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Fio de Prumo


Segunda-feira, 22.08.16

Olimpíadas

 

Acabaram os jogos olímpicos. Viva os jogos olímpicos!

O que me ocorre de momento, depois do espectáculo mundial a partir do Rio de Janeiro e do "espectáculo" nacional, e triste, dos incêndios florestais, é tentar descobrir (sem a ajuda da bola de cristal de quase todos os comentadores de política nacional e ou internacional) qual será o grande "facto" que nos vai prender a atenção, desviando-a dos magnos problemas da humanidade e, em especial, da população portuguesa.

 

Para nós, cá dentro de fronteiras, o grande problema, que se continua a camuflar, é o da falta de investimentos massivos de modo a que a economia possa crescer e reduzir-se a taxa de desemprego. Para Portugal sair deste ramerrão em que nos fomos atolando precisávamos de um imenso euro-milhões para ser encaminhado para a produção continuada ou da possibilidade de o Estado assumir esse papel activo através da opção pelo desenvolvimento de sectores concorrenciais e capazes de dar emprego a muitos milhares  de trabalhadores, agora em casa e peso morto na máquina produtiva nacional.

 

Nada disto se discute, sem ser à porta fechada. Aos órgãos de comunicação social chega a notícia de mais uma nova empresa que deu trabalho a cem, duzentos, duzentos e cinquenta trabalhadores, como se tal fosse uma imensa vitória ou a notícia de uma empresa na área da electrónica, que consegue ser a primeira no seu género em Portugal atingindo elevadas margens de exportação e dando trabalho a meia dúzia de funcionários.

 

Somos uns tristes! E é triste, ao cabo de quarenta e dois anos de fim de ditadura, ver que estamos, em proporção e em sentido relativo, iguais ou, quiçá, piores do que há meio século atrás.

O defeito é estrutural... mas pode ter remédio!

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por Luís Alves de Fraga às 09:32

Sábado, 06.08.16

2.ª Guerra Mundial

 

Ainda há dias me perguntaram se eu me lembrava de alguma coisa da 2.ª Guerra Mundial. Não me recordo de nada estranho ao meu meio familiar a não ser do dia em que acabou o conflito, julgo, na Europa, ou seja, quando a Alemanha se rendeu. Já aqui escrevi sobre esse assunto há bastante tempo.

 

Depois dessa memória distante, só me lembro dos medos da minha Mãe!

Adivinho a interrogativa dos meus leitores. Sim, os medos!

A minha Mãe era uma mulher de coragem, mas tinha medos terríveis. O seu grande pânico era que, de um momento para o outro — não sei bem como — os Alemães chegassem a Lisboa e nos fossem prender — não sei porquê, tanto mais que até nem somos judeus! — e, então, ela já tinha esconderijo para nós! Nada mais nada menos do que no forro da casa. É que, em algumas das divisões, havia clarabóias por onde se podia subir para o forro. Seria lá que a minha saudosa Mãe nos esconderia — a mim, a ela e à minha Irmã, mais velha do que eu sete anos.

Santa inocência! Para não dizer, santa ignorância!

 

Mas e onde estava o meu Pai? Pois, esse era o outro grande medo da minha Mãe! É que o meu Pai andava embarcado no único navio petroleiro que transportava ramas para a refinaria da Sacor, em Cabo Ruivo. Era um petroleiro da Armada e que nem uma miserável peça de artilharia tinha a bordo — era o S. Brás que acabou como navio "logístico" da Armada — e que se tocasse uma mina explodia em menos de um fósforo se acender! E a minha santa Mãe ensinava-me a rezar orações infantis ao Anjo da Guarda para que fosse a minha protecção e a dos que estavam doentes e a dos que andavam no mar. Os olhos enchiam-se-lhe de água e a voz tremia quando assim me instruía na doutrina católica. Que saudades dessa Mulher doce e lacrimosa que me obrigava, com suavidade, a olhar uma estampa de um Anjo da Guarda, que protegia uma criança, metida numa moldura, e que estava pendurada na parede de um dos quartos de nossa casa!

 

Depois vem-me à lembrança outra recordação desses tempos. Aí já não era o medo da minha Mãe, mas a sua tenacidade, a sua preocupação em arranjar para nós o que de melhor podia para pôr na mesa, às refeições. Recordo-me de estar nas filas do racionamento para comprar peixe, julgo eu! Não se vendia em todo o lado. Era preciso ir aos postos abastecedores e lá ficava eu, com o meu irrequietismo, preso na mão firme da minha Mãe, enquanto se esperava por ser atendido.

 

E no dia em que passam setenta e um anos sobre o lançamento da primeira bomba atómica, eis as minhas lembranças da guerra, que foi a grande companheira dos meus tempos de crescimento. Eu não tinha consciência, mas, quando fiz treze anitos só haviam passado nove sobre o fim desse tremendo conflito militar que deixou a Europa de rastos para sempre enquanto potência com comando mundial.

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por Luís Alves de Fraga às 21:05

Quinta-feira, 04.08.16

Eu e os aviões

 

É público que sou coronel reformado da Força Aérea, embora a minha especialidade não me obrigasse a voar como tripulante. Fui sempre passageiro, salvo raras vezes em que camaradas meus e meus amigos me quiseram pôr, por brincadeira, aos comandos de aeronaves ligeiras. Não tenho receio de espécie alguma em usar os aviões como meio de transporte, mas... Vamos ao mas.

 Desde sempre, quando entro num avião, não rara é a vez que acontece algum incidente, usando a terminologia aeronáutica. Não dou sorte aos voos ou tenho pouca sorte com os voos.

Logo no meu baptismo do ar o avião teve de voltar ao solo, porque o trem de aterragem, embora recolhendo, não bloqueava. Depois, desde viajar no Dakota que teve prestes a cair por ter entrado numa zona de alta turbulência entre cúmulos-nimbos de grande dimensão (acompanhava uma velha glória da Aeronáutica Portuguesa, o general Machado de Barros) e ir aterrar, pela primeira vez e em alternância a Luanda e Nova Lisboa, em Henrique de Carvalho com um Boeing 707, já me aconteceu de tudo.

Na terça-feira, foi mais uma para o rol. Pensava ir passar uns dias na Madeira, em casa de um velho Amigo, irmão quase colaço, e eis que, a poucos minutos do aeroporto de Santa Cruz, perto do Funchal, voltamos para trás, porque estava mau tempo - ventos de rajada - sem poder contar, como alternante, com a pista do Porto Santo. Pacientemente, ontem, mais de vinte e quatro horas depois, com voo marcado para as vinte e uma horas e quinze minutos lá vou para o aeroporto, agora chamado Humberto Delgado, esperar, esperar, esperar, até às vinte e três horas e quarenta. O Funchal estava fechado... aos voos da TAP (segundo informação de Santa Cruz, voos de companhias estrangeiras aterravam lá).

 Pronto, não tinha de ser e, como com questões de sorte, não gosto de "jogar", desisti das férias na Madeira, para grande tristeza minha e do meu Querido Amigo.

No meio disto tudo, resta-me saber se a causa determinante da situação:

  1. a) Foi a minha proverbial má "sorte" com aviões;
  2. b) Foi a incapacidade dos pilotos da TAP em aterrar em Santa Cruz, com rajadas fortes de vento;
  3. c) Foi o excesso de cuidado e zelo da TAP em não arriscar nada;
  4. d) Foi um "joguinho" politiqueiro da TAP com as autoridades da Região Autónoma por causa de questiúnculas às quais todos somos alheios, mas fomos vítimas.

 Adeus Madeira com banhos de mar a vinte e três graus de temperatura... pois, porque nesta idade e com este estatuto, já não entro nas salsas ôndulas que não estejam quentinhas e apropriadas à minha nívea pele de continental de secretária e gabinete!

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por Luís Alves de Fraga às 09:10

Sábado, 30.07.16

Linguagem de caserna

 

Há muitos, muitos anos, era ainda um menino, saído do seio familiar, convivi, no meu crescimento, com jovens à volta da minha idade, no Instituto dos Pupilos do Exército. Sinto orgulho nesse convívio e no facto de ter andado naquela Escola. Éramos uns pequenos militares a preparar-nos para a vida. Entre nós, a linguagem usada não primava pela "boa educação", mas tínhamos cautelas excessivas quando estavam estranhos presentes. O palavrão deixava de ser empregue para não ferirmos ouvidos sensíveis ou susceptíveis e não darmos de nós uma imagem indecorosa. Sabíamos que estava em causa a Casa que nos educava.

Mais tarde, na Academia Militar, todos estes princípios refinaram e, face a uma realidade por mim vivida, passei a definir a situação da seguinte maneira: importante é um oficial militar saber estar na "salinha", na "saleta", no "salão" e, também, na caserna.

A minha linguagem "caserneira" não fica nada a dever à das vendedeiras da ribeira do Porto. Mas só a uso nos locais apropriados. Há quem me julgue incapaz de pronunciar um qualquer palavrão!

Sou altamente crítico de todos aqueles que, na rua, no emprego ou noutro lado qualquer, mas público, desbundam na linguagem utilizada.

Querem chocar quem? Querem provar o quê? Desejam confundir-se com quem?

Afinal, só e somente, para todos os que, como eu, usam a linguagem certa no lugar certo, dão de si uma imagem deplorável, mesmo que invoquem pergaminhos diversos fundamentados no chá bebido em criança.

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por Luís Alves de Fraga às 08:58

Domingo, 24.07.16

Quarenta anos

 

Festejou-se o primeiro Governo constitucional, festejando Mário Soares. Foi bom e foi mau. A História não se altera, explica-se de modo a percebê-la.

Mário Soares formou um Governo minoritário e conseguiu governar. O sonho dele era, já então, apontar Portugal à Europa. Uma mudança estratégica, porque de estratégia se tratava, pois discutia-se a sobrevivência de Portugal. Era uma outra Europa e não esta e Portugal estava a atravessar um período de larguíssimas dificuldades no plano económico interno e externo. Não havia combustível para fazer funcionar o país. Os empréstimos eram galopantes no estrangeiro. Queria-se pôr de pé um qualquer sistema de ampla segurança social. Debatia-se, ainda, o "papão" da viragem para o comunismo. Havia medos e esperanças. Havia, sobretudo, fantasmas. Fantasmas com fundamento e fantasmas criados para fazer passar uma democracia sem prática. Não se procedeu à necessária "dessalarização" dos Portugueses. Ainda se pensava seguindo paradigmas definidos no tempo do fascismo, que foram usados como arma no jogo político. A mentalidade era a da "libertação fascista" sem saber nem conhecer a democracia e os seus limites e obrigações. Os direitos imperavam sobre tudo. Portugal tinha de andar para a frente com quem tinha cá dentro. Sem invocar nacionalismos, que cheiravam a fascismo, nem comunismos que se temiam.

Todos procurámos perceber os desafios, embora muitos os aproveitassem para "render" a seu favor.

Deixou-se de invocar a História, porque era fascismo, e cometeram-se erros graves nesta negação. Só tardiamente se percebeu o que era geopolítico e geoestratégico e, por conseguinte, imutável, porque condicionante.

Mário Soares foi o homem que marcou o compasso da "dança" política que se seguiria até à plena adesão à CEE, tão desejada. Não se salvaguardaram os interesses nacionais mais profundos e ancestrais; acreditou-se numa viragem sem se assegurar o rumo dessa viragem.

Muito está ainda por explicar e por compreender. Falam as recordações e não fala ainda a História, por isso falam ainda as paixões.

Limitamo-nos a festejar, na pessoa de um ancião, o passado. Ele já pertence à História, porque, com todos nós, a fez.

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por Luís Alves de Fraga às 09:50

Segunda-feira, 18.07.16

Ai Marcelo, Marcelo!

 

 

 

Um Coronel com 65 anos.JPG

 

 

Não votei em Marcelo Rebelo de Sousa para nada! Todavia, por imperativo de consciência tenho de me confessar publicamente quase rendido a Marcelo Rebelo de Sousa e arrependido de o não ter feito, porque Marcelo com o comportamento que está a ter como Presidente da República me leva a esta posição.

Explico o último acontecimento que me justifica.

 

O Senhor Presidente da República foi visitar a Base Aérea n.º 6, situada no Montijo, onde tem sede a Esquadra 501.

Esta é a Esquadra do C-130, aquela onde há poucos dias morreram três militares num acidente de voo quando se preparavam para descolar uma destas aeronaves. Até aqui está tudo mais ou menos dentro da normalidade a que o Senhor Presidente da República nos tem habituado. Mas o que vai para além do hábito é que o Senhor Presidente da República, podendo fazê-lo, não recusou, no momento, voar numa aeronave do mesmo tipo daquela em que morreram os meus camaradas.

Desculpe-se-me a informalidade, mas tenho de ser igual a mim mesmo...

 

Porra, Senhor Presidente está a mostrar a todos que merece ser Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas... mesmo não tendo sido militar! Está a dar a todos o exemplo de serviço que se coaduna com o modo de sentir de um verdadeiro militar. Era isto que eu pretendia ensinar nas minhas aulas e lições de Deontologia Castrense, há vinte anos, na Academia da Força Aérea a, todos aqueles que hoje são oficiais da Força Aérea.

 

E, permita-se-me, o que se segue dirigido em discurso directo para o Senhor Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Excelentíssimo Presidente da República, e que ninguém se atreva a criticar, porque critica um velho coronel, que sabe o que diz:

 

— Vossa Excelência está a mostrar que merece conquistar e usar com orgulho as estrelas de Comandante Supremo das nossas Forças Armadas, que, por imperativo da função, lhe cabem.

Não votei em Marcelo Rebelo de Sousa para nada! Todavia, por imperativo de consciência tenho de me confessar publicamente quase rendido a Marcelo Rebelo de Sousa e arrependido de o não ter feito, porque Marcelo com o comportamento que está a ter como Presidente da República me leva a esta posição.

Explico o último acontecimento que me justifica.

 

O Senhor Presidente da República foi visitar a Base Aérea n.º 6, situada no Montijo, onde tem sede a Esquadra 501.

Esta é a Esquadra do C-130, aquela onde há poucos dias morreram três militares num acidente de voo quando se preparavam para descolar uma destas aeronaves. Até aqui está tudo mais ou menos dentro da normalidade a que o Senhor Presidente da República nos tem habituado. Mas o que vai para além do hábito é que o Senhor Presidente da República, podendo fazê-lo, não recusou, no momento, voar numa aeronave do mesmo tipo daquela em que morreram os meus camaradas.

Desculpe-se-me a informalidade, mas tenho de ser igual a mim mesmo...

 

Porra, Senhor Presidente está a mostrar a todos que merece ser Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas... mesmo não tendo sido militar! Está a dar a todos o exemplo de serviço que se coaduna com o modo de sentir de um verdadeiro militar. Era isto que eu pretendia ensinar nas minhas aulas e lições de Deontologia Castrense, há vinte anos, na Academia da Força Aérea a, todos aqueles que hoje são oficiais da Força Aérea.

 

E, permita-se-me, o que se segue dirigido em discurso directo para o Senhor Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Excelentíssimo Presidente da República, e que ninguém se atreva a criticar, porque critica um velho coronel, que sabe o que diz:

 

— Vossa Excelência está a mostrar que merece conquistar e usar com orgulho as estrelas de Comandante Supremo das nossas Forças Armadas, que, por imperativo da função, lhe cabem.

 

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por Luís Alves de Fraga às 21:21

Domingo, 17.07.16

Da Turquia à democracia

 

O golpe militar na Turquia veio abrir as comportas da vingança e da autocracia e os Governos dos Estados democráticos, que tão apressadamente o declararam antidemocrático, não correm agora a declarar que a repressão pode ser uma manifestação antidemocrática, pois o presidente turco já pede o restabelecimento da pena de morte onde ela não existia e permite uma purga política correspondente à anulação da oposição.

Não sou adepto da “democracia na ponta das baionetas”, mas vejamos…

 

No mundo actual, os Estados ditos democráticos sê-lo-ão de verdade? Se cada vez mais vimos uma conspurcada e ignominiosa mistura entre os políticos, a política a banca e os banqueiros será que podemos acreditar na democracia e nesses valores que nos impingem como tal?

Olhemos a União Europeia. O Governo da e na União é democrático ou, efectivamente, autocrático encapotado pela “história” do voto e da democracia representativa? Se se acusava o comité central do PCUS de agir autocraticamente como é que age agora a Comissão na União Europeia? E a democracia nos EUA? É o que dizem ou é uma fantochada escondida sob a capa dos grupos de pressão a exercerem a sua força sobre senadores e Presidente da República?

As democracias que nos rodeiam são ou não são uma grande encenação teatral para nos convencerem de que o nosso voto vale alguma coisa?

 A Turquia é, para além de toda a instabilidade que vai gerar às portas do continente europeu, uma lição a ter em conta quanto ao valor dos eleitos com voto popular e das democracias obscurantistas e alienantes que, no nosso tempo, nos querem fazer aceitar como verdadeiras e puras.

Fiquemos atentos

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por Luís Alves de Fraga às 11:23

Sábado, 16.07.16

Integração

 

O problema da possível, mas não confirmada, acção terrorista em Nice — por mim, julgo tratar-se de um acto tresloucado levado a cabo por um desajustado social — trouxe para a ribalta a questão da integração dos indivíduos que escolhem a Europa para viver e onde criam descendência tendencialmente desajustada.

 

Ouvi alguém referir que a integração dos imigrantes nos EUA se faz melhor e mais perfeitamente do que na Europa e, depois de pensar um pouco, achei a afirmação absolutamente desconchavada e feita no ar, sem qualquer fundamento de análise. Gostaria de partilhar convosco a minha conclusão.

 

Há uma diferença abismal entre a Europa e os EUA no plano histórico-social: estes constituem um território de ocupação recente e aquela é uma manta de retalhos territoriais e culturais com cerca de mil e quinhentos anos de evolução; estes foram ocupados e “construídos” por uma maioria de quase “desvalidos” idos da Europa para lá em busca de oportunidades que não tinham nas suas terras de origem; a Europa é uma terra de “evolução” política e cultural e os EUA são uma terra de “importação” de diferenças políticas, religiosas e culturais, que só homogeneizadas por um “sonho” — o da liberdade e prosperidade material — puderam gerar uma nação. Assim, a integração, nos EUA, resultou de uma necessidade sentida pelo imigrante a qual se consolidou num imperativo político, em especial, depois da guerra civil. Na Europa o imigrante não sente necessidade de “ser igual” aos restantes cidadãos, porque a Europa é, ela mesma, um conjunto de diferenças estruturadas política e socialmente nessas mesmas diferenças. Um imigrante na Europa está para o país de abrigo como um porto-riquenho, um mexicano, um cubano, um brasileiro ou um colombiano está, actualmente, para os EUA. Contudo, persiste uma diferença: na Europa, embora se estabeleça a condição linguística de integração, favorece-se, incentiva-se e apoia-se a diversidade cultural! Nos EUA há o “american way of life”, mas na Europa não há esse conceito em qualquer dos Estados ou, havendo, traduz-se como uma atitude xenófoba.

 

A criminalidade e a marginalidade encontram terreno fácil para se instalar junto das comunidades imigrantes, na Europa, tal como acontece, agora, nos EUA junto das comunidades latino-americanas por eles marginalizadas. A grande semelhança é que nos EUA já se estabelecem diferenças culturais tal como as que existem na Europa.

 

Depois desta reflexão sobre imigrantes na Europa, como será possível tentar uma “integração” de diferenças nacionais para formar uma União? Vontade política é nada perante a “natureza” dos povos!

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por Luís Alves de Fraga às 10:29

Segunda-feira, 11.07.16

O Jogo de uma Vida

 

Ontem ganhámos — todos nós Portugueses — uma taça de um campeonato considerado desportivo, mas, efectivamente, muito profissional. Se foi importante? Foi muito importante! E foi, não por causa do futebol, mas por causa dos paralelismos que se podem fazer desse jogo, dessa final decisiva, com a Vida de Portugal e dos Portugueses. Deixem-me tentar ir por aí.

 

A primeira coisa que saltou de imediato à vista foi que quem regulava o jogo — o árbitro — tinha preferências, pois “via” em relação a uns o que não “via” em relação a outros. Mas os “rapazes” em campo souberam disciplinadamente — realço a disciplina — encarar essa adversidade e opor correcção à incorrecção dos jogadores franceses, que tinham um objectivo em mente: retirar a “peça” supostamente mais importante com que o treinador contava dentro das quatro linhas. Os jogadores de França almejaram o seu intento com a total impunidade do agressor. Nisto eu vejo todas as tentativas que na política actual se fazem para derrotar uma táctica de “jogo” de governação que se ensaia em Portugal.

O jogador supostamente mais importante deu mostras de uma grande combatividade e só saiu do campo quando a dor física o impossibilitou. E saiu a chorar — acredito nas lágrimas daquele profissional do futebol, porque eram lágrimas de raiva, de impotência, de revolta e tudo isso não se treina quando se anda aos chutos a uma bola, mas sim quando se tem entranhado o sentido de um dever a cumprir — porque os grandes combatentes também choram de raiva perante a adversidade total. Mas acreditou no espírito da equipa e, porque é o melhor, contra todas as regras, logo que lhe foi possível, à sua maneira, veio apoiar, incentivar, instruir os seus companheiros ainda em luta. Quantas vezes os nossos melhores não poderiam sair do conforto das suas comodidades e seguir na Vida o exemplo deste jogador?! Não jogar, mas, no mínimo, comprometerem-se com o desejo de uma vitória?

 

O jogo continuou, a pressão não diminuiu sobre os jogadores portugueses, mas eles, porque com os olhos postos na vitória, continuaram um combate que parecia desigual. E era-o! Mas prosseguiram e foram sabendo manobrar, em campo, em consonância com as indicações e alterações feitas pelo treinador. Foram-se adaptando às novas situações e cumprindo aquilo para que se haviam treinado. Meu Deus, o que nos falta é esta capacidade de acreditar que há um treinador na Vida, que nos chama a cumprir aquilo para que fomos treinados, e cumprir! Os jogadores cumpriram, lutando, exaustos, mas crentes. E o treinador lançou para o jogo todas as suas possibilidades, porque, homem experiente, sábio, crente na vitória, arriscou, em dado momento, o “ou tudo ou nada” e os “seus” jogadores acreditaram que ele tinha uma melhor visão do conjunto do que eles, que só estavam a cumprir uma tarefa. Quantas vezes nos falta liderança na Vida e, mais do que liderança, crença na visão de quem conduz com verdadeira vontade de “ganhar o jogo e a taça”, ou seja, de ganhar o bem-estar de todos?

Por fim, a sorte bafejou os jogadores. Uma falta cometida, se calhar, involuntariamente, mas cheia de vontade de evitar o pior, que não foi assinalada, e aquele momento de sorte do chuto certo no momento certo, quando toda a gente em campo estava exausta, dado por alguém menos cansado fez toda a diferença e deu a vitória aos jogadores portugueses. Quantos vezes, na Vida, aproveitando a distracção de quem coordena a legalidade do “jogo”, não se pode cometer uma “falta” para o bem colectivo e aproveitar os menos cansados, para alcançar a vitória?

 

Eu sei, a Vida não é um jogo! Mas a nossa postura na Vida pode ser a dos jogadores que anseiam a vitória, acreditando no esforço colectivo e no muito que conta o colectivo, desprezando o individualismo e tendo a humildade de aceitar que importante é a finalidade, quando esta visa o verdadeiro, evidente e visível bem-estar de todos!

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por Luís Alves de Fraga às 08:38

Sexta-feira, 10.06.16

Finalmente recuperadas

 

Finalmente a praça mais emblemática de Lisboa e de Portugal — o Terreiro do Paço — voltou a ver as Forças Armadas desfilar no dia 10 de Junho!

Esta é a praça que lhes pertence, por direito, desde a manhã de 25 de Abril de 1974 e da qual foram sendo afastadas por vergonha, “civilismo” a mais e ostracismo devido a razões obscuras.

Não sei de quem foi a ideia do desfile militar no Terreiro do Paço, mas, seja de quem for, em boa hora foi pensada. No tempo do fascismo e durante a guerra em África era nesta praça que se comemorava o Dia de Portugal e sempre com um desfile militar. Ali se honravam, com condecorações, aqueles que por feitos valorosos se distinguiam na campanha africana. E, a este respeito, tem de se saber fazer a separação entre o que a política mandava — conduzir uma guerra que não tinha motivo — e o cumprimento que as Forças Armadas davam a essa ordem, oferecendo o sacrifício da vida, se tal fosse necessário. São coisas distintas! Não se podem misturar as razões do mandante com as do executante, quando, quem executa o faz na convicção de que cumpre desígnios da Pátria e defende valores de todos. E as Forças Armadas são o símbolo mais evidente da vontade nacional, até perceberem que estão a ser usadas de forma abusiva, ilegítima e condenável aos olhos da Nação e da História; até perceberem que estão a ser politicamente instrumentalizadas, porque, as Forças Armadas, como última razão da vontade do Estado, não têm partido ou cor política.

 

A profissionalização das Forças Armadas retirou-lhes, em grande parte, a vinculação directa ao Povo. Continuam a ser um eflúvio da Nação, mas são-no reduzidas em número e em origem.

As tropas e o material militar que desfilaram no Terreiro do Paço — há muito chamado Praça do Comércio — mostraram-se a quem lá esteve e a quem os viu através da televisão. Mas mostraram-se perante entidades oficiais, nomeadamente o Presidente da República na sua condição de Comandante Supremo das Forças Armadas e este, sem receios, deixou que se integrassem no desfile delegações de antigos combatentes — os nossos veteranos — à paisana, mas exibindo as suas boinas militares. Foi a possibilidade de trazer o passado ao presente para honrar e não esquecer sacrifícios e História. Depois, o Presidente da República antes de se retirar, e procurando dar um cunho mais simbólico ainda, despediu-se, quase um por um, desses veteranos e, para rematar, deu um abraço ao Presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas.

São gestos assim que calam fundo no coração de quem viveu para servir Portugal, mesmo com sacrifício das mais elementares comodidades e, sempre, por pouco dinheiro, porque, o “contrato” de serviço militar, nunca foi rendoso independentemente da graduação e do serviço desempenhados, pois os militares só têm restrições e jamais outras vantagens do que o orgulho de bem servir.

 

Finalmente, tive a possibilidade de ver recuperadas para o Dia de Portugal as Forças Armadas, mostrando-se, na praça do Terreiro do Paço ou do Comércio, em desfile condigno para orgulho de todos nós, os que ainda vibram com os valores da Pátria, e admiração dos estrangeiros, que nos visitam por causa do sol, da comida e da vida barata.

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por Luís Alves de Fraga às 13:03


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