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Fio de Prumo


Sábado, 24.06.17

Acordo Ortográfico de 1990

 

Porque acho de interesse que fique aqui este testemunho, transcrevo-o, pois foi recebido por email enviado por um grande, velho e sapiente Amigo, que se preocupa muito com questões de Língua Portuguesa.

 

Nove argumentos contra o Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90)

por

MANUELA BARROS FERREIRA

 

 

Qualquer crítica - e qualquer defesa - que se baseie sobretudo em insultos não é crítica nem defesa: é mero desabafo. Não vale nada. Por isso apresento uma série de argumentos relativos à eficiência operativa do OA 90 e a aspectos de ordem linguística, educativa, sociológica, diplomática, económica e de preservação patrimonial que me levam a não concordar com a sua aplicação.

 

  1. ARGUMENTO DA POUCA EFICÁCIA

O AO 90, em vez de diminuir o número de palavras que se escreviam diferentemente em Portugal e no Brasil, aumentou-o consideravelmente. Segundo um estudo de Maria Regina Rocha (que exclui três tipos de vocábulos), 2.691 palavras que se escreviam de forma diferente mantêm-se diferentes; apenas 569 que eram diferentes se tornaram iguais; 1.235 palavras que eram iguais tornaram-se diferentes e, destas, 200 mudaram apenas em Portugal, dando origem a soluções aberrantes como aceção, conceção, confeção, contraceção, deceção, impercetível..., enquanto no Brasil se continua a escrever acepção, concepção, confecção, contracepção, decepção, imperceptível, etc. (cf. “A falsa unidade ortográfica”, Jornal Público, 19.01.2013, retomado em http://ciberdúvidas.iscte-iul.pt/.)

 

  1. ARGUMENTO DE ORDEM FONOLÓGICA

Uma das características da língua portuguesa falada em Portugal é a chamada “elevação das vogais átonas”, ou seja: para nós, a pronúncia das vogais “a” , “e” e “o” em posição tónica não é a mesma que a que têm em posição átona. Compare-se o primeiro “a” de “casa” com o de “casinha”: na primeira palavra o “a” é aberto, e na segunda o “a” é fechado. Compare-se o “e” de “mesa” com o primeiro de “meseta”: em “mesa” pronunciamos “ê”, em “meseta” o “e” é mudo. Mesmo que esse “e” desapareça da fala e digamos “mzeta”, continuamos a perceber que se trata de “meseta”. Dizemos “tolo” com “ô” mas em “tolice”, o “o” é fechado. Esta regra é de aprendizagem automática, desde a primeira infância. Existem excepções, por motivos etimológicos e de paradigma morfológico: caveira, dilação, especar, especular, padeira, relator, retrovisão e algumas mais. Algumas dessas palavras até costumavam, até certa altura, levar um acento grave para indicar que a vogal era aberta: pàdeira e rètaguarda por exemplo. Hoje ele só subsiste como indicador da junção do artigo “a” com a preposição “a” e com os demonstrativos aquele, aquela, aquilo (“Dei um bolo à Maria”, “Àquele nunca falo”). Em 1971 no Brasil e em 1973 em Portugal foi eliminado dos advérbios de modo, e assim “sòmente” e “fàcilmente” passaram a escrever-se “somente”, “facilmente”. Considerou-se inútil porque “os falantes da língua sabiam como se pronunciavam as palavras”. Foi talvez essa a primeira “facada” que os legisladores da língua deram na transparência que a escrita devia ter para quem o português não era a língua materna – como era o caso da maior parte dos nativos das colónias de então. Noutros casos subsistia porém o recurso a letras etimológicas, com a função de indicar que as vogais que as precediam eram abertas. É o caso de “nocturno”,“espectador”, “tractor”. Sem esse auxílio, a regra de fechamento da vogal que não tem acento tónico tende a aplicar-se. É por isso que o AO 90 induz a que se leia “nuturno” ou, quando muito, “nôtúrno”; “espetador” como um derivado de “espeto” e “trator” com “a” fechado, vocábulo que não existe. Quer dizer, o AO aumentou desmesuradamente o número das excepções a uma regra de pronúncia que permitia uma leitura intuitiva.

 

  1. ARGUMENTO DE ORDEM MORFOLÓGICA

Há um princípio básico de qualquer ortografia: a coerência morfológica. O AO 90, seguindo estritamente a produção fonética, exige que se escreva “os egípcios são os nativos do Egito”. Conserva-se, e muito bem, o “p” do “egípcio” porque se pronuncia, mas em “Egito” perde-se a ligação gráfica entre o nome do país e o dos seus habitantes.

 

  1. ARGUMENTO DE LINGUÍSTICA HISTÓRICA

A língua portuguesa é, como todas as línguas naturais, um produto da História. A nossa deriva maioritariamente do latim, tem muitas raízes gregas, muitas achegas vocabulares árabes, tem remodelações renascentistas, tem neologismos oriundos das nações até onde viajou e dos variadíssimos povos, objectos e ideias que aqui foram chegando através dos séculos. A escrita reflecte essa riqueza.

Sobretudo com o Renascimento, a nossa língua sofreu um impulso extraordinário. A partir dessa altura foram criadas ou recuperadas numerosas palavras com base no grego e latim. Não falemos nos termos da Botânica, Medicina, Biologia, Química, que não há lugar nem tempo para tamanha empresa. Falemos apenas de um processo: o da criação de palavras derivadas.

Se repararem bem, a coerência morfológica que mencionei acima, é coisa que aparentemente falha: as palavras derivadas muitas vezes diferem daquela que lhes deram origem. Por exemplo, “lunar” e “luneta” não derivam de “lua”, “pedal” não deriva de “pé”, “lacticínio” não deriva de “leite”, “nocturno” não deriva de “noite”. Todas estas (e tantas, tantas outras...) palavras foram criadas, não a partir da palavra portuguesa (que sofreu todas as evoluções que o tempo imprimiu à raiz latina), mas sim directamente a partir do étimo latino, recuperado por pessoas eruditas: “luna-”, “pede-“, “lacte-“, “nocte-“. Uma coisa é o ter-se a pronúncia do latim transformado por via popular, através dos séculos (perdendo o “n“, o “l” e outras consoantes sonoras intervocálicas, transformando “–ct” em “-it”, etc.) outra coisa é criar-se uma palavra nova, aproveitando, reciclando um étimo já longínquo para fazer frente às novas necessidades de vocabulário. Deste modo, muitas das nossas palavras derivadas conservaram o étimo latino a partir do qual foram criadas. Elas fazem parte do património da língua, veiculando uma dupla marca de origem: social (erudita) e temporal (tardia).

 

  1. ARGUMENTO EDUCATIVO

Como ensinar a uma criança que “soturno” se lê com “o” fechado, pronunciado “u” na maior parte do país, e a palavra “noturno” se lê com “o” aberto”? A resposta é fácil: não se fala no assunto e fica o caso arrumado. Como ensinar a uma criança que da palavra “noite” se formou “noitada”, mas que “noiturno” e “noitívago” não existem, o que existe para o AO 90 é “noturno” e a dupla grafia “notívago” e “noctívago”?

Não seria mais fácil escrever estas últimas com “ct” e dizer-lhe que são palavras entradas na língua por via erudita e não por via popular? E que, se elas, crianças, comeram papa “láctea”, esta é outra palavra também erudita, tal como “lacticínios” ? Escrever “laticínios” não remete para outra coisa a não ser para “lata”. Talvez a lata de leite condensado que se vende nos supermercados?

 

  1. ARGUMENTO SOCIOLÓGICO

Antes de 1990 já existiam duas grafias em Portugal: a norma de 1945, muito bem destrinçada e explicada em Prontuários Ortográficos; e uma grafia difusa, sempre em reconstrução e evolução - a das mensagens juvenis - caracterizada pela simplicidade extrema, minimalista, com consoantes isoladas representando palavras, sem pontuação, nem cedilhas nem tiles. Esta tendência não fez senão acentuar-se com a generalização do uso electrónico. É nesta situação dicotómica que se insere uma terceira forma ortográfica, a do AO 90. Os defensores da norma de 45 agridem verbalmente os defensores da de 90 e vice-versa. E os jovens? Uns são penalizados nas notas por escreverem à antiga algumas palavras-ratoeira; outros são menosprezados porque escrevem à sua, deles, moda “simplex”; e os que escrevem “à moderna” deixam de respeitar as edições existentes na biblioteca da sua escola e inclusive invocam o pretexto da “confusão gráfica” para deixarem completamente de ler.

Se o AO 90 não é um erro sociológico, não sei o que será.

 

  1. ARGUMENTO DIPLOMÁTICO

O Acordo Ortográfico de 1990 tinha-se proposto unificar a escrita de todos os países de língua oficial portuguesa. Este objectivo não foi conseguido. Portugal impôs unilateralmente uma grafia que não tem o acordo de todos .

Diz-se que o AO 90 foi feito, essencialmente, para aumentar as vendas de livros portugueses no Brasil. Para isso pretendia unificar a escrita. Não unificou. Temos, por exemplo, acentos agudos onde os brasileiros têm acentos circunflexos (fenómeno /fenômeno, o que corresponde a uma efectiva diferença de pronúncia); e eliminamos o “c” e o “p” que são pronunciados em palavras brasileiras e não o são nas correspondentes portuguesas. Por exemplo, no Brasil: respectivo, perspectiva, recepção; em Portugal, segundo o AO: respetivo, perspetiva, receção, embora os “e” destas palavras não se pronunciem como os de “repetido” e “recessão”.

Angola e Moçambique não assinaram o AO 90 (o que me parece um grande exemplo de bom senso, sobretudo se tivermos em conta o argumento que se segue). A opinião destes países de língua oficial portuguesa devia ter sido ponderada e tida em conta pelo governo português antes de avançar para uma “situação de facto” extremamente difícil de reverter.

 

  1. ARGUMENTO ECONÓMICO

O que seria economicamente mais recomendável?

Adoptar como obrigatório o AO 90 em nome de futuras vendas de futuros livros, tornando obsoletas as bibliotecas existentes? Ou manter a escrita de 1945, com todo o enorme acervo literário e científico que produziu?

Leiamos as palavras da escritora moçambicana Paulina Chiziene:

“Quantos dicionários Moçambique terá de comprar de novo? Quantos livros terá de mandar reescrever? Quantos livros de escola terão de ser refeitos, em nome de um acordo ortográfico? Será que vale a pena sacrificar tanto dinheiro dos pobres só para tirar um “c” e um “p” do que está escrito? [...] Penso que é um capricho tão desnecessário quanto caro”. (Tradutores contra o Acordo Ortográfico).

 

  1. ARGUMENTO DA PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL

É natural que uma língua que se começou a escrever e ensinar há relativamente pouco tempo – por exemplo, o mirandês, no fim do século XX – não tenha qualquer obrigação de respeitar formas que os portugueses foram elaborando ao longo dos séculos. Porém a mim parece-me que todos nós, portugueses, que dispomos de uma língua escrita desde, pelo menos, D. Afonso II, temos obrigação de manter o mais possível as marcas históricas das palavras que até nós chegaram.

A grafia portuguesa já em tempos renunciou a algumas marcas históricas: por exemplo, o “ph” e os “ll” etimológicos (pronunciados “f” e “l”), dado que esse modo de escrever induzia a leituras erradas, e podia, por isso mesmo, ser descartado. Porém o AO 90 vai longe demais, ao afectar de modo evidente a leitura das vogais não acentuadas e a íntima conexão lógica que existe dentro de cada paradigma vocabular.

Ao modificar-se a escrita, com base numa (suposta) maior facilidade da sua aprendizagem, estabeleceu-se uma enorme confusão nessa mesma escrita e perdeu-se a possibilidade de jovens e menos jovens compreenderem os mecanismos de formação das palavras. Perdeu-se o nexo entre elas.

 

PARA TERMINAR:

Outra coisa ainda deveria ser tida em conta: ao renunciar de modo cego às marcas históricas, este “acordo” insere-se num movimento global de apagamento da memória e de negação da História. Terrível movimento, que cada dia se torna mais evidente e que deixará sem raízes, sem passado, uma série de povos, se não a maioria. E que já está deixando o mundo à deriva, presa dócil de todas as tiranias. Admiramo-nos do modo como estão sendo destruídos monumentos, museus, cidades, inúmeras etnias e línguas. Este desrespeito, este crime que hoje nos parece abrupto, começou devagar, por pequenas coisas, aparentemente insignificantes.

É inelutável? Será irreversível? Há quem diga que é demasiado tarde para recuar. Mas talvez ainda se possa fazer qualquer coisa. Mesmo este Acordo, que ainda não está instaurado em todo o mundo lusófono, é passível de emendas fundamentais.

* Ex-investigadora do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.

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por Luís Alves de Fraga às 19:36

Sábado, 24.06.17

O Caso do Momento

 

Pronto, as televisões e os jornais já estão satisfeitos... Têm "caso" para discussão!

É o raio da falha das comunicações através de um sistema que custou milhões!

 

Mas falhou?

Falhou, sim senhor, porque alguém disse que falhou! E se não falhou passou a falhar, para haver "caso"!

 

Ora digam-me cá uma coisa! O que é que as televisões e jornais querem? É saber se falhou ou terem "caso" para discutir? Se é para saber se falhou e com isso alertar quem de direito para o assunto, das duas uma: ou quem de direito já sabia e as televisões e jornais não, ou não sabia e ficou a saber. Mas, por favor, parem com uma discussão que já chateia!

É que estamos no "inferno português" onde há sempre qualquer coisa que não funciona!... Da próxima vez funcionam as comunicações, mas por causa das ciclovias, não podem passar os bombeiros ou qualquer outra merda no género!

 

Mais de vinte e quatro horas para desmontar um grua que não devia ter caído e caiu, o que é que os senhores querem?!

Olhem só se tivesse sido um descarrilamento do metropolitano! A Lisboa subterrânea parava quinze dias e a da superfície ficava engarrafada por um mês!

 

Mas os jornalistas não percebem que o erro não está nas falhas ou no que falha, mas em nós?

Arre gaita, que são burros!

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por Luís Alves de Fraga às 00:17

Quinta-feira, 22.06.17

Planeamento

 

Em Portugal cultiva-se a falta de planeamento em tudo! Os Portugueses - nós, com algumas excepções - gostamos de improvisar para mostrar a capacidade extrema de desenrascanço, e achamos nisso uma virtude.

 

Podendo duplicar um serviço, uma operação, um gesto, por que é que se há-de simplificar? Podendo ter informações dispersas, por que é que se hão-de centralizar? Podendo fazer mal feito, por intermédio de um "curioso", por que é que se há-de fazer bem feito por recurso a um especialista? Podendo guardar para fazer à última da hora, porque é que se há-de fazer com tempo e calma?

Porque se está convencido que não se morre no dia, mas sempre uma semana depois!

 

Este país, eternamente adiado e desorganizado, podia ser fantástico, podia ser o paraíso na Terra, se tivéssemos a capacidade organizativa e de planeamento dos povos do Norte da Europa! Com as condições naturais que temos e tudo a ser feito com verdadeiro profissionalismo, teríamos tempo para trabalhar, descansar, passear e viver! E ainda teríamos dinheiro suficiente para vivermos de bem connosco.

 

Falta-nos sentido da ordem.

O sentido da ordem ou nasce com cada um ou aprende-se! Aprende-se como tudo! Porque tudo se aprende! E, assim sendo, o que nós não queremos é ter professores que nos ensinem a ser capazes de planear e planear e só ter capacidade de:

Antever, prever, imaginar alternativas, optar, definir soluções, implementar modos de fazer.

Para se planear tem de se ter tempo para tomar decisões antes da pressão dos acontecimentos.

 

Quando é que se planeia a formação de professores capazes de aprender, ensinar e executar planeamento? Quando é que se faz a revolução das mentalidades de modo a tornar a nossa vida digna de ser vivida, porque vivemos num país planeado?

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por Luís Alves de Fraga às 11:51

Quarta-feira, 21.06.17

Acordar de repente

Os jovens, pelo menos uma parte com algum significado, acordou de repente para a morte inesperada... Só estavam habituados a ver ou saber da morte de familiares doentes ou idosos. Esses morrem pelas causas "certas" e na idade "certa"! Mas, morrer assim de repente, porque se vai numa estrada e um incêndio tira a vida ou se está a defender os parcos haveres e se morre de mangueirita na mão a verter água para evitar o pior, isso foi novidade para muita gente mais nova!

Claro que o meu coração sangra perante tal catástrofe, claro que lastimo tudo o que aconteceu e está a acontecer, mas... lá vem o mas reticente!

Mas a minha geração, a dos homens com setenta e sessenta e tal anos, começou a ver morrer de forma brutal os seus amigos muito jovens, tão jovens como éramos na altura, durante a preparação para a guerra e durante a guerra. Para mim, foi o camarada que se atirou para um lago de água fria e morreu de choque hidrotérmico, em manobras militares, o companheiro de vários anos que morreu esmagado entre dois camiões militares, isto ainda nem chegáramos a África e, depois, em teatro de operações, foi a notícia de "lá ficou Fulano", "lá se finou Beltrano" e "desta vez foram dois ou três... lembras-te daquele moço, bom rapaz? Morreu". Todos os meses, alguém nosso conhecido ou amigo, ficava sem vida "fora do tempo de morrer"... porque também se julgava, antes, que só se devia morrer de idade ou doença!
É por isso que olho para toda esta desgraça e só me sai da boca uma frase, que parece feita, mas resulta de uma vida semeada de mortes: "É o destino! Tinha de ser!"

E há jovens que se revoltam quando me ouvem! Lastimo-os. Não estão preparados para a vida. A minha geração teve de se preparar muito jovem! Teve de saber olhar para as macas, os sacos de transporte de mortos, para os caixões e ir vivendo com uma certeza: hoje era aquele, amanhã poderíamos ser nós. A mim, ainda que não queira morrer, isso deu-me tranquilidade para saber esperar pelo meu momento.

Paz a todos os que partiram tragicamente e resignação aos que ficaram para aprenderem a viver com a dor e a saudade, porque... isso também se aprende.

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por Luís Alves de Fraga às 09:30

Sábado, 17.06.17

Uma Questão de Idade

 

Ontem, próximo da hora de me deitar (já bastante depois das duas da manhã), comecei a pensar num tema: Presidentes da República Portuguesa e cheguei à conclusão de que havia conhecido todos os Presidentes de Portugal com exclusão dos da 1.ª República. Para ter conhecido algum desses outros, com alguma consciência e recordação, só gente com noventa ou um pouco mais, anos de idade, excepção feita a Bernardino Machado, dada a sua enorme longevidade.

 

Com este pensamento, foi fácil concluir que estou avançado nos anos e, em exercício de memória, lá comecei a enumerar os nomes dos Presidentes:

 

Marechal Óscar Fragoso Carmona - morreu era eu um menino, com dez anos, mas recordo ter ido, com a minha Mãe e Avó, ao palácio de S. Bento, passar diante da urna aberta, numa última despedida ao Presidente (ao que me lembro, o cadáver foi mal embalsamado e começou a deitar cheiro antes do tempo previsto); o facto impressionou-me por causa da imensa multidão que esperava em longa fila pelo momento de entrar e simplesmente passar frente à câmara ardente. Foi, talvez, o momento em que o Povo se aproximou tanto do Presidente! Foi preciso ser cadáver…

 

Marechal Francisco Higino Craveiro Lopes - era já eu rapazola quando estive próximo dele em diversos momentos: aquando da chegada da sua deslocação a Londres, e, depois, em quatro anos seguidos (1954, 1955, 1956 e 1957), nas aberturas solenes dos anos lectivos no Instituto dos Pupilos do Exército; era um homem sisudo, aparentemente muito correcto, que causava boa impressão; nos últimos anos do seu mandato o que eu sentia é que era mais um a obedecer pacificamente à vontade de Salazar. Enganei-me. Terá, segundo bons testemunhos, patrocinado, com simpatia, uma tentativa de revolta contra a ditadura. Não era, de certeza, um democrata feito e acabado, mas terá sido alguém que compreendeu a necessidade de uma mudança política em Portugal.

 

Almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás - foi aquele que mais marcou a minha vida de fim de juventude e de chegada à idade adulta. Estive várias vezes bem perto dele. Aparentemente, um velho confuso, sem dom da palavra, dando a ideia de ser "um pau mandado", todavia, a verdade surgiu depois da "morte política" de Salazar, quando Marcelo Caetano foi Presidente do Conselho de Ministros: era, afinal, um ultra do regime, um intransigente e um tipo de vontade firme. Caiu com o 25 de Abril de 1974 e foi exilado para o Brasil, mas veio morrer a Portugal, mais concretamente em Cascais, treze anos depois do golpe que o derrubou. Não teve a dignidade de Marcelo Caetano, que recusou o regresso mesmo após a sua morte.

 

Marechal António Sebastião Ribeiro de Spínola - nunca me cruzei com tal figura a não ser na Academia Militar onde, nos anos de sessenta, foi pronunciar uma conferência para os cadetes sobre a guerra de guerrilha. O que é que me ficou na lembrança sobre ele? Pois, várias ideias: um falso democrata, por ser excessivamente "militar", habituado à hierarquia castrense, sem elasticidade política para o tempo em que se fez nomear Presidente da República. Não era o homem para o momento, nem do momento. Não podia ser. A carreira militar apontava-o como um possível "semi-ditador". Afastou-se, conspirou e veio a morrer após a estabilização da democracia.

 

Marechal Francisco da Costa Gomes - estive duas ou três vezes fisicamente muito próximo dele, trocámos meros cumprimentos formais. Foi, no curto mandato presidencial, o mais importante de todos os Chefes de Estado de Portugal, pois soube evitar, em tempos altamente conturbados, uma guerra civil, buscando, com cautela, consensos políticos entre todas as forças em presença. Soube valorizar a democracia e é absolutamente injusta a acusação de falta de definição perante as situações. Não foi o "Xico Rolha", que alguns, quase todos, lhe chamaram; foi o Homem capaz de encontrar a bissectriz das mais complexas situações revolucionárias que atravessaram Portugal. A História está em dívida com este Presidente, pois não o exalta como ele merece.

 

General António Ramalho Eanes - antes e enquanto Presidente nunca falámos, mas, depois de ter deixado funções públicas, troquei com ele algumas palavras formais. Foi o Presidente da transição democrática, aquele que pretendeu dar a maior impressão de isenção política, mas, no final do segundo mandato, caiu na tentação de se envolver com a formação de um partido sem base popular estável nem espaço de apoio possíveis. Dizem, todos os que lhe são próximos, que tem sentido de humor e boa disposição, contudo, nada disso transparece nas suas aparições públicas. Tem-se recolhido a um silêncio político só cortado nos apoios que dá a candidaturas eleitorais, mostrando nem sempre estar do lado das simpatias populares ou esperadas. Foi o último Chefe de Estado militar. Provavelmente, em democracia, não mais voltaremos a ter outro.

 

Mário Alberto Nobre Lopes Soares - conheci-o com alguma proximidade e falámos várias vezes, embora de assuntos triviais ou meramente sociais. Não foi, como agora se apregoa, o "pai da democracia portuguesa". Foi o político habilidoso e versátil que desviou a opinião pública nacional, num momento histórico e decisivo, para a votação no centro-esquerda. "Puxou" o Partido Socialista para a direita, quebrando-lhe qualquer esperança de vir a ser o "último salto" antes do Partido Comunista. Abriu as portas à negociação com a CEE, mesmo antes de ser Presidente e, no desempenho das funções para que se sujeitou ao voto popular, foi um indefectível europeísta. Procurou fazer uma magistratura de contacto com o país profundo, mas, na verdade, nunca conseguiu ir muito além do que determinava o protocolo.

 

Jorge Fernando Branco de Sampaio - nunca falei com ele. A sua presidência foi sobressaltada por um ou outro acontecimento político de monta, em especial quando tomou decisões na sequência do abandono da governação por parte de Durão Barroso. Sendo socialista, filiado no Partido, antes, na juventude, foi fundador de uma deriva socialista mais radical (Movimento de Esquerda Socialista). Fundou, também, um grupo de reflexão designado por Intervenção Socialista, em 1975. Embora integrado no Partido Socialista, julgo poder afirmar, a sua verdadeira postura política não se identificou, ao longo da vida, com a vertente meramente social-democrata daquele partido.

 

Aníbal Cavaco Silva - também nunca falei com ele. Foi o mais controverso dos Presidentes do período democrático, porque, tendo deixado, vinte anos antes, a governação de Portugal em situação dúbia, voltou, depois de uma longa "travessia do deserto político", a impor aos Portugueses a sua invulgar postura arrogante, distante, às vezes irónica no plano político, transportando para o cargo simpatias e apoios que deviam ficar longe do palácio de Belém. Foi, talvez, o menos isento dos Presidentes e o mais difícil de perceber depois de Américo Tomás.

 

Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa - conheço pessoalmente e mantive parco relacionamento social. É, sem sombra de dúvida, até ao presente, o mais popular dos Presidentes desde 1926, sendo comparável, em fama e "irrequietismo" ao Presidente Bernardino Machado. Tem procurado manter uma soberba equidistância entre a presidência e as suas simpatias partidárias.

 

E assim, acabo esta reflexão sobre a história biográfica dos Presidentes da República Portuguesa que conheci (eu e todos os portugueses da minha idade, um pouco mais velhos ou um pouco mais novos).

Vale a pena, às vezes, olhar para trás e perceber criticamente as pessoas com quem nos cruzámos, mesmo que muito à distância. Com esse olhar ressituamo-nos e podemos repensar-nos enquanto cidadãos.

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por Luís Alves de Fraga às 19:32

Quarta-feira, 24.05.17

Meninos, jovens e adultos

 

A propósito do atentado de Manchester, ouvi, na rádio, referir-se que um "menino" de 16 anos tinha morrido ou estava ferido. Isso despertou-me o desejo de escrever este apontamento.

 

Vamos lá ver se nos entendemos, porque, parece-me, andamos todos um pouco desentendidos com a vida e os vocábulos.

 

Está aceite, em quase todo o mundo, que a maioridade, ou seja, a idade em que se é maior, adulto e responsável, se atinge aos 18 anos.

Então, "menino" terá de ser alguém que está longe dessa idade! "Menino" não pode ser um matulão que vai para bares, se droga, bebe álcool até cair para o lado, já sabe muito bem fornicar, sabe como usar "camisinha", já se acha no direito de reivindicar direitos e de ser tratado como "gente". Menino é alguém que está ainda bastante longe dos contornos anteriores!

Menino não sai à noite, não bebe álcool, ainda anda a descobrir o sexo, ainda não reivindica mais do que meros direitos estabelecidos pelos pais e pela escola. Menino é mesmo menino! Menino não está em idade próxima de ser cidadão pleno.

 

Mas, o que é que há entre menino e adulto?

Pois, há um estádio que se deve designar por jovem! Contudo, em Portugal, houve uns "inteligentes" que inventaram o "cartão jovem" para gente que tem mais de 18 anos!

E, chegado aqui, cai-me o verniz, e apetece-me ser mal-educado! Todavia, não vou deixar escrita toda a panóplia de palavrões que me vêm à cabeça... imaginem-nos, porque tenho um rol que não acaba!

 

A minha ira centra-se no facto de verificar (basta uma consulta à Wikipédia) que "jovem" pode ser o sacana que tem 29 anos de idade! Jovem uma gaita! Um sacripanta, que há mais de dez anos pode votar como eu, é ainda um jovem?! Ele é, sem sombra de dúvida, um adulto!

 

Como é que se pode gerir esta geringonça (verdadeira geringonça!) de se dar direitos de adulto a um tipo com 18 anos de idade e, depois, dizer que ele é jovem até aos 29?

Ele pode ser um jovem adulto, mas nunca só e somente jovem!

E é aqui, na linguagem que se estabelece a confusão: jovem como substantivo e jovem como adjectivo!

Pode adjectivar-se a qualidade de adulto - jovem, velho, de meia-idade - mas não se deve substantivar o que é somente adjectivável!

 

O mundo anda todo às avessas, em certos aspectos, por causa desta confusão!

Quando é que se põe ordem nesta coisa, começando pela Assembleia Geral da ONU?

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por Luís Alves de Fraga às 13:18

Sábado, 20.05.17

Choque

 

Há várias coisas que me chocaram e me chocam na Vida, mas aquela que me traz hoje a escrever é a corrupção ou, se se preferir, a falta de Ética dos tempos que correm.

 

Sei que a minha idade me leva a medir os tempos por paradigmas diferentes dos actuais — até, se calhar, porque não mudaram os tempos, mas mudei eu! — contudo, os indícios escritos, os rastos nos jornais, rádios e televisões são evidentes.

A corrupção sempre existiu, mas não tão descaradamente exposta e vivida como no presente.

 

Será, talvez, melhor eu colocar a questão doutro modo:

A falta de ética comportamental nos diferentes domínios da sociedade actual — não só a portuguesa, mas a de todo o mundo — é abismal.

Rouba-se, suborna-se, mente-se, omite-se, conspurca-se, vexa-se, incumpre-se com a maior das facilidades. E, até, se necessário for, invoca-se a democracia para dar cobertura a toda a ausência de ética.

 

Para mim — e só para mim — há um acontecimento histórico que, parece-me, justifica esta lenta, mas segura mudança comportamental da sociedade internacional: o desaparecimento do Bloco de Leste com o seu comunismo ou socialismo.

 

Do lado de lá da "cortina de ferro" podiam ocorrer horrores de toda a ordem - e ocorreram -, contudo, a existência daquela ameaça sobre o mundo capitalista obrigava à manutenção de, pelo menos na aparência, uma ética por onde não pudesse penetrar a propaganda comunista. O fim do "medo comunista" abriu a porta a todos os desvarios, a todas as más condutas, já existentes, mas convenientemente escondidas e manobradas com grandes cautelas.

O "fim" do comunismo foi a "libertação" do mau comportamento de toda a gente, porque o fenómeno é contagioso.

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por Luís Alves de Fraga às 21:51

Domingo, 07.05.17

França

 

Pronto, o pano caiu e o espectáculo terminou. Vamos só retirar algumas conclusões essenciais constitutivas da estrutura de tudo o que se passou.

 

Os partidos estão a ruir um pouco por todo o lado e também em França. Cada vez mais a democracia é uma caricatura do que pretendeu ser no século XIX e foi, em algumas circunstâncias, no século XX. O que prevalece é a importância da finança anónima, indomável, corrupta e global. Assim, o projecto europeu, porque fundamentado na ideia ultrapassada de democracia, está a correr para o colapso ou para uma solução de apagamento de soberanias.

 

Mas o fenómeno não é só visível na Europa. Ele acontece um pouco por todo o mundo. A corrupção político-financeira é uma verdade que se está a instalar nos nossos dias.

 

A França vai ser o "balão de ensaio" nos próximos cinco anos. Por acção dela, provavelmente, os nacionalismos vão reacender-se na busca de conseguir o retrocesso da globalização, através do renascimento dos "capitalismos nacionais".

Estão a reunir-se as condições para se redefinir-se o quadro do conflito entre capitalismos, que levou à Grande Guerra. A China está a formar a primeira linha desse novo quadro. Os EUA estão a procurar alinhar nessa reconfiguração político-financeira. Fazem-lhe companhia a Grã-Bretanha com o Brexit. Perfila-se a Turquia como potência chegada ao radicalismo de direita. A Rússia mantém-se firme no desejo de ser potência continental e marítima.

 

Falta pôr fim ao comércio de armas, que alimenta pequenos conflitos regionais, deixando que haja concentração de "material explosivo" numa só região da Terra. Esse será o ponto por onde estalarão as hostilidades militares, se se caminhar para uma terceira guerra mundial.

 

Não é nem um acaso nem um fatalismo histórico a França estar no centro dos grandes conflitos; resulta somente de ser um elemento de diferenças culturais no meio geográfico de outras tantas, tão fortes no plano económico e militar como ela.

 

Será que Emmanuel (curioso este nome bíblico) Macron, Presidente da República francesa, na sua juventude, terá alguma similitude com Napoleão Bonaparte, por acaso também casado com uma mulher bem mais velha do que ele?

 

Não me julguem nem louco, nem adivinhador, nem profeta de desgraças. Sou somente um tipo que alinha dúvidas e as escreve.

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por Luís Alves de Fraga às 23:20

Segunda-feira, 10.04.17

O Perigo Interno

 

Não, não vou escrever sobre terrorismo! Isso é dar alimento a quem dele não precisa.

Do que vou ocupar-me é, em breve linhas, do perigo de se desfazer a coligação parlamentar de esquerda existente em Portugal.

 

Não quero cometer o erro de julgar os comunistas do PCP menos inteligentes do que eu. Nem os bloquistas. A todos eles sobra muita inteligência, que a mim me falta! Mas, também lhes sobra uma outra coisa que a mim me escasseia em absoluto: "partidarite"! Eu não tenho partido político; eu voto invariavelmente num partido do leque da esquerda, porque o meu pensamento político se situa à esquerda. Uma esquerda, que foi influenciada, está a fazer cinquenta anos, pela leitura atenta de Marx, e de todas as teses clássicas dos diferentes socialismos teorizados no século XIX.

 

Ora voltemos ao PCP e ao Bloco de Esquerda (BE). E passemos pelo Partido Socialista (PS).

O meu grande receio é que o PS consiga uma confortável maioria nas próximas eleições legislativas. Tão confortável que se atreva a governar sozinho. E aí reside uma das faces do perigo interno, porque os socialistas vivem entre contradições, que tanto os empurram para a direita como para a esquerda. E, se guinam à direita, por força das imposições de Bruxelas, lá os vamos ter colados ao PPD/PSD ou, se preferirem, lá vamos ter o PPD/PSD colado ao PS. E as indefinições do PS voltam ao "antigamente", ou seja, ao bloco central! Mesmo que declarem o contrário!

 

Mas e o PCP e o BE?!

Bom, para além de desejar que o PS careça de um entendimento parlamentar com o PCP e ou com o BE, o que eu desejo mesmo é que, tanto um como o outro destes partidos marxistas, tenham o bom-senso de "não esticar a corda" para os limites do impossível ao PS...

 

Vamos lá ver.

Não desejo que nenhum dos três partidos se descaracterize! O PCP pode e deve continuar a ser igual a si mesmo, tal como o BE e o PS (com todas as suas contradições). O que eu acho ser bom para Portugal e para os Portugueses é que ponham em comum tudo o que pode ser comum a todos, deixando de fora, sem azedume, aquilo que os define como diferentes. Deste modo, todos ganhamos. De outra maneira, todos perdemos. Já chega de "partidarite", de "braços-de-ferro", de desentendimentos. O PS só ganha se se entender com o PCP e o BE, e qualquer um destes não perde se se mantiver, igual a si mesmo e sem desvirtuar o seu carácter político, ligado a um entendimento com o PS. Toda a esquerda portuguesa agradece, bem como todos os portugueses vão perceber quanto votar à esquerda pode ser benéfico para as classes mais humildes e para as classes médias.

 

A minha voz não chega às sedes partidárias, nem aos órgãos directivos dos partidos de esquerda, mas... a esperança, embora morrendo como tudo o que é vivo, é a última a morrer!

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por Luís Alves de Fraga às 11:20

Sábado, 08.04.17

Sou Incorrecto

 

Não me julguem mal-educado! Tanto quanto possível, não o sou. Mas, às vezes, defendo a incorrecção. Entenda-se a incorrecção política!

 

Ah, pois é! Julgavam que era da outra, de própria da civilidade, que estava a falar?! Não, meus caros! É da política. Da política, pois essa anda a precisar de quem diga umas verdades pouco correctas.

 

Houve mais um atentado terrorista!

Alguém se lembra dos atentados da ETA? E da quantidade de guardas-civis espanhóis que foram mortos? E do terrorismo na Irlanda? Alguém recorda as vítimas? E recordam-se dos nomes dos políticos que, então, andavam na moda? Teve dimensão global algum desses atentados?

 

Esse terrorismo passou de moda e foi politicamente resolvido ou, será melhor dizer, porque foi politicamente resolvido, passou de moda.

Foram dois factores que se conjugaram para que ficasse resolvido: as negociações políticas e a pouca publicidade que se deu aos atentados.

 

O segredo da solução está nesta receita: deixem de dar publicidade ao Estado Islâmico e tratem, nos órgãos de comunicação social, os atentados terroristas como tratam qualquer notícia de acidente rodoviário, por exemplo! Comecem por não dar nem publicidade nem visibilidade ao Estado Islâmico! Depois, tratem os terroristas como aquilo que eles são: criminosos de delito comum. Depois, negoceiem com o Estado Islâmico.

 

Esta última solução é difícil de adoptar, pois o Estado Islâmico é representante de uma das facções religiosas islâmicas em luta fratricida. Aqui, são os próprios islâmicos que impedem uma solução e foram os ocidentais que, não percebendo nada de nada do mundo islâmico, lá se foram meter em nome do petróleo! Meteram-se para desfazer as ditaduras que continham a luta fratricida islâmica! Deixou de ser conduzida por ditadores para passar a ser conduzida por malfeitores! Lindo! E tudo em nome da democracia! Ou melhor dizendo, em nome do petróleo!

 

Quando é que os políticos deste mundo - bem como os comuns "opinadores" políticos - metem na caixa encefálica que as ditaduras, se existem, são consentidas pelos povos que as suportam, pois, quando as não querem não precisam de ajuda para as derrubar? Será difícil perceber isto e que, se percebido, deixa de haver ingerência na política interna dos Estados?!

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por Luís Alves de Fraga às 11:19


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