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Fio de Prumo



Terça-feira, 19.02.13

Insatisfação e realismo político

 

Os órgãos de comunicação social começam a dar-nos, cada vez mais, informações sobre tomadas de posição colectivas e públicas de insatisfação popular diante de membros do Governo ou no interior de edifícios onde se encontram políticos implicados na governação – Assembleia da República, associações, reuniões partidárias.

Para além de conselhos e reclamações dadas em voz baixa, mas captados pelas câmaras de televisão, populares anónimos – ou quase – usam, também, um processo que indicia a revolta: a canção revolucionária.

O tom da contestação aumenta e promete ir de crescendo em crescendo, pois o desespero – o verdadeiro desespero individual e colectivo – está agora a elevar-se a patamares nunca antes atingidos. E isso deve-se aos apertos da tarraxa que as sucessivas medidas de austeridade provocam. E, segundo notícias de ontem, o presidente do Banco Central Europeu é de parecer que a austeridade deve continuar e aprofundar-se, se acaso o cumprimento das metas do défice orçamental não for cumprido. Estamos, por conseguinte, no limiar da insurreição popular inorgânica, ou seja, espontânea, que se ateia em resultado da mínima faísca colectiva.

 

A ser verdade o panorama traçado, ou o Governo procura rapidamente soluções de emergência para gerar um escape para a tensão social ou a oposição tem de apresentar soluções credíveis de alternativa à governação actual. Soluções que passem por forçar credores e “mentores financeiros” – vulgo troika – a permitirem a adopção de medidas que não destruam por completo o tecido económico nacional. Para que tal possa acontecer os três partidos da esquerda têm de ser capazes de negociar uma plataforma comum de entendimento em nome dos cidadãos, em nome do patriotismo, em nome do povo anónimo, em nome de Portugal.

 

O PCP está “trancado” atrás de um reduto ideológico que nem o leva ao Poder – pelo menos pelas vias democráticas usuais entre nós – nem lhe permite entender-se com o PS. Esse “reduto” consubstancia-se na negação de conversações com a troika e na não-aceitação do memorando. O Bloco de Esquerda parece estar disponível para gerar pontes de entendimento com o PS e com o PCP o que, em boa verdade, o flexibiliza para a prática de uma política que poderá ir da não-aceitação do memorando até à negociação de alternativas com as entidades externas de forma a aliviar a tensão do momento; a postura do BE parece depender do interlocutor que for eleito como aliado. O PS encontra-se, também, “enclausurado” na posição de não aceitar as exigências do PCP e de não desejar fazer cedências ao BE que permitam a este agrupamento político ganhar mais relevância nacional do que aquela que tem. Tal atitude empurra-o para a necessidade de acabar por ceder às exigências externas, sendo, necessariamente, levado à prática de uma política bastante semelhante à da coligação governamental.

 

Em face do exposto, quer-me parecer que, com exclusão do BE – acreditando que não me engano – os dois mais importantes partidos da oposição estão, cada um a seu modo, a laborar, sem o confessarem, na política errada de “quanto pior, melhor”. E esta conclusão resulta de admitir e aceitar que o PS está radicalmente disposto a não avalizar as políticas do Governo.

 

Pessoalmente, parece-me, os Portugueses merecem mais e melhor dos partidos da oposição, em nome da salvação nacional.

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por Luís Alves de Fraga às 10:11



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