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Fio de Prumo


Domingo, 11.12.16

O Segredo

 

Todas as famílias têm os seus segredos. Segredos que só os “iniciados” podem partilhar e discutir entre si. E os “iniciados” são, geralmente, os adultos, os que viveram os acontecimentos e quem garante que o segredo continua a ser segredo.

Ora, para que um segredo possa continuar a ser segredo, é preciso que haja absoluta certeza de que as conversas sobre o segredo ficam secretas e restritas ao grupo que tem liberdade para falar dele.

É essa restrição, que dá a liberdade para se poder discutir em família o segredo da família, ouvindo todas as opiniões sobre o assunto sem qualquer limitação, porque se sabe que o segredo, e o que se pensa sobre ele, não é divulgado fora daquele círculo familiar.

Querem ver que as famílias são, afinal, todas elas, sem excepção, sociedades secretas? Querem ver que temos “maçonarias” em vez de famílias normais? Querem ver que todos aqueles que se recusam a aceitar as sociedades ditas secretas as cultivam no seio da família?

Isto dá que pensar, não dá?

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por Luís Alves de Fraga às 11:30

Quinta-feira, 08.12.16

Uma Perspectiva Histórica

 

Depois do referido, mas, quanto a mim, pouco meditado, 25 de Abril de 1974 "nasceu", pela mão de alguns antigos deputados da Assembleia Nacional, do Estado Novo, dos denominados "ala liberal", o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde rebaptizado como Partido Social-Democrata (PSD).

 

Será bom reflectir sobre o primeiro nome daquele agrupamento.

Diz o conhecimento empírico comum que, quando se pretende fazer acreditar numa determinada ideia ela deve ser repetida até à exaustão. Assim, para um partido que nasceu como necessidade de encaixar na nova realidade política de 1974 uma elite que vinha do passado fascista, nada melhor se apresentava do que chamar-lhe "Popular". Escondia-se-lhe a marca de origem ou o sinal identificador. Mas, para que não restassem dúvidas quanto à adesão ao novo ideário "imposto" pelo Movimento das Forças Armadas e aceite pelo povo anónimo, acrescentou-se-lhe o retumbante e vulgarizado, então, "Democrático".

 

Foi deste modo que muita gente, em Portugal, receosa da democracia, tão insistentemente condenada por Salazar e os seus apaniguados, por impossível de implantar entre nós, porque sofríamos de "menoridade política congénita", optou por se "resguardar" naquele "bastião" "popular e democrático" fundado por gente que havia servido uma duvidosa, mas desejada, "Primavera" política do fascismo, que travestiu o velho Estado Novo com o uso de uma liberdade altamente condicionada, "concedida" por Marcelo Caetano, sucessor do "homem de Santa Comba Dão". E essa "cultura" política do PSD subsistiu ao longo dos anos e germinou, para dar fruto, no consolado do Primeiro-Ministro Cavaco Silva.

 

É uma cultura que continua ali, como vimos até há pouco mais de um ano, impávida, pétrea, frígida, a resguardar o pensamento conservador da "ala liberal" da fascista Assembleia Nacional do Estado Novo.

 

Creio que se impõe dizer aos Homens jovens qual a origem do PSD que, sendo lobo, se veste com pele de cordeiro, para os arregimentar para as fileiras do grupo político mais tendencialmente próximo de uma solução pró-ditatorial, já que o minoritário CDS/PP é o seu "desdobramento" desavergonhado mais à direita, também disfarçado com a indispensáveis adjectivação "popular" e "democrático".

 

A História serve para contar e explicar e, neste momento, acabei de fazer História e não Política.

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por Luís Alves de Fraga às 19:49

Domingo, 27.11.16

Na morte de Fidel Castro, a pergunta: liberdade ou liberdades?

 

Porque o meu Pai, embora nascido em Monarquia, cresceu na República, a 1.ª, entenda-se, e viveu, até aos dezanove anos de idade, em democracia parlamentar, eu interroguei-o, várias vezes, sobre o que era a liberdade e como é que ela, na prática, se geria. Ficou-me, dessas conversas, uma frase que vejo e oiço repetida por muita gente:

— A nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros.

Cresci a pensar assim. Exactamente assim. Depois dos meus estudos de politologia conclui que vivera, até então, numa meia verdade, numa quase falácia. É isso que vou tentar explicar em poucas palavras.

 Se a minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros eu estou a defender o sistema de liberdade mais limitativo da liberdade que se pode imaginar!

Vejamos, quanto maior for a minha liberdade, mais pequena será a dos outros e, aí sim, a minha liberdade é magnífica! Mas os outros pensarão o mesmo e, nesse caso, o sistema terá a figura de uma selva onde se luta por alargar a liberdade individual à custa da redução da de todos.

Como se percebe, esta definição de limites da liberdade só pode existir num regime que privilegie o individual. Esta será a liberdade do liberalismo onde o limite de crescimento é aquele que cada um for capaz de alcançar. Por conseguinte, esta liberdade é a do regime capitalista, onde o bem primeiro da sociedade reside na pessoa e nas suas capacidades. Assim, em capitalismo, teoricamente, eu posso desejar tudo, dizer tudo, fazer tudo, desde que não contunda com os interesses dos outros. E, neste caso, interesses passam a ser direitos.

 Vejamos agora o conceito de liberdade num regime que zele pelo bem-comum sem privilegiar o individual, mas tenha como cuidado defender o colectivo.

A liberdade individual, neste caso, deverá ser limitada em função da comunidade. E as regras têm de ser muito bem definidas, pois toda a atitude que extravase os limites estabelecidos vai esmagar o colectivo. Esta é a liberdade dos regimes que falam, legislam ou funcionam em nome da comunidade. Esta era a liberdade do Estado Novo, de Salazar, porque, seguindo o slogan desses tempos — «Tudo pela Nação, nada contra a Nação» —, por cima do indivíduo estava o colectivo nacional.

 Como se vê, são liberdades diferentes, que provêm de regimes diferentes e têm objectivos diferentes. As perseguições em Cuba, das quais se acusa Fidel Castro, eram feitas em nome da defesa do colectivo e tiveram, e têm, a legitimidade da revolução socialista, ou seja, colectivista. Quem as critica é porque, necessariamente, está integrado, defende e aceita o sistema individualista da sociedade.

E como se explica o regime de Salazar?

Simples! Tal como o fascismo italiano, teoricamente existia para gerar o bem de todos, mas só beneficiava, efectivamente, uma clique cujos limites eram estabelecidos pelo ditador.

 Acho que fui suficientemente claro e sintético para se perceber que há liberdades diferentes, porque há regimes diferentes — os individualistas e os colectivistas — e, consequentemente, há também conceitos diferentes de democracia em cada um deles.

Só percebendo estes particularismos da Política se pode perceber a grandeza de Fidel Castro ou a tirania do Comandante. E grandeza e tirania resultam da aceitação ou recusa do modelo político por ele posto em marcha, depois do derrube de uma ditadura corrupta e completamente enfeudada ao grande capital dos EUA.

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por Luís Alves de Fraga às 18:26

Sábado, 26.11.16

Fidel Castro

 

Morreu o homem que ousou desafiar os EUA mesmo geograficamente pegado ao território da grande potência. Morreu o líder de uma revolução que empolgou os rapazes da minha juventude. Morreu o homem que abandonou a farda da revolução para passar a vestir um fato de treino.
Morreu, e não sei o que dizer mais, neste momento. Só sei que morreu alguém que marcou, pelo menos, uma geração com sonhos de criar uma sociedade justa. Não a criou, mas gerou um país onde a cultura chegou onde nunca chegaria, se se mantivesse no caminho anterior.
Morreu um homem com defeitos e virtudes, que influenciaram opiniões acerca dele. Morreu e desejo que fique em paz.
Um dia, com mais calma, voltarei a falar de Fidel Castro.
Hasta siempre, Comandante!

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por Luís Alves de Fraga às 12:05

Domingo, 25.09.16

Durão Barroso

 

Vai larga a informação sobre os entendimentos passados entre Durão Barroso e o monstro da banca mundial.

O tipo sempre se deu bem com eles, sempre lhes fez favores, sempre os chamou para negociatas. Pelos vistos, também mantinha conversações privilegiadas com eles quando era presidente da Comissão Europeia.

 

Cumpriu rigorosamente todos os requisitos impostos até aceitar um novo emprego nesse banco que se parece com um polvo com milhares de braços. Cumpriu, mas aceitou! E, se tivesse dois dedos de vergonha na cara, não aceitava!

 

Não se trata de limitar a liberdade de escolha de um cidadão. Trata-se de um cidadão que desempenhou funções especiais, de uma alta responsabilidade e que está de posse do conhecimento de assuntos que nem passam pela cabeça de qualquer comum mortal. Barroso vale pelas informações de que se lembra, pelos contactos que pode estabelecer.

 

Este homem, com a idade que tem e os proventos que teve e pode vir a ter, deveria recolher-se e afastar-se da teia das intrigas mundiais e, por exemplo, limitar-se a fazer conferências e palestras pagas em universidades e centros de decisão. E não viveria nada mal.

 

Mas este homem é ambicioso e vaidoso. Quer continuar a exercer o seu poder, a sua capacidade de intervenção. Não se quer apagar. E, assim, tem de pagar o preço dessa presença numa certa ribalta. Não pode querer ter, como diz o nosso bom Povo, sol na eira e chuva no nabal.

 

Não tenho pena dele, nem considero que lhe estão a cortar direitos. Estão a "acertar-lhe o passo", recordando-lhe que se está a "vender" a quem não deve. O resto é com ele e com a sua falta de consciência, a sua falta de modéstia, a sua incapacidade de se remeter a um apagamento que lhe ficava muito bem! Está a ter a atitude pacóvia do "novo rico" que não quer perder nada e não sabe parar onde e quando deve parar.

 

Ninguém o vai recordar e se for lembrado sê-lo-á pelas piores razões.

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por Luís Alves de Fraga às 11:44

Sexta-feira, 23.09.16

Emprego e trabalho

 

Há já alguns anos ando a dizer, para quem me quer ouvir, que os empregos, hoje em dia, são raros, mas abundam os trabalhos.

 

Se por emprego se entender aquele trabalho que se faz em concordância com as habilitações académicas obtidas, com o gosto pelo que se executa e no qual se entra e do qual não se sai com facilidade, então, isso é, em Portugal, cada vez mais raro.

Entre nós, embora se diga comummente que não, ainda há muito trabalho! Porque trabalho é diferente de emprego. Trabalho é alguma coisa onde se aplicam as nossas capacidades intelectuais e ou físicas para se ganhar dinheiro e que se espera mudar para onde se alcance melhor remuneração e se esteja mais próximo de ter um emprego.

 

Trabalho é fazer honestamente o que seja necessário para obter pagamento. E trabalho é coisa que ainda há em Portugal e só falta para quem é esquisito e procura, contra tudo e contra todos, um emprego.

 

E as coisas correm mal entre nós, porque temos uma tremenda cultura de vaidade que, ao invés de diminuir, com a democracia aumenta brutalmente!

Vaidade foi o que eu disse, e não volto atrás!

 

Prefere-se um emprego de balcão a atender clientes, sendo mal pago, do que fazer trabalho doméstico melhor remunerado! Prefere-se ficar desempregado a ter de sujar as mãos a lavar ruas! Prefere-se esperar por um trabalho num escritório, mesmo que seja a fazer trabalhos desinteressantes, a servir a um balcão ou à mesa de um restaurante.

É este “prefere-se” que define a vaidade dos Portugueses! Porque importante é o que se diz que se faz e não o fazer seja o que for – honesto – para se ganhar o pão de cada dia! Ser cantoneiro e andar a aparar relva não é trabalho que alguém nascido em casa onde não faltou dinheiro possa fazer! Ser cantoneiro é trabalho para quem nunca passou do quinto ou sexto ano de escolaridade! É para quem nasceu num lar de gente “humilde” e não para quem nasceu “remediado”!

 

É a isto que eu chamo cultura de vaidade! Vaidade é esta coisa de “encher a boca” com títulos académicos ou profissões “bem vistas”! Continuamos, a este nível, exactamente como estávamos no último quartel do século XIX… E para isto contribuiu muito o regime salazarista, a ditadura. A tradição bacoca de antigamente.

Ainda me recordo do tempo em que se tinha de pedir autorização, na tropa, para casar e de publicar, na Ordem de Serviço, coisas como estas:

“Está autorizado a casar-se com a Senhora D. Fulana de Tal o oficial abaixo indicado…”

“Está autorizado a casar-se com a senhora Beltrana o sargento abaixo indicado…”

“Está autorizado a casar com Cicrana o soldado abaixo indicado…”

 

Portugal era assim até há cinquenta anos! Era um país de “nobres” e “plebeus”. A democracia veio revolucionar esta situação… os “plebeus” quiseram ser todos “nobres” e, continuando com a cultura de vaidade, em vez de se premiar o trabalho e o ganhar honestamente o salário, aceita-se e amplia-se disparatadamente o inverso!

 

Só tudo terá mudado quando, em Portugal, o canalizador, o pedreiro ou o carpinteiro chegarem ao fim do dia, e depois de terem tomado o banho e terem vestido fato de bom corte, forem assistir regalados ao espectáculo de ballet, de ópera ou de teatro, ficando sentados ao lado do advogado de sucesso ou do médico em moda. Nessa altura, no nosso país, passou a dignificar-se o labor e não o cargo, o título, ou o canudo. Passou a ter dignidade o Homem!

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por Luís Alves de Fraga às 12:06

Quinta-feira, 22.09.16

Exportar

 

Dizem - e é verdade - os economistas que a salvação de Portugal é ampliar as exportações. Mas o que eles não dizem é que, quase tudo no nosso país, é anémico!

 

Há uma anemia que herdámos por termos nascido geograficamente aqui. Este aqui é o pedaço de Península que nos coube em sorte. Mas este aqui tem uma potencialidade que nos salvou durante quinhentos e cinquenta anos: a costa marítima virada ao Atlântico, mesmo no sítio por onde passa toda a navegação que vai a caminho da Europa central e do norte e a caminho do Atlântico sul. Era muito pior se tivéssemos costas para o Mediterrâneo!

Ora, combater a anemia nacional não pode ser através de fazer o que nem o engenho dos Portugueses consegue nem as oportunidades nos oferecem. Combater a anemia nacional passa por, teimosamente, nos voltarmos a impor no mar com navios de transporte de longa distância. A maior percentagem de comércio ainda é a marítima. E vai continuar a ser.

 

Há quase cem anos, Afonso Costa, o arquitecto da nossa beligerância, o único político da 1.ª República com estatuto de estadista, conseguiu, na Conferência da Paz, que fossem dados a Portugal, como compensação de guerra, navios suficientes para formar quatro companhias, duas das quais cresceram até 1975 - a Nacional de Navegação e a Colonial de Navegação - e, assim, possibilitar uma sobrevivência com larga margem de autonomia.

 

É no mar e no comércio marítimo que está a saída da anemia nacional. Não temos espaço para essa política enquanto estivermos espartilhados pelas disposições europeias, porque na Europa residem grandes companhias de navegação que não aceitam concorrências.

 

Disto os nossos economistas não falam. Não falam, porque não sabem ou sabem bem demais que não devem falar.

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por Luís Alves de Fraga às 11:43

Terça-feira, 20.09.16

Começou o inevitável

 

Quando António Costa resolveu fazer um acordo de incidência parlamentar com o PCP e com BE, firmando toda a esquerda como maioria democrática, concretizou-se o que devia ter tido lugar nos distantes anos de setenta e oitenta do século passado, na altura em que, realmente, sem a abstenção de agora, o país votava à esquerda, mas o PS jogava à direita, entendendo-se com o PPD/PSD. O medo atávico do comunismo - uma vitória de Oliveira Salazar depois de morto e enterrado - empurrou o PS para o centro-direita e impediu-o de fazer uma política de esquerda, porque, das duas uma: ou o PS era de esquerda e mostrava a sua face social-democrata, fazendo uma política onde imperava o socialismo democrático, e assim esvaziava de conteúdo ideológico o PPD/PSD, ou fazia, como fez, uma política de centro e dava conteúdo e razão de ser ao tal PPD/PSD de Sá-Carneiro. E o que era esse partido dito popular e democrático? Somente o refúgio de todos os que tinham medo da democracia, mas desejavam-na de maneira envergonhada. Ou seja, ideologicamente não eram nada! Eram o medo herdado de quarenta e oito anos de fascismo.

 

E porque António Costa aceitou o que ideologicamente devia ser e estava certo, eis que Passos Coelho anda à deriva sem ser capaz de encontrar um rumo para o PSD que, efectivamente, não tem espaço nem conteúdo para existir. Mas nisto também tenho de louvar o PCP e o BE que aceitaram apoiar, no que é possível para eles apoiar, o PS.

Mantenha-se a "geringonça" a funcionar e teremos, mais dia menos dia, o PSD reduzido a nada, porque quem é de direita vai para o CDS e quem aceita a democracia social vai para o PS.

 

Estamos a viver um momento crucial e é preciso que Passos Coelho e a sua equipa de inabilidosos fique mais tempo à frente do PSD para permitir a sua desarticulação. Mas é preciso que o entendimento dentro do PS com os parceiros da sua esquerda se mantenha para que haja tempo para reagrupar o que devia estar agrupado há quarenta e dois anos.

 

Abramos os olhos e vejamos sem medos o que deve ser visto, porque começou o inevitável.

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por Luís Alves de Fraga às 22:47

Terça-feira, 20.09.16

O que devia ter sido e não foi

 

Anda por aí um grande desassossego por causa do que disse, no seio do Partido Socialista (PS), a Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda (BE).

 

Por enquanto, o que ela disse não indicia mal nenhum, nem nada de grave. O que ela disse, por outras palavras e noutra altura, já deveria ter sido dito pelo PS há muito tempo. Foi preciso a ajuda do Governo PSD/CDS para agora toda a gente perceber que ser socialista não é ser uma espécie de PSD com um discurso mais à esquerda e uma prática mais à direita.

 

Talvez quinhentos mil euros de valor matricial seja uma verba ainda baixa e atinja quem não deve ser atingido. E que tal um milhão de valor patrimonial? É uma verba mais redonda e abrange aqueles que fogem a todos os investimentos por cá e os vão fazer no estrangeiro.

 

O socialismo democrático é isto mesmo: ir buscar dinheiro, através de taxas fiscais, àqueles que o têm para redistribuir socialmente por todos. Ah, mas é pouco! Não interessa o valor! O que interessa é a "cultura" política que assim se estabelece.

Entre nós há uma "cultura", que eu chamo anti-automóvel. Porquê? Porque quando é preciso arranjar dinheiro rápido aumenta-se o preço dos combustíveis, fazendo crer que quem tem automóvel é rico! Pois que se crie a "cultura" fiscal de sacar dinheiro a quem possui património imobiliário com valor significativo!

 

E não venham uns artistas dizer que assim se afasta o investimento em Portugal. Não venham, porque estão só a fazer rugir um tigre de papel. De papel?! Exactamente.

Quem é que garante a esses senhores ou seja a quem for que os proprietários de imóveis com elevado valor patrimonial, para além dos imóveis, investem em seja mais o que for em Portugal? É que investir a comprar imóveis é muito pouco! Paga uma vez e, para além do evidente IMI, não paga mais vez nenhuma. Isso não é investimento, a não ser que se queira vender imóveis e se fique satisfeito! Investir é comprar acções em companhias portuguesas, é criar emprego em Portugal, é aumentar o parque industrial nacional, é fazer com que as exportações cresçam. Isso é que é investir. Ora, para que haja investimento tem de se agilizar a justiça e reduzir a nada a burocracia. Mas disto não falam os que têm medo da fuga do investimento por causa de uma taxa fiscal sobre riqueza imobiliária! Disto não fala o Fernando Medina, edil de Lisboa, gestor da mais pesada máquina burocrática do país! É o falas! Fala é de vender imóveis na Baixa pombalina a estrangeiros ricos, de modo a que o IMI recolhido lhe alimente a megalomania florestal das ruas da cidade!

 

A medida preconizada e muito bem classificada de socialista só peca por chegar tarde. Na minha opinião, está bem de ver...

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por Luís Alves de Fraga às 10:40

Quarta-feira, 14.09.16

Ir à escola

 

É muito bonito o que os membros do Governo fizeram indo à escola no dia do início das aulas. Muito bonito! Mas - estes mas são tramados! - o pior é que durante o resto do ano lectivo a escola entra no esquecimento destes governantes. Vai-se à escola para animar alunos e professores, mas, também, para ficar na fotografia!

 

E por falar em professores, será que os ministros sabem que estes agentes da transmissão do conhecimento são cada vez menos isso mesmo para passarem a ser uns burocratas encartados, que por acaso - e não estou a exagerar - também dão aulas?

Sabem os ministros e sabem os cidadãos que os professores têm uma carrada de papéis para preencher enquanto dão aulas, atendem os pais dos alunos, vigiam provas, corrigem trabalhos e pensam em métodos para melhor entusiasmar uma população estudantil que, cada vez mais, está interessada nos telemóveis que os pais lhes compram e nos jogos electrónicos que podem fazer quando estão fora das vistas e das autoridades dos docentes?

 

O velho professor do liceu que era também escritor, investigador, autor de livros de exercícios, etc. desapareceu completamente. Esse mestre, que era dono de muito do seu tempo e que com isso enriquecia a suas aulas, já não existe! Não existe, porque, desde os directores das escolas aos funcionários do Ministério, toda a gente acha que o professor, porque tinha tempo disponível, era um privilegiado! Que estupidez e que gente e país tão mesquinho!

 

O professor precisa de tempo para aprender, porque só quando sabe muito é que se torna num mestre. E um bom mestre desperta nos alunos - em alguns - desejos de competência. Portugal precisa de professores e de alunos competentes e não de gente que cumpre horário só para se dizer que está no local de trabalho.

 

Senhores ministros vão mais vezes à escola e falem com os professores. Mas falem, não em conversa de circunstância, para perceberem os dramas de quem ensina.

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por Luís Alves de Fraga às 12:33


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