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Fio de Prumo



Domingo, 08.03.15

Farmacêuticos

 

Discutem-se, agora, algumas alterações relativas ao acesso ao ensino superior, fazendo deste assunto uma questão quase menor, quando, realmente, é de elevadíssima importância para o futuro de Portugal e do progresso do Saber no nosso País.

 

O erro básico que se gerou há mais de trinta anos foi o da definição das limitações de acesso às universidades. Numa primeira fase, teve razão de ser, porque as estruturas e infra-estruturas públicas não tinham capacidade para suportar a corrida que, quase sem contenção, se deu ao ensino superior nos anos oitenta do século passado. Todavia, numa segunda fase, o Estado errou por falta de visão estratégica do futuro. Expliquemo-nos.

 

Isto de habilitar estudantes com licenciaturas não pode ser o mesmo que preparar atletas de alta competição! Quando se quer descobrir um que garanta sucessos desportivos tem de se generalizar a prática a uma massa gigantesca para encontrar esse vencedor por excelência. Mas o investimento que se faz neste tipo de busca é bastante reduzido. O Estado, através do dinheiro dos contribuintes, não tem meios financeiros para gastar com uma enorme massa de estudantes para “descobrir” os “génios” do futuro!

Assim, teria de ter montado um sistema que fosse altamente selectivo para só permitir a entrada nas universidades aos alunos que dessem garantias de elevado sucesso e, a esses, fornecia-lhes bolsas de estudo – se não tivessem meios para os custear – de modo a levá-los até onde pudessem ir intelectualmente. Era com esses que assumia um compromisso!

Um sistema público montado nestes princípios não ia gerar excessos de licenciados, mestres e doutores, porque rentabilizaria os gastos orçamentais. E, tal como se abriam cursos onde houvesse carência de profissionais de alto gabarito, também, quando eles fossem em excesso, se encerravam os mesmos. Isto seria um sistema educativo planificado para evitar o desperdício.

Uma tal gestão poderia conviver com universidades privadas que seriam frequentadas por todos aqueles que, tendo disponibilidades financeiras, as quisessem frequentar. No entanto, o Estado não deveria alienar a sua capacidade de proibir a existência de cursos cujo mercado já estivesse saturado com licenciados na área respectiva.

 

Democracia na educação e no acesso ao ensino não corresponde a anarquia, caos e liberdade para cada um fazer o que deseja!

 

É porque nada disto foi estabelecido que as farmácias, local onde se vende a retalho os produtos dos laboratórios onde se faz – ou devia fazer – investigação de ponta estão cheias de licenciados, cujo destino deveria ser o da indústria e o da pesquisa, que mais não são, afinal, do que balconistas com igual valor prático ao dos velhos técnicos boticários! Tanto investimento para se acabar desqualificado a vender pílulas ao desbarato!

 

Portugal é um país pobre?! Não! Portugal é um país mal governado e muito desgovernado! Não aprendemos lições com os Estados ricos onde as finanças públicas são geridas como se se vivesse em miséria!

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por Luís Alves de Fraga às 12:21

Domingo, 08.03.15

Ser político

 

Só há uma maneira de ser político: desejar, por ter vocação, servir o Povo, a Nação. É impensável que alguém queira ser político pela ambição de se tornar uma figura pública, por gostar de exercer o poder e, muito menos, para enriquecer. O desejo de ser político tem de passar pela existência de uma ética – auto-imposta ou socialmente imposta.

 

Quando, depois de ter feito os meus estudos no Instituto dos Pupilos do Exército, onde a regra comportamental se cruzava com os regulamentos de disciplina militar e as normas de vivência interna, assentei praça, como cadete-aluno, na Academia Militar, um dos primeiros avisos que ouvi aos oficiais instrutores traduziu-se nesta frase singela, que recordo: «Ninguém imagine que vai enriquecer na profissão castrense!».

E era, é, verdade! Ser militar, optar por servir a Pátria nas fileiras das Forças Armadas, é aceitar que se tem vocação para servir a troco de muito pouco! E para aprender isso há escolas próprias: para os postos mais baixos da hierarquia militar, chama-se escola de recruta, ou simplesmente recruta; para os postos intermédios, Escola de Sargentos; para os postos superiores, designa-se por Academia Militar, Academia da Força Aérea e Escola Naval. Nas diferentes escolas aprende-se, com programas de extensão variável, a ética castrense! É por isso que uma vez militar, fica-se militar para sempre.

 

Os políticos, cuja responsabilidade pública, de formas diferentes, se pode assemelhar à dos militares, não chegando, contudo, à obrigação do supremo sacrifício da vida em prol da sociedade nacional, não têm escola nenhuma de formação! Não têm escola e, por isso, não aprendem a ética da sua actividade, que tem de existir. Os políticos constroem a sua maneira de estar na política através de uma aprendizagem resultante de duas únicas vias: a que lhes impõe a honestidade aprendida no seio familiar e social e a cópia do comportamento dos políticos que lhes servem de padrão moral e cívico.

Eu, depois de concluída a minha formação militar, quis aprender política para a poder estudar, analisar e compreender e, assim, matriculei-me num Instituto – o único – que transmitia, à sua maneira e dentro dos condicionalismos de então, as matérias que me levaram a perceber o fenómeno político. Mas esse Instituto não era, ou não devia ser, uma escola de formação de políticos!

 

O que se assiste muito, por esse mundo fora e não só aqui em Portugal, é que, com exclusão de alguns partidos onde o sentido de serviço está indissoluvelmente ligado ao tecido social por beber nele a razão da sua existência — os chamados partidos políticos de massas —, todos os políticos “assentam praça” na vida pública em função de valores que só muito raramente se cruzam ou se tocam tangencialmente com a noção de serviço social e nacional. Porque se as motivações fossem semelhantes às dos militares a comunidade política rejeitaria aquele que manchasse a ética comportamental do grupo. O cobarde, o traidor, o homem indigno não tem lugar nas fileiras militares, porque o código de conduta castrense o repele. Mas o político indigno, por não ser um exemplo de idoneidade social e cívica, fica nas fileiras e é-lhe remoçada a face para continuar a servir desonestamente a sociedade que nele acreditou, porque a prática política, cada vez mais, vem aceitando a mentira, consentindo-a. Para eles e para quem neles vota não se aplica a máxima “A Pátria honrai, porque a Pátria vos contempla”.

 

E das minhas considerações anteriores conclua-se, em relação à actualidade portuguesa e às trafulhices e mentiras que pululam a atmosfera que respiramos, dizia, conclua-se o que cada um for capaz de concluir.

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por Luís Alves de Fraga às 02:19


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