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Fio de Prumo



Domingo, 05.02.17

Os Indicadores: Portugal Está Bem ou Mal?

 

Chegam-nos notícias de fora, de dentro, do Governo, da Presidência da República, dizendo que Portugal está a recuperar da situação de crise por que passou e a qual provocou limites de ruptura insuportáveis alegremente estabelecidos pelo governo de Passos Coelho. Há números que não nos enganam, pelo menos após uma observação inicial. Por exemplo, o desemprego está a baixar. Mas a oposição — fiel ao seu papel e ao seu destino — reduz quase tudo a nada ou, pior, quase tudo a uma mentira para ser consumida pelo público desatento.

Onde está a verdade?

 

Julgo — e somente julgo — que a verdade está algures no meio-termo entre o apregoado êxito e o anunciado fracasso. E a explicação é fácil: Portugal e a governação de Portugal não são livres! As regras impostas pela União Europeia e, em especial, as do euro — essa moeda única do nosso descontentamento — limitam as soluções e impõem condições cuja acção se reflectem, imperiosamente, sobre todos nós e, acima de tudo, no Governo, pois tem de tentar agradar a gregos e a troianos dada a dependência do apoio parlamentar que tem.

 

Repare-se na questão política do momento, que parece estar a pôr em causa o equilíbrio governamental: a precariedade laboral dentro do Estado e, dentro dela, o caso dos assalariados precários em regime de emprego em empresas prestadoras de serviços.

 

A argumentação comunista e bloquista é de uma lógica transparente: se os trabalhadores fazem falta e se há lugar para eles estarem a trabalhar, então, o Estado que os assuma como seus funcionários. Alguém, em seu juízo perfeito, nega esta evidência?

Ora o que o Estado não pode dizer, através do Governo, é que a “lógica” comunista e bloquista só poderia ser aceite se fosse viável pagar ao trabalhador precário o baixo salário que se paga por ele à empresa que o contrata! E depois? E depois tudo o que arrasta essa vinculação ao funcionalismo público? Progressão de carreiras, aumentos salariais da função pública? É que não basta só resolver a aparência… há que pensar nas consequências!

 

Estou em desacordo com os comunistas e bloquistas? Claro que não! Concordo com eles, mas recordo o que eles não dizem! É que manter o deficit entre determinados padrões numéricos exige jogos de cintura terríveis! Salazar era perito nessa “dança”! Só para não aumentar as pensões de reforma e amarrar o Orçamento Geral do Estado a compromissos futuros, ele usava do truque de aumentar os funcionários através de lhes atribuir subsídios… subsídios que resolviam o problema imediato, mas “empurravam com a barriga” um problema para um futuro longínquo… o futuro da reforma.

 

Bruxelas é o maior condicionalismo português. A União Europeia e o euro travam-nos soluções. Tudo seria bem diferente se não tivesse havido a ambição de transformar o legado meramente comercial e mercantil do pós-guerra em entendimento político alargado na base de diferenças culturais e comportamentais abismais.

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por Luís Alves de Fraga às 11:14

Domingo, 05.02.17

Eutanásia

 

De há muitos anos a esta altura, depois de descobrir os imensos prazeres da Vida, anulei qualquer resquício de ideia de suicídio construída em jovem, face a situações insuportáveis. Não, não me mato! Não acredito em milagres, mas acredito na capacidade de regeneração e na vontade de viver. Eu quero viver, porque viver é dar oportunidade a que alguma coisa diferente aconteça na minha vida. O diferente não me assusta e ele que venha! Saberei esperá-lo para me haver com ele.

 

Mas a eutanásia é um direito que assiste a todo aquele ser humano para quem o sofrimento físico é insuportável - ainda que, pessoalmente, creia não se saber o que é insuportável - e lhe queira pôr termo. Mas a eutanásia vai bulir com os princípios de quem está em condições de a poder pôr em prática para auxiliar aquele que a deseja. Haverá num direito individual o direito de anular outro direito individual?

 

Matar um animal irracional que está em sofrimento, que lhe tira o porte e o estatuto com que nasceu, é um acto de altruísmo, pois abdica-se do prazer de usufruir da sua companhia para o libertar. Mas um animal de estimação - ou que o não seja - não é um ser humano. Ao libertar o animal do sofrimento quem o faz executa-o quase por caridade. Contudo, não se mata um ser humano por caridade sem que se fique com a lembrança dessa morte na consciência! Só um anormal se queda indiferente.

 

Assim, se a eutanásia é um suicídio ela é também um crime para quem ajuda ao suicídio.

 

Dificilmente me suicidarei. Não o farei. Mas dificilmente criarei um problema de consciência a alguém, pedindo que me mate, ainda que por caridade. Então, então que seja eu a arcar com a negação do meu princípio de amor à Vida, mesmo acreditando que o diferente é um desafio.

 

A decisão política tem de ser tomada em total liberdade de consciência por quem tem de a tomar e, depois de legalizada a eutanásia, a lei tem de respeitar o direito de não condenar quem a não queira praticar, auxiliando quem quer praticá-la.

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por Luís Alves de Fraga às 00:35


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