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Fio de Prumo


Domingo, 25.09.16

Durão Barroso

 

Vai larga a informação sobre os entendimentos passados entre Durão Barroso e o monstro da banca mundial.

O tipo sempre se deu bem com eles, sempre lhes fez favores, sempre os chamou para negociatas. Pelos vistos, também mantinha conversações privilegiadas com eles quando era presidente da Comissão Europeia.

 

Cumpriu rigorosamente todos os requisitos impostos até aceitar um novo emprego nesse banco que se parece com um polvo com milhares de braços. Cumpriu, mas aceitou! E, se tivesse dois dedos de vergonha na cara, não aceitava!

 

Não se trata de limitar a liberdade de escolha de um cidadão. Trata-se de um cidadão que desempenhou funções especiais, de uma alta responsabilidade e que está de posse do conhecimento de assuntos que nem passam pela cabeça de qualquer comum mortal. Barroso vale pelas informações de que se lembra, pelos contactos que pode estabelecer.

 

Este homem, com a idade que tem e os proventos que teve e pode vir a ter, deveria recolher-se e afastar-se da teia das intrigas mundiais e, por exemplo, limitar-se a fazer conferências e palestras pagas em universidades e centros de decisão. E não viveria nada mal.

 

Mas este homem é ambicioso e vaidoso. Quer continuar a exercer o seu poder, a sua capacidade de intervenção. Não se quer apagar. E, assim, tem de pagar o preço dessa presença numa certa ribalta. Não pode querer ter, como diz o nosso bom Povo, sol na eira e chuva no nabal.

 

Não tenho pena dele, nem considero que lhe estão a cortar direitos. Estão a "acertar-lhe o passo", recordando-lhe que se está a "vender" a quem não deve. O resto é com ele e com a sua falta de consciência, a sua falta de modéstia, a sua incapacidade de se remeter a um apagamento que lhe ficava muito bem! Está a ter a atitude pacóvia do "novo rico" que não quer perder nada e não sabe parar onde e quando deve parar.

 

Ninguém o vai recordar e se for lembrado sê-lo-á pelas piores razões.

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por Luís Alves de Fraga às 11:44

Sexta-feira, 23.09.16

Emprego e trabalho

 

Há já alguns anos ando a dizer, para quem me quer ouvir, que os empregos, hoje em dia, são raros, mas abundam os trabalhos.

 

Se por emprego se entender aquele trabalho que se faz em concordância com as habilitações académicas obtidas, com o gosto pelo que se executa e no qual se entra e do qual não se sai com facilidade, então, isso é, em Portugal, cada vez mais raro.

Entre nós, embora se diga comummente que não, ainda há muito trabalho! Porque trabalho é diferente de emprego. Trabalho é alguma coisa onde se aplicam as nossas capacidades intelectuais e ou físicas para se ganhar dinheiro e que se espera mudar para onde se alcance melhor remuneração e se esteja mais próximo de ter um emprego.

 

Trabalho é fazer honestamente o que seja necessário para obter pagamento. E trabalho é coisa que ainda há em Portugal e só falta para quem é esquisito e procura, contra tudo e contra todos, um emprego.

 

E as coisas correm mal entre nós, porque temos uma tremenda cultura de vaidade que, ao invés de diminuir, com a democracia aumenta brutalmente!

Vaidade foi o que eu disse, e não volto atrás!

 

Prefere-se um emprego de balcão a atender clientes, sendo mal pago, do que fazer trabalho doméstico melhor remunerado! Prefere-se ficar desempregado a ter de sujar as mãos a lavar ruas! Prefere-se esperar por um trabalho num escritório, mesmo que seja a fazer trabalhos desinteressantes, a servir a um balcão ou à mesa de um restaurante.

É este “prefere-se” que define a vaidade dos Portugueses! Porque importante é o que se diz que se faz e não o fazer seja o que for – honesto – para se ganhar o pão de cada dia! Ser cantoneiro e andar a aparar relva não é trabalho que alguém nascido em casa onde não faltou dinheiro possa fazer! Ser cantoneiro é trabalho para quem nunca passou do quinto ou sexto ano de escolaridade! É para quem nasceu num lar de gente “humilde” e não para quem nasceu “remediado”!

 

É a isto que eu chamo cultura de vaidade! Vaidade é esta coisa de “encher a boca” com títulos académicos ou profissões “bem vistas”! Continuamos, a este nível, exactamente como estávamos no último quartel do século XIX… E para isto contribuiu muito o regime salazarista, a ditadura. A tradição bacoca de antigamente.

Ainda me recordo do tempo em que se tinha de pedir autorização, na tropa, para casar e de publicar, na Ordem de Serviço, coisas como estas:

“Está autorizado a casar-se com a Senhora D. Fulana de Tal o oficial abaixo indicado…”

“Está autorizado a casar-se com a senhora Beltrana o sargento abaixo indicado…”

“Está autorizado a casar com Cicrana o soldado abaixo indicado…”

 

Portugal era assim até há cinquenta anos! Era um país de “nobres” e “plebeus”. A democracia veio revolucionar esta situação… os “plebeus” quiseram ser todos “nobres” e, continuando com a cultura de vaidade, em vez de se premiar o trabalho e o ganhar honestamente o salário, aceita-se e amplia-se disparatadamente o inverso!

 

Só tudo terá mudado quando, em Portugal, o canalizador, o pedreiro ou o carpinteiro chegarem ao fim do dia, e depois de terem tomado o banho e terem vestido fato de bom corte, forem assistir regalados ao espectáculo de ballet, de ópera ou de teatro, ficando sentados ao lado do advogado de sucesso ou do médico em moda. Nessa altura, no nosso país, passou a dignificar-se o labor e não o cargo, o título, ou o canudo. Passou a ter dignidade o Homem!

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por Luís Alves de Fraga às 12:06

Quinta-feira, 22.09.16

Exportar

 

Dizem - e é verdade - os economistas que a salvação de Portugal é ampliar as exportações. Mas o que eles não dizem é que, quase tudo no nosso país, é anémico!

 

Há uma anemia que herdámos por termos nascido geograficamente aqui. Este aqui é o pedaço de Península que nos coube em sorte. Mas este aqui tem uma potencialidade que nos salvou durante quinhentos e cinquenta anos: a costa marítima virada ao Atlântico, mesmo no sítio por onde passa toda a navegação que vai a caminho da Europa central e do norte e a caminho do Atlântico sul. Era muito pior se tivéssemos costas para o Mediterrâneo!

Ora, combater a anemia nacional não pode ser através de fazer o que nem o engenho dos Portugueses consegue nem as oportunidades nos oferecem. Combater a anemia nacional passa por, teimosamente, nos voltarmos a impor no mar com navios de transporte de longa distância. A maior percentagem de comércio ainda é a marítima. E vai continuar a ser.

 

Há quase cem anos, Afonso Costa, o arquitecto da nossa beligerância, o único político da 1.ª República com estatuto de estadista, conseguiu, na Conferência da Paz, que fossem dados a Portugal, como compensação de guerra, navios suficientes para formar quatro companhias, duas das quais cresceram até 1975 - a Nacional de Navegação e a Colonial de Navegação - e, assim, possibilitar uma sobrevivência com larga margem de autonomia.

 

É no mar e no comércio marítimo que está a saída da anemia nacional. Não temos espaço para essa política enquanto estivermos espartilhados pelas disposições europeias, porque na Europa residem grandes companhias de navegação que não aceitam concorrências.

 

Disto os nossos economistas não falam. Não falam, porque não sabem ou sabem bem demais que não devem falar.

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por Luís Alves de Fraga às 11:43

Terça-feira, 20.09.16

Começou o inevitável

 

Quando António Costa resolveu fazer um acordo de incidência parlamentar com o PCP e com BE, firmando toda a esquerda como maioria democrática, concretizou-se o que devia ter tido lugar nos distantes anos de setenta e oitenta do século passado, na altura em que, realmente, sem a abstenção de agora, o país votava à esquerda, mas o PS jogava à direita, entendendo-se com o PPD/PSD. O medo atávico do comunismo - uma vitória de Oliveira Salazar depois de morto e enterrado - empurrou o PS para o centro-direita e impediu-o de fazer uma política de esquerda, porque, das duas uma: ou o PS era de esquerda e mostrava a sua face social-democrata, fazendo uma política onde imperava o socialismo democrático, e assim esvaziava de conteúdo ideológico o PPD/PSD, ou fazia, como fez, uma política de centro e dava conteúdo e razão de ser ao tal PPD/PSD de Sá-Carneiro. E o que era esse partido dito popular e democrático? Somente o refúgio de todos os que tinham medo da democracia, mas desejavam-na de maneira envergonhada. Ou seja, ideologicamente não eram nada! Eram o medo herdado de quarenta e oito anos de fascismo.

 

E porque António Costa aceitou o que ideologicamente devia ser e estava certo, eis que Passos Coelho anda à deriva sem ser capaz de encontrar um rumo para o PSD que, efectivamente, não tem espaço nem conteúdo para existir. Mas nisto também tenho de louvar o PCP e o BE que aceitaram apoiar, no que é possível para eles apoiar, o PS.

Mantenha-se a "geringonça" a funcionar e teremos, mais dia menos dia, o PSD reduzido a nada, porque quem é de direita vai para o CDS e quem aceita a democracia social vai para o PS.

 

Estamos a viver um momento crucial e é preciso que Passos Coelho e a sua equipa de inabilidosos fique mais tempo à frente do PSD para permitir a sua desarticulação. Mas é preciso que o entendimento dentro do PS com os parceiros da sua esquerda se mantenha para que haja tempo para reagrupar o que devia estar agrupado há quarenta e dois anos.

 

Abramos os olhos e vejamos sem medos o que deve ser visto, porque começou o inevitável.

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por Luís Alves de Fraga às 22:47

Terça-feira, 20.09.16

O que devia ter sido e não foi

 

Anda por aí um grande desassossego por causa do que disse, no seio do Partido Socialista (PS), a Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda (BE).

 

Por enquanto, o que ela disse não indicia mal nenhum, nem nada de grave. O que ela disse, por outras palavras e noutra altura, já deveria ter sido dito pelo PS há muito tempo. Foi preciso a ajuda do Governo PSD/CDS para agora toda a gente perceber que ser socialista não é ser uma espécie de PSD com um discurso mais à esquerda e uma prática mais à direita.

 

Talvez quinhentos mil euros de valor matricial seja uma verba ainda baixa e atinja quem não deve ser atingido. E que tal um milhão de valor patrimonial? É uma verba mais redonda e abrange aqueles que fogem a todos os investimentos por cá e os vão fazer no estrangeiro.

 

O socialismo democrático é isto mesmo: ir buscar dinheiro, através de taxas fiscais, àqueles que o têm para redistribuir socialmente por todos. Ah, mas é pouco! Não interessa o valor! O que interessa é a "cultura" política que assim se estabelece.

Entre nós há uma "cultura", que eu chamo anti-automóvel. Porquê? Porque quando é preciso arranjar dinheiro rápido aumenta-se o preço dos combustíveis, fazendo crer que quem tem automóvel é rico! Pois que se crie a "cultura" fiscal de sacar dinheiro a quem possui património imobiliário com valor significativo!

 

E não venham uns artistas dizer que assim se afasta o investimento em Portugal. Não venham, porque estão só a fazer rugir um tigre de papel. De papel?! Exactamente.

Quem é que garante a esses senhores ou seja a quem for que os proprietários de imóveis com elevado valor patrimonial, para além dos imóveis, investem em seja mais o que for em Portugal? É que investir a comprar imóveis é muito pouco! Paga uma vez e, para além do evidente IMI, não paga mais vez nenhuma. Isso não é investimento, a não ser que se queira vender imóveis e se fique satisfeito! Investir é comprar acções em companhias portuguesas, é criar emprego em Portugal, é aumentar o parque industrial nacional, é fazer com que as exportações cresçam. Isso é que é investir. Ora, para que haja investimento tem de se agilizar a justiça e reduzir a nada a burocracia. Mas disto não falam os que têm medo da fuga do investimento por causa de uma taxa fiscal sobre riqueza imobiliária! Disto não fala o Fernando Medina, edil de Lisboa, gestor da mais pesada máquina burocrática do país! É o falas! Fala é de vender imóveis na Baixa pombalina a estrangeiros ricos, de modo a que o IMI recolhido lhe alimente a megalomania florestal das ruas da cidade!

 

A medida preconizada e muito bem classificada de socialista só peca por chegar tarde. Na minha opinião, está bem de ver...

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por Luís Alves de Fraga às 10:40

Quarta-feira, 14.09.16

Ir à escola

 

É muito bonito o que os membros do Governo fizeram indo à escola no dia do início das aulas. Muito bonito! Mas - estes mas são tramados! - o pior é que durante o resto do ano lectivo a escola entra no esquecimento destes governantes. Vai-se à escola para animar alunos e professores, mas, também, para ficar na fotografia!

 

E por falar em professores, será que os ministros sabem que estes agentes da transmissão do conhecimento são cada vez menos isso mesmo para passarem a ser uns burocratas encartados, que por acaso - e não estou a exagerar - também dão aulas?

Sabem os ministros e sabem os cidadãos que os professores têm uma carrada de papéis para preencher enquanto dão aulas, atendem os pais dos alunos, vigiam provas, corrigem trabalhos e pensam em métodos para melhor entusiasmar uma população estudantil que, cada vez mais, está interessada nos telemóveis que os pais lhes compram e nos jogos electrónicos que podem fazer quando estão fora das vistas e das autoridades dos docentes?

 

O velho professor do liceu que era também escritor, investigador, autor de livros de exercícios, etc. desapareceu completamente. Esse mestre, que era dono de muito do seu tempo e que com isso enriquecia a suas aulas, já não existe! Não existe, porque, desde os directores das escolas aos funcionários do Ministério, toda a gente acha que o professor, porque tinha tempo disponível, era um privilegiado! Que estupidez e que gente e país tão mesquinho!

 

O professor precisa de tempo para aprender, porque só quando sabe muito é que se torna num mestre. E um bom mestre desperta nos alunos - em alguns - desejos de competência. Portugal precisa de professores e de alunos competentes e não de gente que cumpre horário só para se dizer que está no local de trabalho.

 

Senhores ministros vão mais vezes à escola e falem com os professores. Mas falem, não em conversa de circunstância, para perceberem os dramas de quem ensina.

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por Luís Alves de Fraga às 12:33

Domingo, 11.09.16

Estou a perceber bem?!

 

Em declarações recentes, os responsáveis políticos pela educação superior, dizem que é preciso “empurrar” todos os alunos que acabam o ensino secundário para universidades e politécnicos. Ora, tal desejo faz-me uma tremenda confusão! Esperem aí, para ver se eu percebo!

 

Vossas Excelências acham que todos os alunos que acabam o 12.º ano devem frequentar cursos superior? É isso?

Se é isso, algum de nós está a ver mal o problema, pois deve estar a chamar “superior” àquilo que eu não chamo ou, chamando, e bem, está à espera que os canos se arranjem sozinhos, que os prédios se construam por si mesmos, que os móveis se façam sem intervenção de mão-de-obra humana! Será isso?

Ou será que para esses trabalhos “menores” (pensarão, se calhar, Suas Excelências) devem ir todos os indivíduos jovens incapazes de acabar qualquer tipo de ensino? Ou será que estão à espera dos imigrantes?

 

Há aqui muita coisa que me ultrapassa!

Uma, que, parece-me, está a acontecer é pretender baixar o nível cognitivo dos cursos superiores — para isso já contribuiu a redução do número de anos para se obter o grau de licenciado e mais todo o esquema dos chamados ciclos do ensino superior que, feitas as contas, transformam um finalista do ensino secundário, dez anos depois, num doutor (com todas as letras) — e outra é não se perceber que somos poucos (já quase não chegamos a dez milhões) para nos distribuirmos por tudo o que há a fazer!

 

Ah, pois é! É que temos licenciados a mais! Temos uma péssima distribuição da população com idades compreendidas entre vinte e cinco e cinquenta e cinco anos, visto que, sem ter de me socorrer de números estatísticos, posso afirmar ser excessivo o peso percentual de licenciados, neste escalão da população. Mas isto não quer dizer que os licenciados estejam a desempenhar funções compatíveis com a sua formação! E é aqui que está a entorse social, porque se continua a fazer um discurso a apontar para a distorção.

 

Tenhamos a coragem, uma vez por todas, de ser capazes de chamar os bois pelos nomes!

Em Portugal o Estado sustenta universidades a mais! Sustenta um excessivo número de institutos politécnicos!

Deixem ao ensino superior privado a possibilidade de satisfazer os desejos das famílias, gerando entorses que são da responsabilidade dessas mesmas famílias, mas que lhes vão custar dinheiro. O Estado não pode ser o “animador” da entorse!

Tem de haver padeiros, sapateiros, operários que não sejam intelectualmente o rebotalho de todos os que andaram na escola e, quando se reclama um maior ingresso no ensino superior, é a isso que se está a condenar parte do tecido social jovem. Condenam-se os trabalhadores braçais e manuais à condição de rebotalho!

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por Luís Alves de Fraga às 20:16

Sábado, 03.09.16

Quadrados

 

Coloquei a mim próprio uma questão que aflige a dirigente do Bloco de Esquerda e, até, o Partido Comunista Português: as parcerias público-privadas (PPP) na saúde são comparáveis ao que se passava (passa ainda em alguns casos) na educação?

 

Para além do modelo ser semelhante - intervenção de privados na área de uma obrigação pública - parece-me, nada mais se assemelha!

Nas escolas há pagamento de taxas moderadoras incomportáveis por uma boa parte das bolsas portuguesas?

Nas escolas há atrasos na avaliação dos alunos?

Nas escolas há incapacidades de sentar os alunos?

Numa palavra: as escolas estão a rebentar pelas costuras?

 

Mas o panorama nos hospitais públicos é diferente. Muito diferente.

Então por que é que devo tratar o que não é igual como se fosse igual? Só para cumprir perspectivas ideológicas? Para justificar programas partidários?

Tudo isto me faz muita confusão por dois motivos:

  1. Os efeitos de medidas governativas na área da saúde repercutem-se de imediato sobre os utentes com resultados que podem ser desastrosos para estes;
  2. Os gastos do Estado com a saúde pública, mesmo que favorecendo entidades privadas, é uma forma de redistribuição pública dos impostos que todos pagamos.

 Assim, julgo, tentando usar de bom-senso, que as reformas nas PPP da saúde terão de ser cautelosas para não afectar toda a população ou uma boa parte dela.

E que tal, em primeiro lugar, rever as PPP nas rodovias?

Será que o contrário de políticas quadradas é a prática de políticas pragmáticas?

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por Luís Alves de Fraga às 10:03

Segunda-feira, 22.08.16

Olimpíadas

 

Acabaram os jogos olímpicos. Viva os jogos olímpicos!

O que me ocorre de momento, depois do espectáculo mundial a partir do Rio de Janeiro e do "espectáculo" nacional, e triste, dos incêndios florestais, é tentar descobrir (sem a ajuda da bola de cristal de quase todos os comentadores de política nacional e ou internacional) qual será o grande "facto" que nos vai prender a atenção, desviando-a dos magnos problemas da humanidade e, em especial, da população portuguesa.

 

Para nós, cá dentro de fronteiras, o grande problema, que se continua a camuflar, é o da falta de investimentos massivos de modo a que a economia possa crescer e reduzir-se a taxa de desemprego. Para Portugal sair deste ramerrão em que nos fomos atolando precisávamos de um imenso euro-milhões para ser encaminhado para a produção continuada ou da possibilidade de o Estado assumir esse papel activo através da opção pelo desenvolvimento de sectores concorrenciais e capazes de dar emprego a muitos milhares  de trabalhadores, agora em casa e peso morto na máquina produtiva nacional.

 

Nada disto se discute, sem ser à porta fechada. Aos órgãos de comunicação social chega a notícia de mais uma nova empresa que deu trabalho a cem, duzentos, duzentos e cinquenta trabalhadores, como se tal fosse uma imensa vitória ou a notícia de uma empresa na área da electrónica, que consegue ser a primeira no seu género em Portugal atingindo elevadas margens de exportação e dando trabalho a meia dúzia de funcionários.

 

Somos uns tristes! E é triste, ao cabo de quarenta e dois anos de fim de ditadura, ver que estamos, em proporção e em sentido relativo, iguais ou, quiçá, piores do que há meio século atrás.

O defeito é estrutural... mas pode ter remédio!

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por Luís Alves de Fraga às 09:32

Sábado, 06.08.16

2.ª Guerra Mundial

 

Ainda há dias me perguntaram se eu me lembrava de alguma coisa da 2.ª Guerra Mundial. Não me recordo de nada estranho ao meu meio familiar a não ser do dia em que acabou o conflito, julgo, na Europa, ou seja, quando a Alemanha se rendeu. Já aqui escrevi sobre esse assunto há bastante tempo.

 

Depois dessa memória distante, só me lembro dos medos da minha Mãe!

Adivinho a interrogativa dos meus leitores. Sim, os medos!

A minha Mãe era uma mulher de coragem, mas tinha medos terríveis. O seu grande pânico era que, de um momento para o outro — não sei bem como — os Alemães chegassem a Lisboa e nos fossem prender — não sei porquê, tanto mais que até nem somos judeus! — e, então, ela já tinha esconderijo para nós! Nada mais nada menos do que no forro da casa. É que, em algumas das divisões, havia clarabóias por onde se podia subir para o forro. Seria lá que a minha saudosa Mãe nos esconderia — a mim, a ela e à minha Irmã, mais velha do que eu sete anos.

Santa inocência! Para não dizer, santa ignorância!

 

Mas e onde estava o meu Pai? Pois, esse era o outro grande medo da minha Mãe! É que o meu Pai andava embarcado no único navio petroleiro que transportava ramas para a refinaria da Sacor, em Cabo Ruivo. Era um petroleiro da Armada e que nem uma miserável peça de artilharia tinha a bordo — era o S. Brás que acabou como navio "logístico" da Armada — e que se tocasse uma mina explodia em menos de um fósforo se acender! E a minha santa Mãe ensinava-me a rezar orações infantis ao Anjo da Guarda para que fosse a minha protecção e a dos que estavam doentes e a dos que andavam no mar. Os olhos enchiam-se-lhe de água e a voz tremia quando assim me instruía na doutrina católica. Que saudades dessa Mulher doce e lacrimosa que me obrigava, com suavidade, a olhar uma estampa de um Anjo da Guarda, que protegia uma criança, metida numa moldura, e que estava pendurada na parede de um dos quartos de nossa casa!

 

Depois vem-me à lembrança outra recordação desses tempos. Aí já não era o medo da minha Mãe, mas a sua tenacidade, a sua preocupação em arranjar para nós o que de melhor podia para pôr na mesa, às refeições. Recordo-me de estar nas filas do racionamento para comprar peixe, julgo eu! Não se vendia em todo o lado. Era preciso ir aos postos abastecedores e lá ficava eu, com o meu irrequietismo, preso na mão firme da minha Mãe, enquanto se esperava por ser atendido.

 

E no dia em que passam setenta e um anos sobre o lançamento da primeira bomba atómica, eis as minhas lembranças da guerra, que foi a grande companheira dos meus tempos de crescimento. Eu não tinha consciência, mas, quando fiz treze anitos só haviam passado nove sobre o fim desse tremendo conflito militar que deixou a Europa de rastos para sempre enquanto potência com comando mundial.

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por Luís Alves de Fraga às 21:05


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