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Fio de Prumo



Sexta-feira, 24.11.06

Militares e Jornalistas

Ontem, ao fazer um zapping televisivo passei pela SIC – Notícias e dei com o apresentador do telejornal das 21 horas a entrevistar a jornalista Maria Antónia Pala. O tema da conversa era a integração do subsistema de saúde dos profissionais do ramo na Previdência Social.

 

Confesso que, há muitos anos, não via um espectáculo tão deprimente! Estrebuchava argumentativamente, por um lado, o entrevistador e por outro a entrevistada. Esta gaguejava, expunha entrecortado o pensamento, consciente da falta de razão que lhe assistia. Ambos queriam convencer-nos dos seus motivos escalavrados, das suas certezas prenhes de incertezas.

 

Entre outros argumentos deixados cair ao acaso, lá veio o da falta de horário e da forte pressão psicológica sob que vivem e trabalham os jornalistas; lá veio, também, o pequeno número que constitui a classe e as admissões, no meio, de indivíduos que, efectivamente, não são jornalistas.

 

Deixei-me sorrir. Cheguei mesmo a rir.

 

E ri porque há um ano atrás, quando a assistência na doença aos militares e suas famílias desabou por vontade do Governo socialista, depois de ter sido construída, no tempo do Estado Novo, pelo presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, os jornalistas, ao invés de esclarecerem os leitores e ouvintes sobre a incorrecta atitude do Executivo para com um grupo sócio-profissional que, esse sim, não tem estatuto laboral e dá a vida, se necessário for, pelo magro pagamento que o Estado lhe quer atribuir, deixaram passar a ideia de que vivíamos na abundância e éramos uma classe privilegiada. Esqueceram-se que, mais tarde ou mais cedo, também lhes iria tocar pela porta igual destino! Agora, aqui del-rei quem nos acode, porque somos um grupo profissional sujeitos a alto risco e grande desgaste! Não dá vontade de rir?

 

Não sou dos que se comprazem com o mal dos outros, mas, neste caso, tudo o que servir para mostrar como os militares foram mal tratados há um ano, perante o silêncio conivente da sociedade — quando não até a verborreia de alguns — é bem-vindo. Foi esse silêncio, essas palmas maldosas, que ajudaram a dar força a um Governo que ainda tem muito trabalho para fazer se quiser acabar com as mordomias. Basta olhar para a classe política de que eles próprios fazem parte integrante.

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por Luís Alves de Fraga às 11:25


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