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Fio de Prumo



Domingo, 31.01.10

Dia nacional do Sargento

 

 
Hoje, 31 de Janeiro, é o dia nacional do Sargento português.
Não se trata de um acaso sem significado histórico a escolha desta data. Ela foi seleccionada, porque, neste dia, em 1891, na cidade do Porto, os sargentos da guarnição militar, acompanhados de dois ou três oficiais de baixa graduação, fizeram sair para a rua uma revolta militar destinada a proclamar — como, aliás, foi proclamada — a República como regime em Portugal. Foram eles, os Sargentos, quem “limpou” a honra do Exército contra a afronta ocorrida um ano antes, quando a Inglaterra enxovalhou internacionalmente a Monarquia portuguesa, obrigando-a a transmitir ordens para Moçambique, fazendo recuar uma pequena força militar que ocupava territórios que, segundo Londres, estavam sob a protecção soberana da coroa britânica. Foi o célebre Ultimatum de 1890. Foi o começo do fim de uma Monarquia que já não tinha nem glória nem dignidade para representar uma Nação. O Sargentos foram os primeiros a pressentirem e a manifestarem o sentimento de revolta das Forças Armadas. Foram ingénuos no modo como executaram a tentativa revolucionária, deixando-se arrastar por um romantismo que socialmente vivia à flor da pele. Mas essa ingenuidade só provou o lado bom dos Sargentos, despindo-os de interesseiras intenções. Só queriam o que julgavam ser o regime mais representativo, mais democrático e mais justo para Portugal. Muitos pagaram com a vida, com a prisão e o degredo a ousadia de levarem pela frente um desejo que ainda não estava suficientemente maduro no seio da sociedade nacional. Mas o exemplo ficou e frutificou em 5 de Outubro de 1910.
 
Foi depois de outra libertação — a de 25 de Abril de 1974 — que os Sargentos, por iniciativa de uns quantos, num 31 de Janeiro de um ano que já não recordo, resolveram juntar-se num almoço para arvorarem essa data no dia da sua classe. Ainda não se falava em associativismo militar e, muito menos, em Associação Nacional de Sargentos. Mais uma vez, eles, com a força da sua vontade, de peito aberto, saíram a terreiro e, sem o apoio de nenhuma instituição castrense, proclamaram que tinham o direito a ter o seu dia, um dia glorioso, não por celebrar uma vitória, mas por recordar o sonho da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.
 
O meu Pai, primeiro sargento enfermeiro da Armada, já nessa época distante, na situação de reserva, embora na efectividade de serviço, respondeu à chamada dos seus camaradas e lá foi, salvo erro, para Almada, Cacilhas ou Laranjeiro, comemorar o dia nacional do Sargento.
Confesso que foi com orgulho que o vi tomar essa iniciativa, porque, estando ele há muitos anos na situação de reserva, poderia sentir-se desligado das obrigações morais que tinha para com os seus camaradas. Mas o meu Pai, humanista e estudioso da política nacional e internacional, culto, dado à poesia e ao jornalismo, julgou que a classe militar de onde provinha pudesse precisar dos seus serviços e prontamente se apresentou, marcando presença e engrossando a cadeia humana que se estava a formar. No orgulho que senti floresceu o exemplo com que sempre me havia ele balizado a existência.
 
Os anos sucederam-se uns atrás dos outros; estou próximo de ser mais um septuagenário militar a quem resta o orgulho de ter servido a Pátria onde, quando e nas condições por ela ditadas. A minha arma hoje é a palavra. Esgrimo-a com a mesma vontade com que, há quase cinquenta anos, escolhi a carreira castrense para ser útil à sociedade. Recordar o meu Pai, a classe de Sargentos e o 31 de Janeiro são obrigações que assumo com prazer e alegria, porque, quanto mais o tempo passa, mais próximo me sinto das minhas origens familiares.

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por Luís Alves de Fraga às 18:37

Quinta-feira, 21.01.10

Carta para um jovem quadro africano

 

 
Meu Caro Amigo,
 
Foi há quase doze horas que nos despedimos com um forte abraço. O abraço que liga o antigo aluno ao velho professor.
 
Dormi sobre a nossa conversa e acordei sobressaltado, pensando nas minhas palavras, nos meus conselhos, nas minhas divagações perante as notícias que me dava do seu jovem país.
Volto à carga, agora, com um raciocínio mais estruturado.
 
O mundo ocidental — a Europa e os EUA — estão a exportar — o conceito de democracia, a sua democracia, para todos os recantos da Terra como se fosse possível igualar o que não é igual.
O conceito de democracia foi construído há milénios sobre um outro que lhe serviu de cabouco, de suporte, de estrutura base: o de pertença a um grupo social bem definido enraizado num território. A esse outro conceito deram os Latinos uma designação: Pátria.
Disse-lhe eu, na tarde de ontem, que o conceito de Pátria é agregador, quer dizer, une os cidadãos à volta de uma ideia concretizada numa História comum, num desejo, também comum, de futuro, num território e no anseio de segurança e bem-estar para todos. Ora, pensando nos Estados africanos ao sul do deserto do Sara verificamos que herdaram a desunião como fruto do traçado das fronteiras coloniais. Raramente a um Estado corresponde uma única Nação. Temos, por conseguinte, Estados desagregados sobre os quais não se consegue construir um Estado democrático na perspectiva e nos padrões ocidentais. Para aí se chegar tem de se passar pela fase agregadora. O Professor Adriano Moreira chamou, há muitos anos, projectos nacionais a esses Estados, exactamente por não terem ainda concluído aquilo que identifico como agregação.
Claro que pressinto a pergunta a bailar-lhe nos lábios: — Estamos condenados a um modelo político diferente do democrático?
Respondo-lhe que, em certa medida, estão e, noutra, não estão. Vejamos como resolvo esta aparente contradição.
 
O discurso político das jovens elites africanas terá de ser não o do estafado modelo democrático ocidental, mas o da agregação, isto é, o do patriotismo. Mas um patriotismo que desemboque nos nefastos nacionalismos do século XX? Não. Um patriotismo que aponte para a Democracia; a Democracia de escolha daqueles que governam melhor em nome da Pátria — uma democracia não desagregadora, mas unificadora; uma democracia que junte os melhores para defender os reais interesses do Estado, cumprindo a finalidade suprema da sua existência: a segurança e o bem-estar dos povos e que, ao mesmo tempo, preserve o valor da Liberdade. A liberdade de oportunidades, a liberdade de realização, a liberdade de opinião. Deste modo, tal como a Revolução Francesa teve a sua trilogia — Liberdade, Igualdade e Fraternidade — os novos Estados africanos terão uma que se fundamentará na Pátria, na Democracia e na Liberdade.
 
Ao escolher a Pátria como valor supremo os Estados africanos — os da África Negra — estarão a optar pela identificação de tudo o que os une dentro das suas fronteiras, repudiando elementos de desagregadores, tais como diferenças étnicas e culturais que se confundem, muitas das vezes, com pseudo-partidos ditos democráticos.
 
Como lhe disse, ontem à tarde, um projecto desta natureza destina-se a ser abraçado por elites e quadros jovens, politicamente descomprometidos dos velhos partidos supostamente democráticos e, acima de tudo, jovens que rejeitem a corrupção como moeda de troca para realizarem os seus sonhos patrióticos. O caminho a seguir tem dois trilhos concomitantes: o domínio da instrução pública e o controlo de alguns meios de comunicação de massas. Com o primeiro, assegura-se a construção do futuro, formando cidadãos identificados com os valores supremos da Pátria, da Democracia e da Liberdade; com o segundo, explica-se, no presente, a importância de optar por um valor que une, que identifica, que está equidistante da mesquinha luta de interesses menores e de projectos pessoais.
 
Meu Amigo, em resumo, dir-lhe-ei que a Democracia é a prática do patriotismo; ela não pode existir sem que o agregado nacional tenha passado pelo estádio superior de identificação da Pátria. Estude a História das mais democráticas sociedades ocidentais e verificará a verdade das minhas palavras; foi o sentido de Pátria que uniu os Americanos na luta pela independência e, depois deles, todos os Estados do continente americano. Não foi essa a via seguida em África. Há que arrepiar caminho e corrigir o processo.
Construir uma Pátria é pôr de pé um sonho lindo.
Até mais ver. Um abraço.

 

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por Luís Alves de Fraga às 07:58

Terça-feira, 19.01.10

A Ordem Militar de Cristo

 

 
No passado português — séculos XVIII e XIX — era uma das mais invejadas veneras ser-se agraciado com qualquer um dos graus da Ordem Militar de Cristo. E era-o com alguma razão e fundamento, pois aquela Ordem Militar, já na altura honorífica, provinha do reinado de D. Dinis quando este pediu ao Papa autorização para transferir para uma Ordem nacional os bens — e até o freires — da extinta Ordem do Templo. É, por conseguinte, antiga, respeitada e cobiçada, especialmente no estrangeiro onde sabem apreciar o valor deste tipo de distinções. Para que não restem dúvidas quanto à valia e antiguidade desta condecoração, basta olhar para o medalhão do Marquês de Pombal, que se encontra no pedestal da estátua equestre de D. José, no vetusto Terreiro do Paço, e lá vemos, pendurada do pescoço do poderoso ministro do rei a cruz de Cristo por lhe ter sido conferida a regalia de a ostentar.
 
Pois hoje, 19 de Janeiro de 2010, o Presidente da República, por sugestão e conselho da comissão que governa e propõe as Ordens Honoríficas Nacionais, condecorou Pedro Santana Lopes com a grã-cruz da Ordem Militar de Cristo, colocando-o a par de inúmeras altas dignidades nacionais e estrangeiras que tal merecimento tiveram. Pedro Santana Lopes, o Primeiro-Ministro que foi desalojado do cargo por decisão de um anterior Presidente da República!
 
— O quer isto dizer?
Várias coisas, ao mesmo tempo, na minha opinião: que Cavaco Silva não questionou, em tempo oportuno, a proposta que lhe foi apresentada; que os proponentes discordam, desrespeitam ou desvalorizam a decisão de Jorge Sampaio; que Cavaco Silva é conivente com a anterior posição; que é pequeno o respeito que se tem pela atribuição de tal venera; que Pedro Santana Lopes vale, afinal, tanto como qualquer Primeiro-Ministro que tenha desempenhado com dignidade o respectivo cargo; que, enfim, todos os que ostentam as insígnias da Ordem de Cristo — pelo menos, impostas nos tempos mais recentes — as podem esconder, porque o seu valor baixou significativamente no “mercado” das honras nacionais.
 
E não me digam que o sentido de Ética, de Moral, de Honra não está em declínio em Portugal.

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por Luís Alves de Fraga às 15:19

Sexta-feira, 08.01.10

Vasco Lourenço e a polémica

 

 
Há pouco tempo fiz aqui referência, sem ser meu desejo gerar polémicas, a duas cartas abertas que circulavam na Internet: uma do Coronel Manuel Bernardo e outra do Coronel Sousa e Castro.
Posteriormente, recebi uma mensagem electrónica do Coronel Vasco Lourenço que me pedia a publicidade possível para documentos da sua autoria referentes à polémica gerada pelas cartas abertas antes referidas.
Depois de ponderar razões, e porque este blog é lido por muitos militares e civis, optei por abrir, excepcionalmente, estas páginas ao pedido de Vasco Lourenço. Assim, segue-se a transcrição exacta dos documentos recebidos do Presidente da Direcção da Associação 25 de Abril:
 
Caro Sousa e Castro,
 
O homem (com h bem pequenino) tinha de voltar a atacar. E, mais uma vez, me envolve nas suas diatribes, invenções, aldrabices e quejandos.
Faz-me rir (apesar do assunto ser sério) a nova calúnia que me dirige (desta vez, juntando-me a ti) quando afirma que “(…) pode ser imputada a estes dois militares a inveja de não terem conseguido atingir o almejado posto de general, apesar de o terem tentado mais do que uma vez, enquanto membros do Conselho da Revolução, ou quando este órgão político-militar foi extinto”.
Tu já lhe respondeste.
Por mim, lembro que estive graduado em oficial general (Novembro de 1975 a Agosto de 1976, brigadeiro; de Agosto de 1976 a Abril de 1978, general) durante dois anos e meio, desempenhando o cargo de comandante da RML e governador militar de Lisboa, em condições difíceis e com resultados que muito contribuíram para o orgulho pessoal que tenho do meu currículo. Acção essa a que, diga-se de passagem – como já te disse na crítica que fiz ao teu livro – prestas pouca atenção nesse mesmo livro. O que não invalida, como te referi, que, em termos globais, tenha gostado do mesmo. Lembro ainda que é por demais conhecido publicamente (tu estavas lá e participaste activamente nisso) que, quando terminou o Conselho da Revolução e me quiseram promover a brigadeiro, recusei liminarmente tal hipótese.
Como voltei a recusar, há pouco tempo, quando me sondaram para ser usado como “moeda de troca” na inqualificável promoção do Jaime Neves a general!
Acredita que vou fazendo esforços inauditos para não reagir “à bruta” às atitudes da criatura em causa.
Junto em anexo o texto que escrevi sobre esse “rapaz”, quando me mimoseou com as suas diatribes, aquando da publicação de “Do Interior da Revolução”. Aí poderás ver, se ainda não conhecias o texto, o que penso do mesmo.
Quanto à carta aberta que o homenzinho escreveu a Marcelo Rebelo de Sousa (ainda não percebi a tua escolha…) já lhe respondeste… e bem, ainda que em tom bastante moderado. Como usas bastante a ironia, corres o risco de, a começar por ele, haver quem não perceba. Muitas vezes, é necessário usar a velha máxima do “clarinho, clarinho, para militar perceber”…!
O facto de te estares quase a iniciar nestas contendas, ainda te dá paciência que, confesso, já me falta!
No texto em causa, continua a utilizar o seu método preferido: coloca na boca de outros aquilo que quer afirmar. Desta vez, serve-se do Manuel Monge, que nós conhecemos bem e que às vezes faz afirmações que só vistas…! Agora, foi sobre a descolonização. Aqui, por ele, insiste em vomitar e repetir slogans que, por acreditar que “uma mentira muito repetida se transforma em verdade”, não deixa de praticar.
E lá volta a envolver-me no ataque ao Carlos Fabião que, como homem e como militar, foi um gigante ao lado de pigmeus da laia do autor destes ataques.
Quanto ao Jaime Neves, junto também (convém lembrar e reunir dados) o artigo que sobre a sua recente promoção escrevi em O Referencial.
Talvez fosse bom contactar a Maria Tavares, actriz do grupo de “Os Malucos do Riso”, e tentar obter esclarecimentos sobre a noite de 24 para 25 de Abril de 1974. É que parece que ela estará em condições de fazer luz sobre a actuação dele nessa noite.
No que se refere ao cartaz do PPD no gabinete do comandante do Regimento de Comandos, posso confirmar que, após o 25 de Novembro, esse partido político fez um cartaz que foi distribuído profusamente nesse regimento, onde enaltecia a acção dos Comandos no 25 de Novembro.
Cartaz esse que me obrigou a ter uma firme atitude, proibindo os mesmos nas instalações da unidade e alertando para as novas tentativas de instrumentalização que se estavam a verificar dos partidos políticos para com os militares. Se se consultarem os documentos de então, pode ver-se a minha intervenção na unidade quando da visita que, como comandante da RML, aí realizei nessa altura.
Como não poderia deixar de ser, repete os argumentos que inventaram para a sua condecoração com a Torre Espada. Já desmontei isso no artigo de O Referencial, afirmo agora que não é o facto de o Presidente da República o ter condecorado que faz dele merecedor desse acto. Aliás, é por demais conhecida a forma como alguns “heróis” obtiveram as condecorações que ostentam… Nem o texto que justifica essa condecoração se torna “Lei”, só porque foi assinado pelo mesmo Presidente da República… Então, quando baseia essa condecoração na “(…) participação decisiva nas acções militares que conduziram à restauração da democracia em Portugal e à sua intransigente defesa, nomeadamente pela sua actuação no 16 de Março (?), 25 de Abril (?) e 25 de Novembro (…)” estamos conversados…!
No que se refere aos elogios do Presidente da República de então (lembro que era o general Costa Gomes), ainda há pouco revi a gravação dos mesmos, quando ele se dirigiu aos Comandos, na visita que fez à unidade em 29 de Novembro de 1975 e realçou o papel desempenhado pelos Comandos e pelos seus comandantes, nomeadamente Jaime Neves. Relembro: “Sob o ponto de vista estritamente militar tenho que vos declarar que todas as acções em que vos empenhastes foram executadas de uma forma superior e isso deve-se aos vossos comandantes, como também à vossa instrução, à vossa determinação e também à técnica que os Comandos adquiriam ao longo da sua vida!”
Para quem te acusa de omissões…
Como lhes faz jeito a foto do Eduardo Gageiro, onde se vê o Jaime Noves a regressar da conversa que teve com o Pato Anselmo! E tens razão: quem forçou a rendição deste foi o Cunha e Brito (primo do Edmundo Pedro) que deixara há pouco de ser capitão miliciano, por passagem à disponibilidade…
Quanto à tomada da DGS na António Maria Cardoso, confirmo que o Otelo afirma que “O Jaime Neves recusou essa missão, por a considerar demasiado perigosa”. Valha-nos, ao menos, que neste caso se recusou previamente a aceitar essa missão…!
Um pequeno comentário às afirmações reproduzidas, do Marcelo Rebelo de Sousa, sobre legitimidades revolucionárias e democráticas, só para realçar outra “omissão” do MB, neste caso, o facto de a legitimidade democrática ter decidido prolongar a legitimidade revolucionária, instituindo o período de transição, na própria Constituição da República aprovada em 2 de Abril de 1976.
Mas aqui, voltamos à velha “justificação” de que foram as condições existentes que os “obrigaram” a isso!
Como se isso não fosse “o pão-nosso de cada dia”…
Quanto às omissões que te apontam, acontece contigo o mesmo que comigo: não compreendem que não pretendemos fazer a história do 25 de Abril, mas tão-só contar a nossa experiência… Ainda que, como te referi na crítica ao teu livro, “há omissões e omissões”.
Mas as acusações que o “rapaz” te faz deram para descobrir que houve grandes actores no processo do 25 de Abril, como o Mariz Fernandes, o José Pais e o Lobato Faria… Vá lá, junta-lhe o Hugo dos Santos, o que deve constituir uma ofensa para este.
 
Caro Rodrigo,
 
Podes usar esta carta como entenderes, sendo certo que a irei juntar à tua resposta ao MB (a propósito, junto também uma declaração do Alfredo Assunção sobre este assunto), na difusão que, como me pediste, irei fazer da mesma.
 
Um abraço amigo
 
Vasco Lourenço
 
 
Carta aberta para o Coronel Manuel Bernardo
 
Pergunto-me se vale a pena gastar tempo e energias com o Manuel Bernardo (MB). As suas acções no passado criaram-lhe um tão grande perfil de descridibilidade que me parece ser tempo perdido... De facto, só quem gosta de ser enganado é que ainda lhe dá crédito...
O ter presente o velho ditado de "água mole em pedra dura..." leva-me a, perante as investidas que me vem fazendo – ainda não consegui atingir o porquê de me ter eleito como alvo preferido das suas ofensas - esta tomada de posição, que conto possa trazer algum esclarecimento e alguma luz a quem esteja mal informado, mas de boa fé.
1. Em primeiro lugar, recuso liminarmente o título que MB colocou em mais uma das suas diatribes: como afirmei já mais que uma vez, não sei mentir, não invento estórias, os factos que conto são verdadeiros. Por muito que alguns MB os tentem contrariar. Neste caso, para além de não apontar nenhum facto concreto, a sua falta de credibilidade é a minha melhor defesa.
Importa aqui recordar a sua reacção, quando alguém lhe chamou a atenção para o facto de ele saber que as afirmações que faz no seu último livro sobre mim e a minha actuação na Guiné não corresponderem ao que se passou, não estarem correctas, estarem deturpadas: " está bem, mas eu tinha umas contas a ajustar..." afirmou, com o maior à vontade dos mentirosos e dos cínicos!
2. Também agora vem a público citar um despacho sobre mim – utilizando elementos reservados - do então comandante chefe da Guiné, general Spínola.
Mais uma vez a sua desonestidade intelectual se declara de forma brutal: ao ler o livro "Do Interior da Revolução" pôde tomar conhecimento – se é que o não sabia ainda – desse episódio em pormenor, nomeadamente a forma como Spínola recuou e me deu razão. Como sempre faz, quando lhe interessa, escamoteou factos e difamou indirectamente – pois nunca faz acusações directas – os que quer atingir, para saldar as contas que tem em aberto...
3. Vem também afirmar que só agora tomou conhecimento da razão porque em 1974 o quiseram sanear, acrescentando que eu nunca lhe fui apresentado e que apenas falou comigo em 1994...
O descaramento deste fulano chega a pontos inimagináveis!
Como já afirmei, o MB subscreveu o abaixo-assinado que em 1973 se fez contra os dec.-lei 353/73 e 409/73. Penso não ter sido eu a recolher a sua assinatura directamente, mas lembro-me de o ter contactado na Academia Militar.
Quando em 1974 é saneado pelo Conselho da Arma de Infantaria (CAI), procura-me pessoalmente e protesta o facto, pois "era do MFA, assinara o abaixo-assinado...".
Tive, então, oportunidade de o esclarecer: defendera-o no CAI, informando dessa sua atitude, nada pudera fazer contra a acusação que aí lhe fora feita e sobre a qual me não pudera pronunciar, pois não estava cá, nessa altura.
Acusação que consistira em, no desenrolar do 16 de Março de 1974, ele ter colaborado com a acção da GNR e da PIDE/DGS, no cerco que estas forças fizeram à Academia Militar, donde resultou a prisão do Almeida Bruno e de outros oficiais do Movimento.
Aconselhei-o, então, a procurar esclarecer os factos com os membros do CAI que o acusaram.
Vem agora negar tudo isto e afirmar da pouca credibilidade da acusação, apontando procedimentos que diz ter tido e que relata em pormenor.
Não contesto esses procedimentos – não presenciei, ainda que a sua pouca credibilidade pessoal... –, não o acuso, como nunca o acusei, de ter ajudado a GNR e a PIDE/DGS a cercar a Academia Militar!
Não aceito é que venha negar e ignorar a diligência que fez junto de mim e os esclarecimentos que então lhe forneci...
Atitude que já me não surpreende, pois como lhe disse um dia no intervalo de um seminário na Universidade Nova, é fácil escrever mentiras, quando se não tem à frente quem nos possa contestar. Mais difícil é manter essas mentiras, cara a cara, o que o levara a calar-se no debate havido, não intervindo sequer face às minhas afirmações sobre procedimentos, totalmente opostas às afirmações que vinha publicando nos seus livros. Recordo perfeitamente que nem sequer reagiu, quando o acusei pessoalmente de
cobardia, o que aliás é natural nele.
Quanto à acusação que agora faz de que " o quiseram sanear, expulsando-o do Exército, sem qualquer vencimento", estamos perante mais uma das deturpações caluniosas em que MB é useiro e vezeiro: como explico em "Do Interior da Revolução", foi o facto de ainda não ter o tempo de serviço que o estatuto do oficial impunha para que se pudesse passar à reserva que fez com que ele e outros na mesma situação não passassem à reserva e ficassem na situação de "esperados". Isto porque, contrariamente ao que afirma, houve a preocupação de não criar nenhuma situação em que os saneados ficassem sem vencimento. O que penso não ter acontecido em todos os Ramos das Forças Armadas...Desta situação resultaria que, com o evoluir dos acontecimentos e ao contrário do que se passou com os oficiais saneados que já tinham o tempo de serviço mínimo para passarem à reserva, os "esperados" nunca foram efectivamente saneados e fizeram a sua carreira normalmente, vendo a situação de saneamento anulada, efectiva e definitivamente, quando alguns anos depois foi aprovada legislação que anulava os saneamentos e as respectivas consequências.
A queda para deturpações do MB é de facto espantosa!...
Quanto ao Carlos Fabião, apesar de alguns erros cometidos, todos sabem que um só  dos seus dedos vale mais que todos os MB juntos...
4. Não tenho a intenção de voltar a perder tempo com MB, a não ser que a gravidade dos seus actos a isso me obrigue.
Quanto ao livro "Do Interior da Revolução" e aos factos que "eu invento", continuo à espera que me apontem esses factos. Apenas o general Ricardo Durão apontou dois ou três, mas a esse já respondi, aconselhando-lhe um esforço de memória.
A análise de MB, se ainda fosse preciso, cai pela base quando afirma que eu "omito o importante contributo dado ao processo contestatário por oficiais que estavam nas comissões em África".
Apesar de nessa entrevista a Manuela Cruzeiro dar essencialmente o meu testemunho sobre a minha experiência, a minha intervenção concreta, só uma mente retorcida e pré-formatada poderia fazer essa afirmação. Basta ler o livro, para ver o realce que eu dou a esse facto!
 
Vasco Correia Lourenço
 
 
Depoimento de Alfredo Assunção
 
Não pretendo entrar em polémicas nem tomar partido apenas repor a verdade a que assisti: - o TCOR Costa Campos quando chegou ao Terreiro do Paço já o dispositivo da EPC sob comando de Salgueiro Maia estava em posição. Depois de fazer algumas perguntas no sentido de assumir o comando das forças chegou à conclusão que não tinha condições para o fazer retirando-se e Maia continuou a comandar as forças. Jaime Neves chega mais tarde com alguns dos seus colaboradores depois de terminada a operação dos comandos. Colocou-se à disposição de SMaia e a sua acção foi importante ao convencer Pato Anselmo a não tomar qualquer acção ofensiva e foi tudo. Quando foi dada a ordem para nos deslocarmos para o Carmo as forças da EPC e CAV7(que entretanto se juntaram à EPC) foram divididas e uma das partes ficou sob comando de JNeves dirigiu-se para a Legião.
Com os meus cumprimentos
ALFREDO ASSUNÇÃO
 
 
Depoimento de Vasco Lourenço sobre Jaime Neves
 
A PROMOÇÃO por distinção a major-general do coronel Jaime Neves provocou diversas reacções, consoante o posicionamento político de quem as assumiu.
Acto político como foi, ainda que travestido de acto da responsabilidade da instituição militar, não obteve, que se saiba, qualquer reacção positiva, quando analisado numa perspectiva militar.
Os militares conhecem as regras, não gostam de se ver instrumentalizados pelos políticos e, a não ser que sejam movidos por justificações políticas, condenam actos como este. Como o fizeram, na generalidade.
Foi por isso, porque considera o acto de natureza totalmente política, que a Direcção da Associação 25 de Abril decidiu aprovar um comunicado e, além de o enviar ao presidente da Assembleia da República e dele dar conhecimento ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao ministro da Defesa Nacional e aos quatro chefes dos Estados-Maiores, decidiu torná-lo público. É esse comunicado que se publica em separado.
O aparecimento de alguns argumentos a defender o indefensável, apresentando Jaime Neves como um autêntico condestável a quem o País tudo deve, junto com o pedido de muitos para tornar públicas as razões da minha reprovação ao que considero uma verdadeira ofensa aos militares de Abril e ao próprio 25 de Abril, levam-me a esclarecer o que penso sobre o assunto.
Logo no próprio dia 25 de Abril de 1974, quando Spínola, no Posto de Comando da Pontinha, afirmou ir promover os principais militares de Abril, ouviu destes que não tinham feito o que fizeram a pensar em promoções, que não aceitariam promoções.
Mais tarde, a evolução dos acontecimentos criou a necessidade de alguns capitães e majores ocuparem cargos correspondentes a postos mais elevados. Tivemos assim que graduar alguns de nós para o desempenho específico de missões, todos regressando aos seus postos, quando terminaram esse desempenho.
Resultado, os principais capitães e majores de Abril terminaram a sua carreira em tenentes-coronéis (nomeadamente os três membros da Direcção do Movimento, o principal redactor do Programa e o principal operacional), independentemente de terem ou não estado graduados em general.
E é essencial salientá-lo, independentemente de serem ou não também “capitães ou majores de Novembro”!
Por outro lado, a generalidade dos “tenentes-coronéis de Novembro”, poucos deles militares de Abril de origem, atingiu o posto de general.
Faltava um, o Jaime Neves, por isso o promoveram agora, não tendo tido a coragem suficiente para o promoverem a tenente-general.
É talvez esta a principal razão que terá estado na origem desta iniciativa.
O que provocou como que a continuação do 25 de Novembro – quantos houve, afinal? – sendo que os vencidos do grupo dos vencedores se vêem recompensados pela derrota que então tiveram de aceitar.
Por mim, confio que, tal como então conseguimos, evitaremos que o seu desejo de “mais sangue” se concretize!
Isto porque considero que se regrediram trinta e três anos e meio e se está a tentar retomar e prosseguir o caminho que em 25 de Novembro de 1974 alguns não conseguiram impor.
Explicando-me melhor: ao analisar o 25 de Novembro, considero que face ao seu resultado, se podem considerar dois grupos, os vencedores e os vencidos. No entanto, se analisarmos melhor, constatamos que nos vencedores também se incluíram dois grupos, igualmente os vencedores e os vencidos.
Incompreensível? Delirante? Não, neste caso, os vencedores foram os que impuseram o retornar ao espírito do 25 de Abril, ao recriar condições para que a Assembleia Constituinte pudesse aprovar a Constituição, assim se cumprindo a principal etapa da Democratização.
Enquanto isso, o grupo dos vencedores/vencidos foi o que não conseguiu ir mais além, como então proclamaram pela voz de Jaime Neves, os que não estavam satisfeitos, pois queriam mais, “queriam sangue”, aliás, na sequência do que vinham proclamando há bastante tempo, os que foram parados pelos vencedores que com eles estavam do mesmo lado da barreira, assim os impedindo de voltar ao antes do 25 de Abril ou, no mínimo, transformar o 25 de Novembro no oposto do 11 de Março.
Depois de anos em que têm procurado sobrepor o 25 de Novembro ao 25 de Abril, reagruparam-se e atacam em força. Fazem-no no momento em que se comemoram os 35 anos da madrugada libertadora. Não deixa de ser sintomático e elucidativo!
Por mim, confesso que passados 35 anos, não era isto que esperava viver.
Só assim se compreende que não tenham hesitado em arriscar abrir uma autêntica Caixa de Pandora, colocando em causa a normalização que entretanto se atingira entre todos os intervenientes no 25 de Abril e no processo revolucionário que se lhe seguiu, independentemente das diversas posições então assumidas.
Ao praticar um acto extraordinariamente injusto, em termos absolutos e em termos relativos, deitaram por terra as preocupações e os resultados obtidos, nas reconstituições das carreiras dos militares prejudicados pela sua intervenção naqueles processos, também independentemente das posições ali assumidas.
Com a agravante de estarem a promover a general um militar que, sabe-se lá porquê, eliminou essa hipótese, ao ter recusado frequentar o curso de promoção a oficial general, quando para o mesmo foi nomeado, com a particularidade de o ter sido com quatro anos de avanço em relação ao seu curso da Escola do Exército.
O argumento então utilizado foi o de que lhe tinham prometido a promoção sem curso, pelo que com esta alteração o estavam a trair, pois queriam era afastá-lo dos Comandos.
A sua atitude e as declarações públicas produzidas provocaram a sua punição disciplinar, com dez dias de prisão, por parte do chefe do Estado-Maior do Exército.
Na sequência disso, terminou a sua carreira militar, passou à situação de reserva, ingressando na actividade privada de segurança…
É agora, passados 28 anos que decidem promovê-lo, por distinção…
Como cidadão empenhado, considero imprescindível que os responsáveis políticos nos elucidem a todos sobre a dívida que o país tem para com Jaime Neves. E nos digam se, com a promoção a oficial general, consideram que essa dívida fica totalmente saldada, ou se restará ainda alguma prestação por pagar. É que esta será a terceira fatia do pagamento que lhe vêm fazendo: depois de uma promoção por escolha a coronel, logo a seguir ao 25 de Novembro (o que fez dele o único a ser agraciado, se considerarmos que a promoção de Ramalho Eanes, de coronel a general de quatro estrelas, e a de Pires Veloso, de coronel a brigadeiro, foram feitas noutro contexto), condecoraram-no (passados vinte anos) com a Torre e Espada e agora (passados mais quinze anos) promovem-no por distinção a general…
Alegam razões militares e razões políticas.
Quanto às militares, continuam a farsa das justificações apresentadas para a concessão da Ordem da Torre e Espada, pois, ao contrário do que então escreveram não era um dos mais condecorados militares portugueses. Sabemos que existem vários que possuem duas e três Cruzes de Guerra, sabemos que alguns têm também o Valor Militar, Jaime Neves, que se saiba, tem apenas uma Cruz de Guerra…
E, se todos lhe reconhecem grande capacidade de comando no terreno, como o terá demonstrado na Guerra Colonial e o confirmou no 25 de Novembro, não evitou que durante o chamado PREC, onde desempenhou tarefas meritórias, lhe tivessem tomado a unidade por dentro…
Quanto às razões políticas, considero que o caso “pia ainda mais fino”.
Com efeito, para além de um posicionamento sempre controverso, já confirmado em declarações proferidas depois desta injustificável promoção, se analisarmos a sua acção político-militar, constatamos que a sua acção no 25 de Abril e no 25 de Novembro não é assim tão preponderante, como apregoam os seus defensores.
Dizem agora que também entrou na tentativa falhada do 16 de Março, o que para mim é autêntica surpresa, pois nunca ouvira falar disso…
Mas vejamos:
  1. Durante uma comissão em Moçambique, como comandante do Batalhão de Comandos, viu-se apanhado no escândalo de Wiriamu.
Tendo sido uma das suas companhias que praticou os massacres que deram origem a esse escândalo, apesar de não ter qualquer relação directa com o que se passou, viu-se utilizado como bode expiatório, juntamente com o comandante da Zona, o brigadeiro Videira.
  1. De regresso a Portugal, vem pronto a embarcar na primeira aventura, desde que contra os que assim o tinham tratado.
“Sem saber ler nem escrever”, como há pouco reconheceu, ao dizer que se soubesse que se ia abandonar África não teria feito o que fez, sem fazer ideia no que se estava a envolver, integra-se no Movimento dos Capitães e colabora no 25 de Abril.
  1. Quanto ao 25 de Abril, segundo Otelo, começou por recusar a primeira missão que lhe é pedida, recusando tomar a sede da PIDE na António Maria Cardoso, por a considerar demasiado perigosa.
Depois… falhou o cumprimento de todas as missões que aceitou. Não conseguiu, com os grupos que ficou de formar, prender nenhum dos oficiais considerados potencialmente perigosos. O que criou condições para o confronto entre as tropas da EPC comandadas por Salgueiro Maia e as de Cavalaria 7, na Ribeira das Naus. É que na lista de oficiais que deveria ter prendido estavam todos os oficiais desse RC7, incluindo o comandante.
A sua inoperância é ainda mais realçada, porque um grupo comando não formado por si prendeu um dos oficiais de Cavalaria 7, o major Lopes Saraiva…
Falhadas as missões, de madrugada apresenta-se na Pontinha com alguns dos seus homens e é incumbido por Otelo de escoltar e ajudar o tenente-coronel Correia de Campos, enviado para prender o ministro do Exército, a pedido de Salgueiro Maia, no Terreiro do Paço.
Aí colaborando, não na prisão do ministro, pois esse já fugira por um buraco feito na parede, mas na obtenção da rendição do major Pato Anselmo, precisamente um dos que não prendera previamente.
De seguida, recebe a missão de comandar uma força organizada no Terreiro do Paço – parte das tropas da EPC, juntamente com as do RC7 que se tinham rendido a Salgueiro Maia – para ocupar a sede da Legião Portuguesa, na Penha de França. Não encontrando resistência, cumpre com determinação a missão.
  1. Depois do 25 de Abril é designado para comandar a unidade de Comandos então criada, que se instala na Amadora.
Aí colabora nas várias missões que lhe são atribuídas, de que se destaca a Operação Nortada no âmbito da Dinamização Cultural.
  1. Igualmente se destacam as suas acções no assalto/ocupação da 5.ª Divisão, bem como na resolução do cerco à Assembleia Constituinte, ambas em cumprimento de ordem do Presidente da República, Costa Gomes.
Quanto ao 25 de Novembro, onde teve uma importante e decisiva intervenção, confirmando ser um bom combatente, contou sempre com um bom enquadramento e uma mão forte que o segurou, quando, como já referi, “queria sangue, a todo o custo”! Queria “tratar da saúde aos comunistas, como vinha reclamando há bastante tempo…
Confesso que passados 35 anos do 25 de Abril não era esta a comemoração que esperava viver…
Em parte, estamos a dar razão ao general romano que noutros tempos resumiu a situação neste território ao seu imperador: “O pequeno povo que vive junto ao mar não se sabe governar, mas também não se deixa governar.” Para já, não nos sabemos governar, espero que continuemos a não nos deixar governar…
Por fim, gostava de esclarecer a minha posição pessoal, sobre os que têm levantado a hipótese de eu também dever ser promovido: em 1982, quando terminou o Conselho da Revolução, recusei a promoção a general, face à forma como o processo se desenvolveu. Não me passa pela cabeça que, agora, alguém tente utilizar-me como moeda de troca, num processo que a todos nos envergonha!
 
P.S. Muito se tem dito quanto ao processo que levou à promoção de Jaime Neves.
Porque tenho sido indicado como autor de declarações que não fiz, impõe-se esclarecer o que sabemos sobre este processo:
  • Sabe-se que o CEME decidiu assumir a proposta e obteve o apoio dos outros CEM’s.
  • Sabe-se que a sua atitude foi provocada pela movimentação (pressão?) de várias pessoas.
  • Sabe-se que a iniciativa partiu do general Ramalho Eanes que, por sugestão do próprio CEME – na sequência dessa iniciativa – lhe dirigiu uma carta a propor a promoção.
  • Diz-se que Ramalho Eanes também terá escrito ao Presidente da República, o que é negado pelo general ex-Presidente da República.
  • Sabe-se que o Presidente da República foi uma das pessoas que se movimentaram junto do CEME.
  • Não se sabe se o general Rocha Vieira, como foi noticiado, foi um dos que se movimentou. Aliás, sabe-se pelo general Ramalho Eanes que Rocha Vieira não escreveu a carta ao CEME.
  • Não se sabe quem foram as outras pessoas a movimentarem-se junto do CEME.
 
 
Aqui fica satisfeito o pedido (longo) de Vasco Lourenço. Os comentários ficam para os leitores.

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por Luís Alves de Fraga às 15:46


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