Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo



Quinta-feira, 15.09.05

Condição militar

Ontem perguntava-me, com ar jocoso, um amigo — ou será que é só um conhecido? — o que é essa «coisa» de «condição militar», — mas, por favor. uma definição simples... Nada desses longos discursos que toda a gente anda, agora, a fazer por aí!


Respondi-lhe:


— Condição militar: total disponibilidade para servir a Pátria, sem restrições nem altercações.


Olhou-me, com aquele ar, que a educação dada pelos meus pais não me permite definir em consonância com a vernaculidade de Fernão Lopes, e retorquiu:


— Pátria?!!! O que é isso?


Deve-me ter lido no rosto os sentimentos mal contidos na alma, porque arrastou para mais longe da mesa a cadeira onde estava sentado.


— Não sabes o que é a Pátria?! Olha, meu caro, de certeza que saberás no dia em que vires ameaçados os rendimentos que auferes dos múltiplos empregos de capital que fizeste em bens e sociedades neste país. Quando sentires que estás a ir para a mediania de onde provéns, tal como eu, mas que, ao contrário de mim, tu, por artes desconhecidas, em trinta anos, conseguiste uma fortuna confortável, mas por mim não invejada, quando sentires isso, sabes logo o que é a Pátria. Sabes tão bem que passas a exigir que outros, os mais novos, os mais preparados para o fazerem, a defendam.


Emudeceu. Tinha-lhe atirado forte e feio, como se usa dizer.


Sinto que precisava sentar à minha volta a grande maioria (não estou a falar da maioria parlamentar, mas esses também estão incluídos) dos políticos deste desgraçado Portugal para lhes recordar que há, em todas as gerações, em todos os anos, em todos os dias de vida deste milenar país, uns «palermas» que, levados por diferentes motivações, resolvem tornar-se militares (gostaria mais de dizer, soldados, mas os tempos hierarquizaram o significado deste vocábulo) dispostos a tudo sacrificarem para estarem sempre prontos a defender, de armas em punho, os interesses de uma multidão que, bem instalada na vida, acha muito o pouco que tem de pagar por este «seguro de bem-estar».


Condição militar é «» isto!


Prometo que voltarei ao assunto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 09:53


1 comentário

De Anónimo a 15.09.2005 às 12:14

De facto, curto e claro para "alheado" entender. Mas, fez-se luz? Ou surpresa pelo impacto do "nunca pensei" e logo esqueceu?. Para Aristóteles, sem querer ser petulante ou eruditóide, o ser humano é suficientemente dotado de compreensão, de tal forma que nunca reclamou a falta dela. Conluiu, então, que essa não-necessidade deveria ser genuina. Todos os seres possuem senso em dose suficiente. E assim estaria justificado o ditado universal que postula "cada cabeça cada sentença".
Mas o que Aristóteles não previu foi que da sua amada Filosofia iriam nascer os ramos das psicologias, das antropologias, das sociologias, blá, blá, blá, e com elas - mas não por culpa delas - todo o marketing "fazedor-de-cabeças". Estruturado em sondagens largamente apoiadas pela comunicação social e pela publicidade, "fazem" sensos e desensos, tendencias e não-tendencias, não deixando ao cidadão espaço para meditar e entender a realidade.
Curiosa esta contradição aristotélica que defendendo a capacidade universal do homem para entender, entenda-se o "bem", escreveu uma obra sobre a retórica nas suas vertentes moral e sofista. Obra esta que teoricamente desmantela a fé no bem como o tal objecto natural do ser, ao construir argumentos sedutores em defesa de ambas vertentes. Dessa contradição, parece mais sobreviva actualmente, a vertente sofista desvirtuadora do senso natural dos seres da "cidade". Por isso, enganou-se: o "senso" já se reclama.
Voltarei ao assunto se do "sensado" algo emergir.
edmundo
</a>
(mailto:emsf@sapo.pt)

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Setembro 2005

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930