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Fio de Prumo



Sábado, 30.07.16

Linguagem de caserna

 

Há muitos, muitos anos, era ainda um menino, saído do seio familiar, convivi, no meu crescimento, com jovens à volta da minha idade, no Instituto dos Pupilos do Exército. Sinto orgulho nesse convívio e no facto de ter andado naquela Escola. Éramos uns pequenos militares a preparar-nos para a vida. Entre nós, a linguagem usada não primava pela "boa educação", mas tínhamos cautelas excessivas quando estavam estranhos presentes. O palavrão deixava de ser empregue para não ferirmos ouvidos sensíveis ou susceptíveis e não darmos de nós uma imagem indecorosa. Sabíamos que estava em causa a Casa que nos educava.

Mais tarde, na Academia Militar, todos estes princípios refinaram e, face a uma realidade por mim vivida, passei a definir a situação da seguinte maneira: importante é um oficial militar saber estar na "salinha", na "saleta", no "salão" e, também, na caserna.

A minha linguagem "caserneira" não fica nada a dever à das vendedeiras da ribeira do Porto. Mas só a uso nos locais apropriados. Há quem me julgue incapaz de pronunciar um qualquer palavrão!

Sou altamente crítico de todos aqueles que, na rua, no emprego ou noutro lado qualquer, mas público, desbundam na linguagem utilizada.

Querem chocar quem? Querem provar o quê? Desejam confundir-se com quem?

Afinal, só e somente, para todos os que, como eu, usam a linguagem certa no lugar certo, dão de si uma imagem deplorável, mesmo que invoquem pergaminhos diversos fundamentados no chá bebido em criança.

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por Luís Alves de Fraga às 08:58

Domingo, 24.07.16

Quarenta anos

 

Festejou-se o primeiro Governo constitucional, festejando Mário Soares. Foi bom e foi mau. A História não se altera, explica-se de modo a percebê-la.

Mário Soares formou um Governo minoritário e conseguiu governar. O sonho dele era, já então, apontar Portugal à Europa. Uma mudança estratégica, porque de estratégia se tratava, pois discutia-se a sobrevivência de Portugal. Era uma outra Europa e não esta e Portugal estava a atravessar um período de larguíssimas dificuldades no plano económico interno e externo. Não havia combustível para fazer funcionar o país. Os empréstimos eram galopantes no estrangeiro. Queria-se pôr de pé um qualquer sistema de ampla segurança social. Debatia-se, ainda, o "papão" da viragem para o comunismo. Havia medos e esperanças. Havia, sobretudo, fantasmas. Fantasmas com fundamento e fantasmas criados para fazer passar uma democracia sem prática. Não se procedeu à necessária "dessalarização" dos Portugueses. Ainda se pensava seguindo paradigmas definidos no tempo do fascismo, que foram usados como arma no jogo político. A mentalidade era a da "libertação fascista" sem saber nem conhecer a democracia e os seus limites e obrigações. Os direitos imperavam sobre tudo. Portugal tinha de andar para a frente com quem tinha cá dentro. Sem invocar nacionalismos, que cheiravam a fascismo, nem comunismos que se temiam.

Todos procurámos perceber os desafios, embora muitos os aproveitassem para "render" a seu favor.

Deixou-se de invocar a História, porque era fascismo, e cometeram-se erros graves nesta negação. Só tardiamente se percebeu o que era geopolítico e geoestratégico e, por conseguinte, imutável, porque condicionante.

Mário Soares foi o homem que marcou o compasso da "dança" política que se seguiria até à plena adesão à CEE, tão desejada. Não se salvaguardaram os interesses nacionais mais profundos e ancestrais; acreditou-se numa viragem sem se assegurar o rumo dessa viragem.

Muito está ainda por explicar e por compreender. Falam as recordações e não fala ainda a História, por isso falam ainda as paixões.

Limitamo-nos a festejar, na pessoa de um ancião, o passado. Ele já pertence à História, porque, com todos nós, a fez.

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por Luís Alves de Fraga às 09:50

Segunda-feira, 18.07.16

Ai Marcelo, Marcelo!

 

 

 

Um Coronel com 65 anos.JPG

 

 

Não votei em Marcelo Rebelo de Sousa para nada! Todavia, por imperativo de consciência tenho de me confessar publicamente quase rendido a Marcelo Rebelo de Sousa e arrependido de o não ter feito, porque Marcelo com o comportamento que está a ter como Presidente da República me leva a esta posição.

Explico o último acontecimento que me justifica.

 

O Senhor Presidente da República foi visitar a Base Aérea n.º 6, situada no Montijo, onde tem sede a Esquadra 501.

Esta é a Esquadra do C-130, aquela onde há poucos dias morreram três militares num acidente de voo quando se preparavam para descolar uma destas aeronaves. Até aqui está tudo mais ou menos dentro da normalidade a que o Senhor Presidente da República nos tem habituado. Mas o que vai para além do hábito é que o Senhor Presidente da República, podendo fazê-lo, não recusou, no momento, voar numa aeronave do mesmo tipo daquela em que morreram os meus camaradas.

Desculpe-se-me a informalidade, mas tenho de ser igual a mim mesmo...

 

Porra, Senhor Presidente está a mostrar a todos que merece ser Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas... mesmo não tendo sido militar! Está a dar a todos o exemplo de serviço que se coaduna com o modo de sentir de um verdadeiro militar. Era isto que eu pretendia ensinar nas minhas aulas e lições de Deontologia Castrense, há vinte anos, na Academia da Força Aérea a, todos aqueles que hoje são oficiais da Força Aérea.

 

E, permita-se-me, o que se segue dirigido em discurso directo para o Senhor Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Excelentíssimo Presidente da República, e que ninguém se atreva a criticar, porque critica um velho coronel, que sabe o que diz:

 

— Vossa Excelência está a mostrar que merece conquistar e usar com orgulho as estrelas de Comandante Supremo das nossas Forças Armadas, que, por imperativo da função, lhe cabem.

Não votei em Marcelo Rebelo de Sousa para nada! Todavia, por imperativo de consciência tenho de me confessar publicamente quase rendido a Marcelo Rebelo de Sousa e arrependido de o não ter feito, porque Marcelo com o comportamento que está a ter como Presidente da República me leva a esta posição.

Explico o último acontecimento que me justifica.

 

O Senhor Presidente da República foi visitar a Base Aérea n.º 6, situada no Montijo, onde tem sede a Esquadra 501.

Esta é a Esquadra do C-130, aquela onde há poucos dias morreram três militares num acidente de voo quando se preparavam para descolar uma destas aeronaves. Até aqui está tudo mais ou menos dentro da normalidade a que o Senhor Presidente da República nos tem habituado. Mas o que vai para além do hábito é que o Senhor Presidente da República, podendo fazê-lo, não recusou, no momento, voar numa aeronave do mesmo tipo daquela em que morreram os meus camaradas.

Desculpe-se-me a informalidade, mas tenho de ser igual a mim mesmo...

 

Porra, Senhor Presidente está a mostrar a todos que merece ser Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas... mesmo não tendo sido militar! Está a dar a todos o exemplo de serviço que se coaduna com o modo de sentir de um verdadeiro militar. Era isto que eu pretendia ensinar nas minhas aulas e lições de Deontologia Castrense, há vinte anos, na Academia da Força Aérea a, todos aqueles que hoje são oficiais da Força Aérea.

 

E, permita-se-me, o que se segue dirigido em discurso directo para o Senhor Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Excelentíssimo Presidente da República, e que ninguém se atreva a criticar, porque critica um velho coronel, que sabe o que diz:

 

— Vossa Excelência está a mostrar que merece conquistar e usar com orgulho as estrelas de Comandante Supremo das nossas Forças Armadas, que, por imperativo da função, lhe cabem.

 

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por Luís Alves de Fraga às 21:21

Domingo, 17.07.16

Da Turquia à democracia

 

O golpe militar na Turquia veio abrir as comportas da vingança e da autocracia e os Governos dos Estados democráticos, que tão apressadamente o declararam antidemocrático, não correm agora a declarar que a repressão pode ser uma manifestação antidemocrática, pois o presidente turco já pede o restabelecimento da pena de morte onde ela não existia e permite uma purga política correspondente à anulação da oposição.

Não sou adepto da “democracia na ponta das baionetas”, mas vejamos…

 

No mundo actual, os Estados ditos democráticos sê-lo-ão de verdade? Se cada vez mais vimos uma conspurcada e ignominiosa mistura entre os políticos, a política a banca e os banqueiros será que podemos acreditar na democracia e nesses valores que nos impingem como tal?

Olhemos a União Europeia. O Governo da e na União é democrático ou, efectivamente, autocrático encapotado pela “história” do voto e da democracia representativa? Se se acusava o comité central do PCUS de agir autocraticamente como é que age agora a Comissão na União Europeia? E a democracia nos EUA? É o que dizem ou é uma fantochada escondida sob a capa dos grupos de pressão a exercerem a sua força sobre senadores e Presidente da República?

As democracias que nos rodeiam são ou não são uma grande encenação teatral para nos convencerem de que o nosso voto vale alguma coisa?

 A Turquia é, para além de toda a instabilidade que vai gerar às portas do continente europeu, uma lição a ter em conta quanto ao valor dos eleitos com voto popular e das democracias obscurantistas e alienantes que, no nosso tempo, nos querem fazer aceitar como verdadeiras e puras.

Fiquemos atentos

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por Luís Alves de Fraga às 11:23

Sábado, 16.07.16

Integração

 

O problema da possível, mas não confirmada, acção terrorista em Nice — por mim, julgo tratar-se de um acto tresloucado levado a cabo por um desajustado social — trouxe para a ribalta a questão da integração dos indivíduos que escolhem a Europa para viver e onde criam descendência tendencialmente desajustada.

 

Ouvi alguém referir que a integração dos imigrantes nos EUA se faz melhor e mais perfeitamente do que na Europa e, depois de pensar um pouco, achei a afirmação absolutamente desconchavada e feita no ar, sem qualquer fundamento de análise. Gostaria de partilhar convosco a minha conclusão.

 

Há uma diferença abismal entre a Europa e os EUA no plano histórico-social: estes constituem um território de ocupação recente e aquela é uma manta de retalhos territoriais e culturais com cerca de mil e quinhentos anos de evolução; estes foram ocupados e “construídos” por uma maioria de quase “desvalidos” idos da Europa para lá em busca de oportunidades que não tinham nas suas terras de origem; a Europa é uma terra de “evolução” política e cultural e os EUA são uma terra de “importação” de diferenças políticas, religiosas e culturais, que só homogeneizadas por um “sonho” — o da liberdade e prosperidade material — puderam gerar uma nação. Assim, a integração, nos EUA, resultou de uma necessidade sentida pelo imigrante a qual se consolidou num imperativo político, em especial, depois da guerra civil. Na Europa o imigrante não sente necessidade de “ser igual” aos restantes cidadãos, porque a Europa é, ela mesma, um conjunto de diferenças estruturadas política e socialmente nessas mesmas diferenças. Um imigrante na Europa está para o país de abrigo como um porto-riquenho, um mexicano, um cubano, um brasileiro ou um colombiano está, actualmente, para os EUA. Contudo, persiste uma diferença: na Europa, embora se estabeleça a condição linguística de integração, favorece-se, incentiva-se e apoia-se a diversidade cultural! Nos EUA há o “american way of life”, mas na Europa não há esse conceito em qualquer dos Estados ou, havendo, traduz-se como uma atitude xenófoba.

 

A criminalidade e a marginalidade encontram terreno fácil para se instalar junto das comunidades imigrantes, na Europa, tal como acontece, agora, nos EUA junto das comunidades latino-americanas por eles marginalizadas. A grande semelhança é que nos EUA já se estabelecem diferenças culturais tal como as que existem na Europa.

 

Depois desta reflexão sobre imigrantes na Europa, como será possível tentar uma “integração” de diferenças nacionais para formar uma União? Vontade política é nada perante a “natureza” dos povos!

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por Luís Alves de Fraga às 10:29

Segunda-feira, 11.07.16

O Jogo de uma Vida

 

Ontem ganhámos — todos nós Portugueses — uma taça de um campeonato considerado desportivo, mas, efectivamente, muito profissional. Se foi importante? Foi muito importante! E foi, não por causa do futebol, mas por causa dos paralelismos que se podem fazer desse jogo, dessa final decisiva, com a Vida de Portugal e dos Portugueses. Deixem-me tentar ir por aí.

 

A primeira coisa que saltou de imediato à vista foi que quem regulava o jogo — o árbitro — tinha preferências, pois “via” em relação a uns o que não “via” em relação a outros. Mas os “rapazes” em campo souberam disciplinadamente — realço a disciplina — encarar essa adversidade e opor correcção à incorrecção dos jogadores franceses, que tinham um objectivo em mente: retirar a “peça” supostamente mais importante com que o treinador contava dentro das quatro linhas. Os jogadores de França almejaram o seu intento com a total impunidade do agressor. Nisto eu vejo todas as tentativas que na política actual se fazem para derrotar uma táctica de “jogo” de governação que se ensaia em Portugal.

O jogador supostamente mais importante deu mostras de uma grande combatividade e só saiu do campo quando a dor física o impossibilitou. E saiu a chorar — acredito nas lágrimas daquele profissional do futebol, porque eram lágrimas de raiva, de impotência, de revolta e tudo isso não se treina quando se anda aos chutos a uma bola, mas sim quando se tem entranhado o sentido de um dever a cumprir — porque os grandes combatentes também choram de raiva perante a adversidade total. Mas acreditou no espírito da equipa e, porque é o melhor, contra todas as regras, logo que lhe foi possível, à sua maneira, veio apoiar, incentivar, instruir os seus companheiros ainda em luta. Quantas vezes os nossos melhores não poderiam sair do conforto das suas comodidades e seguir na Vida o exemplo deste jogador?! Não jogar, mas, no mínimo, comprometerem-se com o desejo de uma vitória?

 

O jogo continuou, a pressão não diminuiu sobre os jogadores portugueses, mas eles, porque com os olhos postos na vitória, continuaram um combate que parecia desigual. E era-o! Mas prosseguiram e foram sabendo manobrar, em campo, em consonância com as indicações e alterações feitas pelo treinador. Foram-se adaptando às novas situações e cumprindo aquilo para que se haviam treinado. Meu Deus, o que nos falta é esta capacidade de acreditar que há um treinador na Vida, que nos chama a cumprir aquilo para que fomos treinados, e cumprir! Os jogadores cumpriram, lutando, exaustos, mas crentes. E o treinador lançou para o jogo todas as suas possibilidades, porque, homem experiente, sábio, crente na vitória, arriscou, em dado momento, o “ou tudo ou nada” e os “seus” jogadores acreditaram que ele tinha uma melhor visão do conjunto do que eles, que só estavam a cumprir uma tarefa. Quantas vezes nos falta liderança na Vida e, mais do que liderança, crença na visão de quem conduz com verdadeira vontade de “ganhar o jogo e a taça”, ou seja, de ganhar o bem-estar de todos?

Por fim, a sorte bafejou os jogadores. Uma falta cometida, se calhar, involuntariamente, mas cheia de vontade de evitar o pior, que não foi assinalada, e aquele momento de sorte do chuto certo no momento certo, quando toda a gente em campo estava exausta, dado por alguém menos cansado fez toda a diferença e deu a vitória aos jogadores portugueses. Quantos vezes, na Vida, aproveitando a distracção de quem coordena a legalidade do “jogo”, não se pode cometer uma “falta” para o bem colectivo e aproveitar os menos cansados, para alcançar a vitória?

 

Eu sei, a Vida não é um jogo! Mas a nossa postura na Vida pode ser a dos jogadores que anseiam a vitória, acreditando no esforço colectivo e no muito que conta o colectivo, desprezando o individualismo e tendo a humildade de aceitar que importante é a finalidade, quando esta visa o verdadeiro, evidente e visível bem-estar de todos!

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por Luís Alves de Fraga às 08:38


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