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Fio de Prumo



Quinta-feira, 10.11.05

Mais proibições... Que vantagem?

Agora foi o Governador Civil de Lisboa quem proibiu uma reunião de militares! E, segundo os órgãos de comunicação social, proibiu de acordo com as chefias castrenses para evitar quebras de disciplina.


Está perfeitamente claro o erro cometido ao mandar proceder disciplinarmente contra militares fardados que, em determinada altura, passaram por um ajuntamento de camaradas seus, trajando à paisana por serem reservistas ou reformados, nas proximidades da residência oficial do primeiro ministro.


Está errado, porque se vai permitir empolar uma questão que poderia passar despercebida, até por não ter interferido, de facto, com a disciplina nas unidades a que estes militares pertencem.


Para um militar, na efectividade de serviço, andar fardado ou à paisana na via pública, quando não está no desempenho de uma missão oficial, é uma opção do próprio não prevista nos regulamentos éticos. O terem passado por determinado local e ali se manterem a conversar com outras pessoas não constitui motivo para sanção disciplinar. Só pode, realmente, constituir razão para isso em gente que ainda não se desfez da mentalidade herdada do tempo em que era proibido um ajuntamento de mais de três pessoas, na rua!


Não seria uma prova de sensatez «fazer vista grossa» ao contrário de tentarem o braço de ferro?


Não se trata de um mero artifício de retórica o ter deixado a pergunta sem resposta. Não. É propositadamente para dar entrada ao que abaixo vou deixar dito.


Ontem, na Internet, ao consultar uma notícia no Correio da Manhã, sobre a cedência de um subsídio de 20.000 euros por parte do Ministério da Defesa à Fundação Mário Soares (e não me interessa, agora, entrar pela discussão deste tema!) topei com um comentário de alguém que assinava «Zé Magala», do Barreiro, e que passo a transcrever: «O que este País está a precisar é duns "SARGENTOS DE ABRIL", pois os capitães já se serviram e acomodaram com estes SOCIALISTAS DO CAPITAL. UMA VERGONHA SEM PAR, PIOR QUE EM ANGOLA!». Para não haver dúvidas, aqui fica o endereço de acesso:


http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=180505&idCanal=181


Não comento. Cada um faça o juízo que entender. Mas isto quer dizer coisas.


Há muitos anos, afirmava um amigo meu: — Nunca há só um teimoso... para haver um, tem de haver, pelo menos, outro.


O ónus da indisciplina cabe a quem? Moralmente, quem está a fomentá-la?


Alguns dirão: — Não se pode ceder a chantagens.


Mas qual chantagem? Se manifestar desacordo e reclamar por melhor ponderação de uma atitude tomada, talvez, sem a cautelosa medida das consequências, é chantagem, então vivemos num país de chantagistas, talvez mesmo num continente ou num mundo onde a chantagem é a palavra de ordem.


Deixo no ar só mais uma pergunta:


— Não é tempo dos Senhores Chefes dos Estados-Maiores (se for verdade a afirmação veiculada pelos jornais!) e do Senhor ministro Luís Amado perceberem que o vinagre serve, especialmente, para temperar a salada?

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por Luís Alves de Fraga às 01:53


3 comentários

De Anónimo a 10.11.2005 às 22:28

Pelo que me tenho apercebido com as notícias vindas a público nos OCS tradicionais, bem como nos modernos e electrónicos pontos de encontro e discussão de ideias; com opiniões e comentários de militares no activo, reserva e reforma, bebidos em diversas fontes; o Governo e as ditas "chefias" (parece que nem todas), estarão a pressionar demasiado e estarão eles prórios a incitar, fomentar e romper a coesão no seio das Forças Armadas.
Até chego a pensar que querem que alguém faça algo por eles, que alguém tome uma posição radical que ponha ordem no caos da desgovernação e incapacidade de gerir o País.
Chego a pensar que sabem que a atitude tem de ser tomada, mas, talvez por temerem o peso dessa responsabilidade, estarão a alimentar a fogueira.
Penso até que pensam, que depois da "queimada", por cima das cinzas do restolho, poderão simplesmente aparecer vestidos de lavradores honestos para replantar a decência, munidos de enxadas e cajados com os quais lincharão na praça pública os "pirómanos" que lhes tenham feito o trabalho sujo mas necessário...
Chego até a pensar que não quero pensar mais, chego até a pensar que não devia pensar sequer, chego a pensar que pensam que eu não penso!
Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

De Anónimo a 10.11.2005 às 19:39

Caro camarada,
Os meus mais sinceros parabéns por mais uma (não é sempre?)análise da situação actual que se vive no seio das Forças Armadas.
Permitam-me a expressão, mas a "tropa" está dividida e já não é de agora. Respeitam-se as chefias pelo posto que têm, não pelas pessoas que são. Tive comandantes que eram respeitados em todas as vertentes do seu carácter e o posto ou função eram irrelevantes.
Pelo meu lado e apesar de já estar integrado na sociedade civil aplico a frase de Caius Máximus, General comandante da XII Legião de Roma:
"Nós os gladios cedemos o passo às togas para bem da República, tolhê-lo-emos assim elas vão longe de mais!"
Estarei sempre disposto a defender a democracia, não esta, assente em compadrios, corrupção e desvalores morais de constância diária.
Fácilmente trocarei a toga pelo camuflado, assim os meus camaradas o queiram.
Per patria semper, per rex paucas,Gladium
</a>
(mailto:)

De Anónimo a 10.11.2005 às 11:37

A derrota dos governantes neste capítulo é inevitável. É apenas uma questão de tempo. Meter a cabeça na areia nunca resultou. O que é preocupante é que, podendo os políticos e os chefes militares resolver o probela com elegância, e asim dispor de espaço de manobra para cedências da parte dos militares, preferem a confrontação. O que vai causar estragos irremediáveis. E... divisões nas Forças armadas. deprofundis
(http://deprofundis.blogs.sapo.pt/)
(mailto:fcmvouga@sapo.pt)

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