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Fio de Prumo



Terça-feira, 20.09.16

Começou o inevitável

 

Quando António Costa resolveu fazer um acordo de incidência parlamentar com o PCP e com BE, firmando toda a esquerda como maioria democrática, concretizou-se o que devia ter tido lugar nos distantes anos de setenta e oitenta do século passado, na altura em que, realmente, sem a abstenção de agora, o país votava à esquerda, mas o PS jogava à direita, entendendo-se com o PPD/PSD. O medo atávico do comunismo - uma vitória de Oliveira Salazar depois de morto e enterrado - empurrou o PS para o centro-direita e impediu-o de fazer uma política de esquerda, porque, das duas uma: ou o PS era de esquerda e mostrava a sua face social-democrata, fazendo uma política onde imperava o socialismo democrático, e assim esvaziava de conteúdo ideológico o PPD/PSD, ou fazia, como fez, uma política de centro e dava conteúdo e razão de ser ao tal PPD/PSD de Sá-Carneiro. E o que era esse partido dito popular e democrático? Somente o refúgio de todos os que tinham medo da democracia, mas desejavam-na de maneira envergonhada. Ou seja, ideologicamente não eram nada! Eram o medo herdado de quarenta e oito anos de fascismo.

 

E porque António Costa aceitou o que ideologicamente devia ser e estava certo, eis que Passos Coelho anda à deriva sem ser capaz de encontrar um rumo para o PSD que, efectivamente, não tem espaço nem conteúdo para existir. Mas nisto também tenho de louvar o PCP e o BE que aceitaram apoiar, no que é possível para eles apoiar, o PS.

Mantenha-se a "geringonça" a funcionar e teremos, mais dia menos dia, o PSD reduzido a nada, porque quem é de direita vai para o CDS e quem aceita a democracia social vai para o PS.

 

Estamos a viver um momento crucial e é preciso que Passos Coelho e a sua equipa de inabilidosos fique mais tempo à frente do PSD para permitir a sua desarticulação. Mas é preciso que o entendimento dentro do PS com os parceiros da sua esquerda se mantenha para que haja tempo para reagrupar o que devia estar agrupado há quarenta e dois anos.

 

Abramos os olhos e vejamos sem medos o que deve ser visto, porque começou o inevitável.

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por Luís Alves de Fraga às 22:47

Terça-feira, 20.09.16

O que devia ter sido e não foi

 

Anda por aí um grande desassossego por causa do que disse, no seio do Partido Socialista (PS), a Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda (BE).

 

Por enquanto, o que ela disse não indicia mal nenhum, nem nada de grave. O que ela disse, por outras palavras e noutra altura, já deveria ter sido dito pelo PS há muito tempo. Foi preciso a ajuda do Governo PSD/CDS para agora toda a gente perceber que ser socialista não é ser uma espécie de PSD com um discurso mais à esquerda e uma prática mais à direita.

 

Talvez quinhentos mil euros de valor matricial seja uma verba ainda baixa e atinja quem não deve ser atingido. E que tal um milhão de valor patrimonial? É uma verba mais redonda e abrange aqueles que fogem a todos os investimentos por cá e os vão fazer no estrangeiro.

 

O socialismo democrático é isto mesmo: ir buscar dinheiro, através de taxas fiscais, àqueles que o têm para redistribuir socialmente por todos. Ah, mas é pouco! Não interessa o valor! O que interessa é a "cultura" política que assim se estabelece.

Entre nós há uma "cultura", que eu chamo anti-automóvel. Porquê? Porque quando é preciso arranjar dinheiro rápido aumenta-se o preço dos combustíveis, fazendo crer que quem tem automóvel é rico! Pois que se crie a "cultura" fiscal de sacar dinheiro a quem possui património imobiliário com valor significativo!

 

E não venham uns artistas dizer que assim se afasta o investimento em Portugal. Não venham, porque estão só a fazer rugir um tigre de papel. De papel?! Exactamente.

Quem é que garante a esses senhores ou seja a quem for que os proprietários de imóveis com elevado valor patrimonial, para além dos imóveis, investem em seja mais o que for em Portugal? É que investir a comprar imóveis é muito pouco! Paga uma vez e, para além do evidente IMI, não paga mais vez nenhuma. Isso não é investimento, a não ser que se queira vender imóveis e se fique satisfeito! Investir é comprar acções em companhias portuguesas, é criar emprego em Portugal, é aumentar o parque industrial nacional, é fazer com que as exportações cresçam. Isso é que é investir. Ora, para que haja investimento tem de se agilizar a justiça e reduzir a nada a burocracia. Mas disto não falam os que têm medo da fuga do investimento por causa de uma taxa fiscal sobre riqueza imobiliária! Disto não fala o Fernando Medina, edil de Lisboa, gestor da mais pesada máquina burocrática do país! É o falas! Fala é de vender imóveis na Baixa pombalina a estrangeiros ricos, de modo a que o IMI recolhido lhe alimente a megalomania florestal das ruas da cidade!

 

A medida preconizada e muito bem classificada de socialista só peca por chegar tarde. Na minha opinião, está bem de ver...

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por Luís Alves de Fraga às 10:40


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