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Fio de Prumo



Sábado, 13.04.13

Na morte de uma mulher

 

Silenciei-me propositadamente aquando da notícia da morte de Margaret Thatcher, porque sou daqueles que, no momento do último suspiro de um adversário, não gosto de me regozijar. A morte é uma inevitabilidade e perante um poder superior ao dos homens resta vergarmo-nos e, se nada achamos para elogiar, pelo menos, devemos conter manifestações de alegria que ferem quem sofre uma perda física. Que descanse em paz quem tanto fez sofrer tantos.

 

A “Dama de Ferro” foi a grande introdutora, na Europa, do conceito neo-liberal de uma economia onde o Estado perdia a preponderância e dominância como força reguladora das injustiças da economia de livre concorrência. Foi ela quem começou por pôr em execução as primeiras medidas contra a acção do Estado-social. A política de privatizações encontra em Margaret Thatcher uma extraordinária defensora. Para ela, o mercado resolvia por si só os desequilíbrios que gerava a concorrência sem limites. No seu tempo, o desemprego e os baixos salários cresceram desmesuradamente na Grã-Bretanha. Foi ela quem, como Primeiro-Ministro, decretou o fim do salário mínimo nos territórios do reino de Sua Majestade Britânica. Foi ela quem suportou um braço-de-ferro com os mineiros que se declararam em greve por tempo indeterminado. Foi ela quem advogou a ideia, em tempos também aceite por Cavaco Silva, de menor Estado, melhor Estado. E arruinou a economia britânica em nome de lutar contra a inflação.

 

Teve méritos? Tê-los-á tido, mas deixou atrás de si uma imensa mancha negra de tristeza e miséria, de ódios e de raivas mal contidos. Desorganizou o melhor e mais exemplar serviço nacional de saúde do mundo construído logo após o descalabro da 2.ª Guerra Mundial quando a economia britânica vivia o seu pior momento.

Margaret foi a grande aliada do capital, ao mesmo tempo que acicatava a fúria popular contra a URSS já então a viver o começo do estertor final de um regime que havia sonhado ser a solução da exploração capitalista do Homem. Ela aceitou que a austeridade não era em si mesma um mal, porque induzia a prosperidade. Estava errada e mantém errado um conjunto de economistas que, como se vê entre nós, prossegue “receitas” que já foram aplicadas por ela, e Portugal está longe de ter a capacidade de reacção da Grã-Bretanha.

 

Politicamente, Margaret Thatcher abriu uma era económica que fez escola na Europa e no mundo e que não provou nem vai provar ser a melhor e a mais apropriada para a solução dos grandes problemas das desregulações periódicas do capitalismo.

Portugal e os Portugueses, agora e mais do que nunca, nada têm para lhe agradecer.

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por Luís Alves de Fraga às 11:18



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