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Fio de Prumo



Sexta-feira, 07.04.06

Será verdade?

O mundo abriu-se à autenticidade e à aldrabice com o livre acesso à Internet. Os boatos propagam-se à velocidade da luz e implantam-se perante os nossos olhos com a força de verdades absolutas. Basta receber os vulgares e-mails. São as piadas inocentes, as mais «pesadas» e a pornografia pura que circula de caixa de correio para caixa de correio. Por vezes, chego a receber a mesma mensagem, vinda de remetentes diferentes, sete, oito, nove vezes. Tendo passado pelo processo revolucionário português já com idade suficiente para perceber, muito bem, que uma mentira repetida centenas de vezes não se transforma num verdade, o certo é que também sei que a repetição abala as convicções do mais céptico cidadão.

Ora, mentiras ou verdades, as «notícias» «desaguam» no monitor do meu PC e deixam-me desconfiado.

Há talvez cerca de quatro ou cinco semanas começou a circular uma «notícia» alarmante sobre a transmissão de emissões electromagnéticas por causa de um tal powerline. Claro que, imediatamente, fiquei apreensivo sobre o que em Portugal iria acontecer. Passou-se tempo e, felizmente, mão amiga remeteu-me uma mensagem onde tudo se punha a claro e desapareciam os receios. Mas este foi um exemplo feliz entre centenas de outros infelizes, ou presumivelmente infelizes.

Alguns existem nos quais preferia não acreditar. Peguemos em um e vejamo-lo mais em pormenor.

O caso da GALP.

Circula um mail electrónico que diz textualmente o seguinte:

 

«Um quadro superior da GALP, admitido em 2002, saiu com uma indemnização de 290.000 euros, em 2004. Tinha entrado na GALP pela mão de António Mexia e saiu de lá para a REFER, quando Mexia passou a ser Ministro das O.P. e Transportes... O filho de Miguel Horta e Costa, recém licenciado, entrou para lá com 28 anos e a receber, desde logo, 6600 euros mensais. Freitas do Amaral foi consultor da empresa, entre 2003 e 2005, por 6350 euros/mês, além de gabinete e seguro de vida no valor de 70 meses de ordenado. Manuel Queiró, do PP, era administrador da área de imobiliário(?) 8.000 euros/mês. A contratação de um administrador espanhol passou por ser-lhe oferecido 15 anos de antiguidade (é o que receberá na hora da saída), pagamento da casa e do colégio dos filhos, entre outras regalias. Guido Albuquerque, cunhado de Morais Sarmento, foi sacado da ESSO para a GALP. Custo: 17 anos de antiguidade, ordenado de 17.400 euros e seguro de vida igual a 70 meses de ordenado. Ferreira do Amaral, presidente do Conselho de Administração. Um cargo não executivo(?) era remunerado de forma simbólica: três mil euros por mês, pelas presenças. Mas, pouco depois da nomeação, passou a receber PPRs no valor de 10.000 euros, o que dá um ordenado "simbólico" de 13.000 euros... Outros exemplos avulsos: Um engenheiro agrónomo que foi trabalhar para a área financeira a 10.000 euros por mês; A especialista em Finanças que foi para Marketing por 9800 euros/mês... Neste momento, o presidente da Comissão executiva ganha 30.000 euros e os vogais 17.500. Com os novos aumentos, Murteira Nabo passa de 15.000 para 20.000 euros mensais. A GALP é o que é, não por culpa destes senhores, mas sim dos amigos que ocupam, à vez, a cadeira do poder. É claro que esta atitude, emula do clássico "é fartar, vilanagem", só funciona porque existe uma inenarrável parceria GALP/Governo. Esta dupla, encarregada de "assaltar" o contribuinte português de cada vez que se dirige a uma bomba de gasolina, funciona porque metade do preço de um litro de combustível vai para a empresa e, a outra metade, para o Governo. Assim, este dream team à moda de Portugal, pode dar cobertura a um bando de sanguessugas que não têm outro mérito senão o cartão de militante. Ou o pagamento de um qualquer favor político... Antes sustentar as gasolineiras espanholas que estão no mercado do que estes vampiros! E AINDA DIZEM QUE A CRISE É CULPA DA FUNÇÃO PÚBLICA !!!»

 

Aqui têm, sem tirar nem pôr, como diz o Povo!

É evidente que esta prosa saiu do teclado de um funcionário público ou do de quem se identifica com a sua causa.

Já tenho idade e experiência de vida que me levam a admitir como provável e verdadeiro todo o conteúdo da mensagem ou, no mínimo, uma parte dele. Mas a pergunta que deixo sem resposta é:

— Será possível tanto descaramento?

É que, se for, estamos a viver um nível de corrupção superior ao do tempo do Estado Novo! Salazar permitia os, na altura, chamados «tachos», mas só até níveis moderados e só na medida em que serviam os interesses de sustentação do regime ditatorial. Ora, mal estaremos todos nós, se para manter a democracia temos de contribuir com os nossos impostos, conviver com e consentir um tal estado de coisas. O facto de vivermos num sistema de economia de mercado não pode servir de justificação para dar cobertura a qualquer espécie de tropelias que os detentores temporários do Poder político desejem levar a cabo.

Admitamos que não passa de uma calúnia o que se diz na mensagem transcrita. Nesse caso, a GALP e o Governo têm por obrigação manter um serviço de relações públicas capaz de desmentir tais atoardas aleivosas. Deixar que a dúvida se instale é alimentar uma fogueira junto de um paiol de gasolina...

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por Luís Alves de Fraga às 21:02



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