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Fio de Prumo



Sexta-feira, 31.08.12

Aniversário

 

Fez mais um ano de existência este blog. Foi o sétimo.

Estão aqui registados muitos sentimentos, algumas ideias aproveitáveis, muitas críticas.

O blog está mais velho, mas eu estou muito mais.

Haveria coisas que não teria escrito? Talvez não. Acho que não tenho arrependimentos de espécie nenhuma. Fui, se calhar, incómodo para algumas pessoas, mas, para outras terei sido a voz que lhes faltou em certas ocasiões.

 

Neste ano que passou escrevi bastante e diversifiquei as temáticas. Apeguei-me mais às questões de política geral e menos, muito menos, às que se reportam aos temas castrenses. Os anos vão-me distanciando de uma realidade que conheci muito bem... Outras preocupações se perfilaram no meu espírito. Os leitores - que foram variando ao longo dos anos - ter-se-ão adaptado; uns, terão deixado de vir aqui consultar o que escrevo, outros chegaram aqui de novo e por cá ficaram.

 

Depois de um interregno de um ano sem comentários, vou abrir, outra vez, a possibilidade de aqui serem publicados, depois de devidamente moderados por mim. Na minha "casa" mando eu e só nela "entra" quem eu entender e autorizar. Vamos ver se terei de voltar a mais um período de "quarentena"!

 

O  Fio de Prumo  vai continuar.

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por Luís Alves de Fraga às 00:17

Quinta-feira, 23.08.12

IRS e outras coisas

 

Acabei, há pouco, de liquidar o IRS do ano passado (2011). Nunca na minha vida paguei ao Estado, de uma só vez, tanto dinheiro!

Não tenho “tachos”! Vivo do meu trabalho de professor do ensino superior privado e da minha pensão de reforma, depois de ter servido a Força Aérea durante mais de quarenta anos. Não tenho propriedades, para além do piso no prédio onde habito. Não faço parte de nenhuma assembleia-geral, para além da do condomínio do meu imóvel, nem presido a coisa nenhuma. Das organizações onde sou vogal ou conselheiro nada recebo.

 

A notícia do dia é, segundo parece, a de que o Governo assume que lhe falta realizar três milhões de euros de receita para chegar ao final do ano com as contas equilibradas. Numa frase simples, seguindo um raciocínio simples, poderíamos dizer que esse é o custo da recessão. E por quê? Porque se apontou a solução da crise para o lado da receita do Estado! Havia que “emagrecer” as despesas! Mas emagrecê-las através de uma análise de custo/benefício, ou seja: “Precisamos do organismo tal? Qual o benefício que advém para o Estado pela sua existência? E qual o prejuízo? O segundo é maior do que o primeiro? Então fecha-se o organismo em questão!”

Está claro que uma atitude desta natureza ia criar mal-estar entre os funcionários do Estado, acima de tudo e especialmente nos que trabalham em organismos “parasitas”, isto é, existem para dar emprego a gente e para repetir funções que poderiam ser desempenhadas por outros organismos. Querem um exemplo? Vamos pegar no caso dos helicópteros do INEM. Esse serviço de evacuação já foi feito pela Força Aérea (FAP) que tem uma estrutura montada para operação e manutenção de helicópteros; bastava voltar a utilizá-la! Não se trata de uma sobrecarga para a FAP, pois um serviço dessa natureza até permite manter operacionais os meios e o pessoal. Claro que teria de haver compensações financeiras pelo serviço prestado, mas era sempre muitíssimo mais barato e mais eficiente do que a existência de helicópteros do INEM.

Reparem os meus Caros Amigos e leitores que nesta semana o ministro da Educação deixou cair uma frase que vai no sentido de uma racionalização do ensino, mas sem a coragem de enfrentar e anunciar a acção de fundo. Disse ele que metade dos alunos do ensino elementar deve ser encaminhada para o ensino técnico. Onde quer chegar o ministro? À redução dos alunos que vão frequentar a universidade e depois não têm emprego condigno. Dito de outra maneira: quer reduzir o número de universidades estatais e de cursos universitários, reduzindo, também, e por consequência, o número de professores do ensino secundário não técnico e o número de professores universitários. Claro que fica sempre em aberto para quem quiser e puder a solução das universidades privadas, mas esse não é um problema do Estado!

É evidente que no meio desta análise de custo/benefício entram, depois, todos os pequenos interesses de “quintinhas”, dos “boys” e dos “compadres” que se traduzem em sucessivos empecilhos para a boa execução de uma política de redução de gastos desnecessários. É evidente, também, que no meio dessa análise entram em jogo outros valores, nomeadamente os ideológicos que pretendem reduzir o papel do Estado a nada ou quase nada, favorecendo os interesses privados e os capitalistas e grupos financeiros. Claro que no meio desta teia, que mais parece uma selva, é difícil traçar um caminho a seguir sem desvios.

Em face de tudo isto, pergunto-me se o Governo terá força para não ceder à tentação fácil de aumentar a carga fiscal dos cidadãos no próximo ano. Em consciência, julgo que não! Vamos, de uma forma ou de outra, voltar a ser espremidos.

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por Luís Alves de Fraga às 18:57

Terça-feira, 14.08.12

O Sr. Luís…

 

Em princípio, não gosto de dizer que “sou do tempo em que…”, porque “ser do tempo em que…” corresponde a dizer que se é velho e eu não gosto de ser velho! Mas, de facto, há circunstâncias em que se tem mesmo de dizer que se é do tempo de qualquer coisa!

Ora, acontece que sou do tempo em que se tratavam os homens pelos seus sobrenomes: o senhor Pereira, o senhor Fonseca, o senhor Almeida, o senhor Ferreira, o senhor Sousa, etc.. Agora a coisa mudou.

 

Aconteceu há cerca de uma hora, telefonar-me para casa um cavalheiro que me identifica pelo meu primeiro e último nome, desejando saber se era comigo que estava a conversar. Disse-lhe que sim e ele, que vinha para me vender um qualquer serviço ao qual nem prestei atenção, começa, logo de seguida, a tratar-me por sr. Luís! Sr. Luís para aqui e sr. Luís para acolá! Confesso que engalinhei, tal como sucede em qualquer lugar onde ocorra o mesmo fenómeno – nas Finanças, no consultório do médico, na loja onde faço compras, na farmácia, etc. Se sabem o meu sobrenome, qual o motivo por que me tratam pelo nome? É uma confiança que não dou a toda a gente. Dou-a, até, a muito pouca!

 

A forma republicana de tratar um cidadão é pelo seu sobrenome. Essa coisa do nome em primeiro lugar é para os que se encontram muito ligados à Monarquia e às coisas da fidalguia: o Senhor D. Duarte, o Senhor D. António, o Senhor D. Manuel… Ou, mais raramente, às coisas da Igreja Católica, referindo-se aos bispos… Senhor D. Januário, por exemplo. Pessoalmente não faço questão de ser tratado pelos títulos académicos ou pelo posto militar. Claro que não vou ao extremo de aceitar intimidades como as do ministro das Finanças que era Álvaro para aqui e Álvaro para acolá! Não. Senhor e sobrenome é o modo correcto de se tratar qualquer homem! É uma questão de boa educação! E a verdade é que, cada vez mais, do ponto de vista educacional, estamos a viver num país de labregos. Parece que se tem vergonha de ser educado!

 

Mas, mais grave do que senhor Luís, é quando me tratam por você! Aquele você bronco que nada tem a ver com o brasileirismo que, por sinal, muito raramente usa o você e com grande vulgaridade diz senhor.

 

Não estou velho! Estou é a debater-me com uma camada de gente que não foi educada, que não bebeu chá na infância e juventude, que tem vergonha de usar de correcção, que se espoja na falta de educação como os burros na palha para se coçarem.

 

Quando será que na escola primária – a do 1.º ciclo – se passam a ensinar boas maneiras? Que se escolhem textos didácticos para colocar em relevo a boa educação no trato social?

Já é tempo de deixarmos de ser grosseiros para ganharmos algum polimento!

Desculpem o desabafo. Se calhar estou mesmo velho e não o quero reconhecer!

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por Luís Alves de Fraga às 18:29


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