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Fio de Prumo



Quarta-feira, 23.08.06

Mas este Governo é socialista?

 

Não pode ser! Onde vai o socialismo?!!! Isso foi um belo «sonho de uma noite» de Primavera, mas há trinta e um anos!

Todos desejávamos, com excepção de alguns, um socialismo em liberdade. Queria isto dizer, um socialismo sem restrições ao direito de associação, de expressão do pensamento e de reivindicação. Era um socialismo à maneira do Norte da Europa; um socialismo redistributivo: cobravam-se impostos segundo uma proporcionalidade justa, dentro de um leque salarial não excessivamente alargado e distribuiam-se os impostos sob a forma de assistência na doença, na educação, na habitação e outros sectores carenciados. Isto funcionava, assim, na Suécia, na Noruega, na Dinamarca, qual o motivo por que não resultaria em Portugal?

Nós, os militares de Abril, pensávamos quase todos dentro desta linha. Houve os que idealizaram sistemas que pareciam mais justos, mas cortando liberdades em nome do colectivo. Rejeitámos esses modelos. Queríamos o direito à modernidade.

 

Hoje, ao fazer a minha consulta matinal aos jornais que publicam as últimas informações na Internet dou, no Diário de Notícias, com a indicação de que algumas comparticipações da ADSE baixaram substancialmente, chegando, em alguns casos, o utente a ficar com um encargo de mais de 4000% (quatro mil por cento).

Não. Não, o senhor engenheiro José Sócrates não é socialista! Desconhece os princípios básicos do socialismo, se se quiser ser mais correcto, da simples social-democracia.

Há um ano obrigou os militares a passarem para um regime de assistência na doença em tudo semelhante ao dos funcionários públicos; este ano corta nas magras comparticipações.

Não é assim que se fazem poupanças no Orçamento do Estado. Não. Assim fazem todos os que não são socialistas. Assim, até a minha empregada doméstica (que só lhe posso pagar duas tardes por semana), pouco menos que analfabeta, também fazia. Assim fazia o Salazar! Já que Marcelo Caetano inverteu o rumo e concedeu todas as regalias que Sócrates e os seus apaniguados se encarregam de acabar. Interessante, não haja dúvidas!

Quando é que um sociólogo impoluto resolve estudar este fenómeno galopante em Portugal? Quando é que alguém diz: Assim não!?

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por Luís Alves de Fraga às 09:20


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