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Fio de Prumo



Terça-feira, 20.02.07

Alienação de património militar

Há tempos deixei aqui a minha opinião sobre a anunciada venda de parte das instalações da Messe Militar de Lagos. Pessoa amiga e que reputo bem informada, fez-me saber que a alienação por mim tratada não se teria devido à vontade do Governo, mas sim à do, então, CEME, general Valença Pinto. Foi-me dada uma explicação: havia-se procedido à recuperação das antigas instalações do Regimento de Infantaria de Lagos, transformando-as em simpáticos alojamentos para usufruto dos militares e, como a Manutenção Militar, entidade gestora das Messes, não tinha liquidez financeira e o Exército não podia suportar o encargo, chegara-se a uma, aparentemente, boa solução: vender o edifício situado frente à marina.
 
Está claro que uma resolução desta natureza é a prova de que a «lei do menor esforço» ainda preside na vida pública e administrativa nacional. Pior do que isso, verifica-se que os três Ramos das Forças Armadas se comportam como se estivessem de costas voltadas uns para os outros.
 
Na verdade, se houvesse espírito de cooperação, atendendo a que as Messes Militares são um pequeno benefício para todos os que servem na Forças Armadas, teria sido fácil tentar uma negociação, envolvendo a Armada, o Exército, a Força Aérea e ainda o IASFA (Instituto de Apoio Social das Forças Armadas), de modo a que estas entidades conseguissem estabelecer um acordo com a Manutenção Militar — entenda-se, Exército — de modo a, não havendo alienação de património, transferirem-se encargos repartidos com significativos benefícios para todas as partes.
 
Uma solução do tipo da anterior — cujos pormenores não especifico para poupar os leitores — ampliaria a possibilidade de também poderem usufruir da instalação de Lagos (aquela mesma que vai ser alienada) as praças da Armada, do Exército e da Força Aérea, porque, é bom não esquecer, hoje os efectivos dos Ramos são constituídos por elementos profissionais e tanto direito tem a passar umas curtas férias no Algarve um oficial e sua família como um sargento ou uma praça com os respectivos agregados familiares.
 
É evidente que aquela instalação não resolveria o problema de alguns milhares de famílias de praças das Forças Armadas, mas constituía o embrião para um novo”salto”, ao mesmo tempo que beneficiaria, em cada ano, umas centenas de casais.
 
Será assim tão custoso encontrar soluções, pensando nos outros? Não deverão os chefes militares dispensar todos os cuidados aos seus subordinados? Dever-se-á continuar a olhar para o seio das Forças Armadas como se profissionais fossem só — como eram no passado — os oficiais e sargentos?
 
Não posso rematar este apontamento sem, uma vez mais, recordar a emblemática frase de Maio de 1968: «A imaginação ao Poder».

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por Luís Alves de Fraga às 10:50


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