em que analisa a história da Holanda? Mas ele diz-se europeísta! Sê-lo-á? Não se percebe que à menor crispação o que salta de imediato é o sentimento nacional? Não se percebe que aquilo que sempre esteve “desligado” jamais se pode unir? Não se percebe que não há uma cultura europeia, mas culturas nacionais? Não se percebe que, por mais programas Erasmus que se inventem, nunca se conseguirá, no tempo presente, anular ou esbater as diferenças culturais (muitas vezes, depois de uma experiência Erasmus, ainda se regressa mais xenófobo do que quando se partiu)? Não se percebe que a “raiva” contra a senhora Merkle e contra os Alemães é um fenómeno cultural, um fenómeno resultante do sentimento anti-agregador?

 

O que será preciso fazer mais para se provar que a “União” Europeia o mais que pode ser é um mercado comum europeu? A “União” está a ruir por motivos culturais traduzidos por reacções nacionalistas e o nacionalismo vem do mais profundo da cultura de cada povo, de cada Estado-nação. Salve-se, ao menos, o que ainda pode ser salvo!

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por Luís Alves de Fraga às 16:34


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